A Transpiração Continua e Prolongada do Charlie Brown Jr - #submundodosom

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Transpiração Continua e Prolongada do Charlie Brown Jr

Estamos em 2017 e o disco de estreia dos manos de Santos completa 20 anos. O Charlie Brown Jr chegou chegando em seu primeiro álbum, num estilo mais debochado, porém com uma originalidade pouco vista, que buscava misturar o o rap, ska e hardcore, e que mais tarde viria a influenciar diversas bandas que. O disco contém 15 faixas, dessas, 3 são vinhetas, e 6 tocaram nas rádios, num tempo em que as rádios tocavam rock.

Abre-se o álbum Transpiração Continua Prolongada com a faixa “Tributo ao Frango da Malásia”, uma vinheta que mostra o lado cômico da banda, que mais tarde viria a ser marca registrada da positividade e good vibration do Chorão:

“A banda Charliie Brown Jr.
Orgulhosamente apresenta
O canto do pré-histórico, o endividado, o extinto:
O último frango da malásia.”

A faixa 2 foi uma das que estouraram nas rádios, “O Coro vai Comê!”, ainda no estilo debochado Chorão apresenta várias gírias do skate, como: biron, bacon, xotonson, travazon, rasga rasgazon, como o próprio Chorão explica é a lingagem do “on”, “se o cara tem a base, ele tem muita bason!”, o música segue num ska:

“Meu, tu não sabe o que aconteceu!
Os caras do Charlie Brown invadiram a cidade!
Junte sua mãe, seu cachorro e sua sogra
Traga todo mundo o coro vai comê!
Give it up hey!
Do you really wanna do it boy”

Outro sucesso de rádio é a faixa “Tudo que Ela Gosta de Escutar”, a canção apresenta elementos praieros, num dia e refrão com riffs mais acelerados, na letra, autobiografica, Chorão divide a experiência de ser um pobretão e namorar uma mina melhor pocisionada economicamente:

“Fim de festa olho pra ela, ela sorri pra mim
Me secou a noite inteira
Ela só pode estar afim
Ela tem carro importado e telefone celular
Eu só tenho uma magrela e um ap. no bnh
Eu falo tudo que ela gosta de escutar
Deve ser por isso que ela vem me procurar
Eu falo, eu falo tudo que ela gosta de escutar
Deve ser por isso que ela vem me procurar”

A quarta música é “Sheik”, é pra eu ser repetitivo, essa foi outra que tocou muito nas rádios, misturando rock e ragga, o tom de deboche continua, ao contrário dá faixa anterior, nessa os papéis se invertem, agora é narrado a vida, nada difícil, de um homem de muito poder aquisitivo, o Sheik:

“Eu sou o Sheik, tenho mais de mil mulheres no meu harém
Minha barraca tá armada e não tem pra ninguém
Com meu petróleo tua máquina funciona bem
Vou te comprar pro meu harém!
Porque eu só moro em cobertura, só ando em limousine
Um milhão no porta-malas, cinco minas de biquíni
Eu sou o Sheik, Sheik, Sheik
Vou te comprar pro meu harém!”

Quinta faixa é o instrumental “Hei! Arreia” que é extremamente bizarra, no bom sentido, numa espécie de celebração aborígene. E o disco segue com “Gimme o anel”, que pra variar tocou muito nas rádios, a faixa é mais pesada, tem a forte groove do baixo, e a influência do rap metal, a poesia descorre sobre um cara falido que consegue o que quer com uma burguesinha:

“Ela riu de mim disse que talvez
Se eu fosse um cara de nome
Ou se eu fosse um burguês
Eu disse calma neném
Eu tive um dia difícil
Dinheiro você já tem
Eu te ofereço meu míssil
Do you wanna gimme girl?
Do you wanna give me o anel?
Do you wanna give me girl?
Do you wanna go pro motel?”


Nova vinheta, “Molengol´s Groove”, onde há a estreia (pelo menos registrado em disco) do beat box do Champignon, que viria a ser também uma das marcas registradas do Charlie Brown Jr. A música de número 8, é “Aquela Paz”, novamente o beat box do Champignon, peso na guitarra do Thiago Castanho, a forte presença do rap, num discurso falado:

Quinta Feira”, música que, já sabe né? Lembrada pelo baixo marcante de Champignon, numa mistura de reggae e rock e que traz um forte refrão:

“A vida é feita de atitudes nem sempre decentes
Não lhe julgam pela razão, mas pelos seus antecedentes
É quando eu volto a me lembrar
Do que eu pensava nem ter feito
Vem, me traz aquela paz
Você procura a perfeição e eu tenho andado sob efeito, mas
Posso te dizer que eu já não aguento mais
Desencana, não vou mudar por sua causa não tem jeito, mas
Quem é que decide o que é melhor pra minha vida agora?”

A faixa 10, fecha o “lado A” do albúm, “Proibida pra Mim (Grazon)”, talvez o maior sucesso da banda no disco de estreia, o que evidentemente fez a canção tocar muito nas rádios, a letra foi escrita pra Grazon, ou melhor para Gaziela Gonçalves, na epoca namorada e que mais tarde viria a ser sua esposa, o ritmo segue num ritmo acelerado com linhas marcantes do baixo numa especie de ska-punk:

“Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim no way
Disse que não podia ficar
Mas levou a sério o que eu falei
Eu vou fazer de tudo que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Eu posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!”

A música “Lombra”, faixa 11, a mais pesada do disco, e que inicia o “labo B” do disco, ou seja, aqui as músicas já não foram vinculadas á rádio, sendo assim parte do Submundo do Som. Lombra traz a participação do rapper PMC e o dj Deco Murphy, conhecidos pelo sucesso “Corre que lá vem os Homi”, Lombra é uma faixa rap, que Chorão e PMC dividem as rimas:

“Poucos acertos, muitas noites de perigo
Pela história fui salvo, mas perdi grandes amigos
Na noite tudo se pode, horas abertas são
O cenário ideal pra quem vai na contramão
Você diz que é mafioso e que é ladrão
Faz tudo errado e os outros pagam por você, meu irmão!
Você diz que é mafioso e que é ladrão
Faz tudo errado e os outros pagam por você, ladrão!
Ele adorava uma arma
Todo mundo ele aloprava
Com seu jeito meio clepto de ser
Zé bonitão, todo função, rambo vilão
Herói da gang juvenil, pesadelo do Brasil”

A música de número 12 foi composta pelo Champignon, “Corra Vagabundo”, outra na pegada rap metal, com linhas de baixo pesadíssimas, Chorão e Champignon fazem o vocal:

“Corra vagabundo olha a polícia aí!
Porque eu não quero ficar na cadeia
o dia inteiro a noite inteira
o dia passa na doideira também passa do ponto
Chegamos onde deveria ser
Vagabundo deitado, mão na cabeça, identidade
Não minta não porque, se não vai ser pior pra você!
Corra vagabundo olha a polícia aí!
Corra vagabundo olha a polícia aí! yeah…”

A próxima faixa é “Falar, falar…” aqui o clima de deboche diminui e a letra trás uma critica mais séria, numa daquelas faixas que o hibridismo musical se faz presente nos 2 minutos e 48 segundos da faixa, que passa pelo hardcore, ska e hip hop, tudo mesclado:

“Se perguntarem pra você
O que falar sobre si mesmo, o que dirá?
Dirá que sabe o que não sabe
Tudo aquilo que jurou nunca dizer, dizer porquê? pra que?
Se perguntarem pra você
Se é com a empregada ou com a patroa, o que dirá?
Se tu lucrou com a vida boa, o que dirá?
Se vai mandar, se vai levar, se vai trazer
Se perguntarem pra você o que falar sobre si mesmo, o que dirá?
Dirá que sabe o que não sabe!
Tudo aquilo que jurou nunca dizer, porquê?
Você gosta de falar, falar, falar!
Então me diga sobre o que que você fala bem?”

A música 14 é “Festa”, a exemplo da música anterior, também trás o hibridismo característico do Charlie Brown Jr, os refrões com riffs mas pesados trazem:

“Hoje eu vou dar uma festa
Você vai ser meu convidado
Com mini-ramp, com gente decente
Sem Zé-Mané, sem pau-no-cú do lado
Hoje eu vou dar uma festa
Com muita erva, muita perva e muita cerva
Hoje eu vou dar uma festa
Cai na noite, manda bala
Mete a cara, tudo
fala Terça,
Quarta, Quinta-feira, na
doideira a
noite inteira
Você perde a
liberdade,
vira alvo da
cidade”

A faixa 14, “Escalas Tropicais”, traz participação especial da banda Lagoa 66, que surgiu no rock em 1986, criada pelos amigos Tadeu Patolla e Rogério Naccache, e leva esse nome devido a ser um endereço de Patolla na Vila Mariana, Rua Borges Lagoa 66. A caracteristica da música é a influencia direta do Lagoa 66 que traz um rock anos 80 que é misturado com o estilo debochado do Chorão e a ira punk do rock anos 90.

“Um lindo dia, céu azul e coisa e tal
Viajando no Eugênio na lagoa, na moral
Eu vou comendo a vontade, eu vou jogando carteado
Eu faço a boa no velho! Cá! coitado!
Tomo aulas de dança no salão
Eu me bronzeio no sol de verão
Sei que sereia é sereia
E que piranha é piranha
Mas no fundo da rede a gente sempre se engana”

E pra encerrar esse (puta) albúm de estreia, a última faixa, a de número 15, leva o nome da banda, “Charlie Brown Jr.”, a música mistura hardcore com os scratchs do rap, em mais uma letra autobiográfica de Chorão:

“Muita gente riu de mim
Quando eu disse que podia fazer o que quisesse da minha vida
Foram muitos anos de vivência
Muitos baldes de água fria na cabeça
Muitos goles a mais, alguns passos para trás
Só flagrando a cena
Eu aprendi o bastante pra poder sorrir
Pois ainda estou aqui, tentando conquistar o meu espaço
Com muito pouca condição
Mas a cabeça não abaixo
Sou Charlie Brown, cuzão!
(Tcharolladrão)
E o que tenho de bom é do melhor
Sou o que sou, sei porque sou
Aonde estou e o que quero
Sei com quem devo estar
E o que da vida espero
Tribo que não tem medo do perigo skatista
Vagabundo, batizado, favelado
Muitas vezes culpado sem ser julgado
Passei por isso, da vida sei o que espero, yeah
Deixe estar, que eu…que eu sigo em frente”


A estreia do Charlie Brown Jr teve destaque pelo fato do álbum Transpiração Continua e Prolongada ser de faixas curtas, terem peso e atitude e uma identidade própria, que não havia em outras bandas, por mais que o CBJR tenha como inspiração Planet Hemp, O Rappa, Raimundos, Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S/A (como a banda agradece no encarte ao Planet, Hemp Family e o MLSA) o estilo que a banda seguiu foi original e único. O álbum vendeu mais de 250 mil cópias e recebeu o prêmio de disco de platina.

Confira abaixo o disco na integra:


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