Entrevista com o Poder Bélico da Favela - #submundodosom

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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Entrevista com o Poder Bélico da Favela


Salve, o #SubmundoDoSom teve o prazer de trocar uma ideia com um dos grupos promissores da atualidade do rap nacional, o Poder Bélico da Favela, que tá com o sucesso "A Voz do Gueto Não Se Cala", que chegou com um time de peso com De Menos Crime e Consciência Humana, sendo uma das musicas mais tocadas no programa Espaço Rap, da rádio 105,FM, confere aí o papo com o Rod que falou sobre a presente e o futuro do grupo:

Submundo do Som - Quem é o Poder Bélico da Favela? Qual a correria do grupo?
Poder Bélico da Favela - O Grupo Poder Bélico da Favela é formado por três manos: eu, Vulgo Rod, Kaska e o Bruno Santos, o grupo está preparando um novo disco que em breve estará disponível para o mundo todo, está em fase de produção musical na mão dos maestros Dj Raffa e Pato Duck Jam.

Submundo do Som - Por que o grupo tem esse nome? Essa é a única formação que o grupo teve?
Poder Bélico da Favela -  O grupo tem esse nome para causar impacto mesmo aos olhos do sistema agressivo, rap de combate, mente engatilhada, indústria de ideias bélicas direcionada a todas as mazelas do sistema falido causador de toda diferença social, o nome é pesado por ser um Rap de Protesto, resistente. Sim essa é a única formação do grupo.

Submundo do Som - Quais as influências do grupo falando de rap? E fora do rap? O que inspira?
Poder Bélico da Favela – Com 14 anos, ou menos, eu já escutava o Racionais MC’s, Consciência Humana, De Menos Crime, Facção Central, Sistema Negro, Tribunal MC’s e muitos outros que já faziam barulho naquela época, nossa forte influência é o samba de Cartola, Nelson Cavaquinho, Beth Carvalho, Bezerra da Silva, Originais do Samba, N.W.A, Cyples Hill e muitos outros. A inspiração vem do dia a dia, mas eu adoro ficar admirando a lua de madrugada criando poesias, me inspira muito!

Submundo do Som - Como é que o Poder Bélico da Favela compõe? Qual a contribuição de cada um?
Poder Bélico da Favela – O grupo compõe com paciência, uma letra já chegou a demorar cinco meses para ficar pronta por exemplo, todos no grupo compõe, analisamos as ideias, o objetivo central, a mensagem a ser transmitida e aí criamos a rima.

Submundo do Som - Em 2014 o Grupo lançou o disco “Psicológico Engatilhado”, com 14 faixas (sendo uma remix), como foi o lançamento disco? O que o álbum representa pra banda?
Poder Bélico da Favela – Foi uma obra muito trabalhosa, minuciosa, nada foi fácil, seja pra lançar, na produção geral, musical e executiva independente, esse disco representa muito para o grupo, é o xodó, é como se fosse uma chave que abre as portas.

Submundo do Som - Como foi gravar “A Voz do Gueto Não se Cala” que teve um time de peso, com De Menos Crime e Consciência Humana? Fale um pouco do vídeo clipe dessa paulada.
Poder Bélico da Favela – Gravar a música A voz do Gueto Não Se Cala foi a realização de um sonho, tenho muita gratidão de ter tido a oportunidade de realizar esse trabalho juntamente com esses monstros do Rap Nacional, O clipe foi uma produção independente com a direção de João Leão e Victor Guerra para Bronca Filmes, gravado na zona leste de São Paulo parceria com Ignoto Grafite, Marcelo Zago LowHider e vários outros irmãos que ajudaram direta e indiretamente para a realização desse projeto, O vídeo está disponível no YouTube:

  
Submundo do Som - Os manos da banca DRR ainda fazem uma preza nas faixas “Na Bola dos Olhos Brilha” e “Organização Monstra”, comentem um pouco a relação com os caras.
Poder Bélico da Favela – Relação de uma amizade leal e verdadeira, conheci o Mago Abelha do De Menos Crime a muitos anos atrás tipo uns 15 anos, foi quando fundei o grupo Poder Bélico da Favela e trocando umas ideia com o Abelha eu pedi o apoio dele pra ajudar agente colocar esse trampo na rua e a resposta dele foi: “Rod Tamu junto até depois do fim!”, ele me levou para São Mateus e me apresentou a todos da Banca e hoje eu me considero da família.

Submundo do Som - O “Psicológico Engatilhado” vem recheado de participações, nesse disco além De Menos Crime, Consciência Humana e Facção Central, já citados, tem as participações de Bihel, Tribunal MC’s, Marrom, Rinea BV e Lauren o que podem falar desse time peso pesado?
Poder Bélico da Favela – Esse time é de pessoas iluminadas por Deus e muito talentosas, humildes e de bom coração, quero deixar aqui um forte abraço a todos esses guerreiros.

Submundo do Som - Quem assina a produção musical do “Psicológico Engatilhado” são o DJ Luiz Só Monstro, DJ Pantera, Marrom e Leo Souza, um time que produziu muita gente, como Consciência Humana, GOG, Edi Rock e Realidade Cruel  só pra citar alguns trampos do DJ Luiz Só Monstro, como foi ser produzido por esses ícones do rap?
Poder Bélico da Favela – Trabalhar com esses caras foi um grande aprendizado cultural, são excelentes profissionais e grandes amigos.

Submundo do Som - Qual a parada mais foda que tiveram que enfrentar nessa caminhada?
Poder Bélico da Favela –  É sempre tudo muito difícil quando você mora em um bairro da periferia afastado da cidade e sua estrutura financeira é pouca, chegamos a tirar dinheiro de dentro da nossa casa para conseguir gravar o CD, muitas vezes participamos de eventos comunitários chegamos a passar fome, sem dinheiro pro busão passando por de baixo da catraca e tantas outras dificuldades do dia a dia.

Submundo do Som - E quais os sonhos que o grupo tem pra viver na carreira?
Poder Bélico da Favela – O sonho do grupo é que a nossa mensagem chegue aos quatro cantos do mundo e que seja absorvida todo conteúdo que expressamos em nossas músicas.

Submundo do Som - Como é Fazer Rap no Itaim Paulista? Como é a cena aí na Zona Leste?
Poder Bélico da Favela – Como em qualquer bairro da periferia afastado da cidade, no Itaim Paulista as dificuldades não são diferentes, aqui no bairro temos Fabrica de Cultura e CEUs porém a burocracia é grande quando se fala em rap, então nos unimos e com o apoio da comunidade fazemos nossos próprios eventos na favela abrindo espaço para vários grupos que estão no anonimato.

Submundo do Som - Como a família vê o trabalho do grupo? Apoiam a missão?
Poder Bélico da Favela – A família é nossa fortaleza, com certeza sempre acreditaram e apoiaram

Submundo do Som - Por que fazer rap? Por que ter um grupo? Foi um sonho de moleque?
Poder Bélico da Favela – Fazer rap foi a necessidade de poder expressar meus sentimentos tudo aquilo que eu sentia no coração, formamos o grupo pela nossa identificação e história de vida que é bem parecida, o grupo é unido e forte e com certeza é um sonho de moleque, iniciei aos 13 anos de idade.

Submundo do Som - Qual a fida mais marcante que vocês viveram como grupo Poder Bélico da Favela?
Poder Bélico da Favela – O mais marcante para o grupo na minha visão foi ter cantado em um show na quadra da Gaviões da Fiel em um evento feito em homenagem aos manos do Pavilhão Nove mortos em uma chacina em São Paulo, todos os familiares estavam presentes no evento, foi muito emocionante

Submundo do Som - Chegamos em 2017, e são muitos os avanços tecnológicos na música, na produção de discos e vídeo clipes, em divulgação e comunicação, com isso tudo, vocês sentem que o rap está mais forte hoje em dia?
Poder Bélico da Favela – Tudo isso na minha visão permitiu sim que o rap se torna-se mais forte do que era, quem é das antiga sabe que o rap passou por momentos difíceis por conta desse progresso tecnológico, mas soube dar a volta por cima e hoje com as redes sociais você consegue percebe a quantidade de pessoas que gostam, seguem e são adeptos do movimento Hip Hop.

Submundo do Som - Como vocês veem o rap hoje em dia? É diferente fazer rap hoje do que era fazer nos anos 90?
Poder Bélico da Favela – A dificuldades ainda são as mesmas, nos anos 90 ainda não tinha internet, pode ser quer era até mais difícil, hoje em dia a cena tá pesada, uns falam de amor outros relatam o dia a dia no gueto, na minha opinião estamos em um momento positivo.

Submundo do Som - O que o Poder Bélico da Favela pensa sobre as letras de rap? Tem espaço para tudo e todos no dia de hoje? O som de protesto ficou nos anos 90? Ou é necessário seguir na linha da denúncia?
Poder Bélico da Favela – Não, não ficou nos anos 90, porque toda a patifaria que causa danos irreparáveis ao nosso povo prosseguiu nos anos 2000, ainda é necessário sim seguir essa linhagem.

Submundo do Som - E falar de rap, principalmente das denúncias do estilo old school, que é como vejo o som do Poder Bélico da Favela, é como falar de política, o que o grupo pensa? Como vocês vêm esse momento político que vive o Brasil?
Poder Bélico da Favela – Creio eu que um dos momentos mais complicados dos últimos anos, com tantos desvios dos cofres públicos, educação e saúde indo para o bolso dos políticos mal-intencionados, tudo que aconteceu nos últimos anos nos revela a falta de compaixão para com o povo brasileiro. A política está em tudo, precisamos nos informa mais sobre o assunto e sobre nossos direitos como cidadão.

Submundo do Som - E a velha treta da relação RAP Vs TV? Como vocês encaram isso?
Poder Bélico da Favela – Na minha opinião isso é uma questão de ideologia, não quer dizer que o rap é proibido de ir na TV, se você reparar existe grupos de rap que sempre cantaram isso mas acabaram indo na emissora, se haver convite com certeza o Poder Bélico da Favela vai lá cantar e denunciar tudo que a de errado nessa sociedade, na nossa visão é uma maneira de invadir o sistema.

Submundo do Som - Quem faz música, de modo geral, mas falando do rap, vive pelo rap, mas e aí? É possível viver do rap? Financeiramente falando?
Poder Bélico da Favela – Para depender financeiramente em qualquer seguimento é necessário fazer sempre um bom trabalho, existem grupos e rappers que conseguem se manter financeiramente do rap, nos ainda não chegamos nesse patamar, eu faço rap por amor e chegar a esse nível é uma consequência.

Submundo do Som - Como os integrantes enxergam o atual momento do grupo, com música no Espaço Rap, da 105,1 FM, participação na Virada Cultural de Sampa, vídeo clipes, e tudo mais?
Poder Bélico da Favela – Enxergam como uma grande vitória, frutos colhidos de uma arvore de muito trabalho e seriedade.

Submundo do Som - E o que Poder Bélico da Favela prepara de novo? Quais as novidades que vem por aí?
Poder Bélico da Favela – Estamos gravando já o próximo disco, estamos na etapa de escrita, pesquisa e produção musical. A produção desse novo trabalho está sendo assinada pelo Dj Raffa de Brasilia e o Duck Jam, dois mestres que já fizeram muito pelo Rap Nacional, dois maestros. Algumas participações fechadas como Kid Nice Sistema Negro, Frann Tribunal MC’s, Cachorrão Conexão do Morro, time de becking vocal Marrom, Smith e Bihel, a previsão é esse ano ainda o disco em todas as lojas especializadas.

Submundo do Som - Pra quem curte o trampo do grupo, que mensagem vocês deixam para os manos?
Poder Bélico da Favela – Quero agradecer de coração a todos os manos e minas espalhados pelos quatro cantos do Brasil, obrigado pelo apoio e pelo carinho e por acreditarem no nosso trampo, sonhar nunca é demais, sempre em busca dos objetivos.

Submundo do Som - E pra quem quiser falar com o Poder Bélico da Favela? Quais são os canais?
Poder Bélico da Favela – Contatos para shows – 11 971485039 – rodrigoboletti@hotmail.com – no Facebook, Instagran, Youtube, Twitter, Palco Mp3 -> PODER BÉLICO DA FAVELA.

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