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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Quem é o Criolo?


O Criolo é o Kleber Cavalcante Gomes, pesquisando rapidamente você vê que o cara é do meio artístico do rap, porém o ouvinte old school (pra não dizer conservador) pode escutar os discos “Nó na Orelha” e o mais recente “Convoque seu Buda” e ficar disconfiado, pois a levada desses dois álbuns é diferente do primeiro registro “ Ainda há Tempo”, nesse disco as faixas são “rap” da primeira a última, letras carregadas, flow, gírias, os BPM das pick up’s, os sampler’s e os discursos contundentes, seguindo a escola do rap nacional como Thaide, Racionais, RZO, Sabotage ou SNJ. Um pesadíssimo disco de rap do Criolo Doido.

“Cantar rap nunca foi pra homem fraco, saber a hora de parar é pra homem sábio”, rima Criolo em “Sucrilhos no Prato”, pois após 10 anos de hip hop decidiu que era hora de aposentar o flow, por insistência dos irmãos de caminhada resolveu “documentar”, como ele mesmo disse, as músicas que estavam engavetadas. Como seria apenas um registro ora família, sem a pretensão de virar um CD comercial, o Criolo queria colocar todo seu potencial que ia além do rap, gravou samba, bolero, reggae, inde, MPB além de muito hip hop, tudo bem mesclado, então a primeira vez que se ouve o Nó na Orelha vem a desconfiança: “Música comercial pra tocar na rádio!”, mas o ouvinte mais atento percebe a poesia das letras e a melodia dos hinos de uma música ímpar, que foi feito pra tocar nos auto falantes de um grupo seleto, sem a pretensão de vender, Criolo botou o coração em cada faixa desse disco.

Há uma máxima que os Racionais MC’s são o grupo de rap mais rock n' roll do país, não por ter rock, o estilo musical, nas composições de Mano Brown ou nas batidas de KL Jay, mas pela atitude rock n' roll que o grupo apresenta. Nessa pegada, eu digo que o Nó na Orelha, e o Convoque seu Buda também, são duas pauladas, dois discos de rap raíz, mesmo não sendo rap de uma ponta à outra, mas por que traz a essência do rap em cada faixa, o discurso, a mensagem, o louvor, o samba do Criolo, o Bolero do Criolo, o reggae do Criolo é mais rap do que artistas e músicas que se dizem rap “puro”, tô falando da essência meu irmão!


Então o Criolo sobe no palco canta seus raps, canta suas músicas que as vezes não são rap, mas que tem a essência e a vibe do rap e acaba sendo mais rap do que muitos rap. Isso atrai uma molecada nova, que se pá nem é do rap, mas ouve um Criolo é se identifica, com a poesia, com a levada, e hoje você vai no YouTube e vê vários maluquinho fazendo versão do Criolo com violão, e não é só das MPBs do Criolo não, “Subirusdoistiozin”, “Lion Man”, “Esquiva da Esgrima” e por aí vai. Então aí que você vê que o Criolo é doido mesmo, e que virou o jogo, do “ — Ihh Man… esse é mais um som comercial, pra prayboy” para um “ — Porra veio, Criolo representa a quebrada, levou o rap e as gírias pra onde muito medalhão num conseguiu (ou nem tentou)!!!”

Pra finalizar, se ainda dúvida do Criolo é só ver as causas que o maluco apoia, são causas que o hip hop apoiava lá trás, nis anos 90, séc xx, mas que com as facilidades da informação deixaram de lado. Então lição de casa: prestar atenção nos discursos do Criolo e se lembrar da essência do RAP, rapaz!

Esse texto também foi publicado na Revista OBVIOUS, clique aqui para ver.

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