O Fantástico Mundo Popular do Sombra - #submundodosom

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

O Fantástico Mundo Popular do Sombra


Em 2003 o MC Sombra, que já colou no SNJ, lança seu segundo disco solo: O Fantastico Mundo Popular, que dá sequencia ao seu trampo logo depois do “Sem Sombra de Dúvidas”, o disco foi produzido por Marcelo Cabral e Daniel Bozzio e gravado no estúdio Fine Tuning, uma realização do coletivo Matilha Cultural.

O disco abre com “RAP do Brasil” com beat pesado e levada fantástica do Sombra, a batida é mutante, saindo do aspecto sombrio e deixando o som dançante, e finalizando com o mesmo peso que iniciou:

“Eí nego véio, paz me diz como é que vai
Manda abraço pra família pra quebrada e pros demais
No mais, há algo contagiante
Viva e deixe viver, bem melhor assim
Sobrevoar longínquas distâncias
Agradeço ao pai eterno aonde o rap me levou
Ahh…. Quanto tempo faz,
Ja faz muito tempo desde a última década de novescentos”

A Faixa seguinte é a “Movimente-se”, que como o próprio nome sugere é uma faixa bem pra cima, com os BPM acelerado, com refrão que lembra o funk carioca, num som pra falar dos moleque doido dos bailes:

“Sagaz sem velocímetro na pista, cronômetro com passo a passo aonde os pés habita
Borá, ora bolas girando conforme rotação e translação
Muita coisa acontece neste ciclo nesse ciclo muita coisa acontece não é à toa
Oi pra que sofrer sem dores, vamos plantar árvores
Semeia bondade na terra pra que possamos colher pé de amores”

Música 03 é a criativa e inusitada “Piada cabeluda”, onde o Sombra quebra todo e qualquer protocolo do rap e vem rimar sobre um cabelo cumprido:

“ Não tem pra calvície não tem pra careca do idoso
Penteado style louco é o do palhaço Bozo
Lava, esfrega e puxa usou como cabelo
Então a vassoura da bruxa
Que todos os contadores de piada nos acuda
Cadê o faz-me-rir com uma piada cabeluda
Peruca com óculos tem gente que usa
Quero ver fazer implante de cabelo na cabeça da Medusa”

Próxima música é o “Noticiário estéreo”, Sombraman vem numa faixa com os BPM lá em cima, naquele flow característico, num misto de ragga e funk miame base numa faixa que cita os problemas cotidianos, principlamente com o meio ambiente, e que saem nos noticiários:

“Me digue, me explique direito, bem melhor assim man
Vou questionar os demais operacionais ítens
Todas as atenções, algo me tirou do sério, manchete divulgada no noticiário estéreo
Todo um porquê, um critério, o que os homosapiens fazem lá no ministério
Uh trelelê tralalá, deixe estar, no breque só não pode capotá

O “Melô do doidão” é a faixa cinco, com beat mais lento, mas que alterna para um funk, enquanto que o MC Sombra mantém a levada acelerada:

“Deu a louca no rapaz errou o caminho quando olhou pra trás
Aviação canela no pique demorô um transeunte praticante e tudo mais
Ele diz que é um dos meus ele diz que é um dos seus
Não dá viajem perdida não procura o que não perdeu
Paciência, paciência o processo do menino é muito lento
Hei! Deixe me ver é o seguinte meu caro elementar o beat pede um swing
No pega de lá chega pra cá, chama a dama pra bailar
Teta com mamilo, mamilo com teta gruda no rosto dela e vira a aba da bombeta”

Seguindo o disco temos “Baque na Molera”, Sombra vem descontraÍdo pra falar de um assunto sério, as drogas, sejam elas quais forem, numa batida deliciosa de se ouvir, numa letra bem escrita seguindo uma métrica de 4 versos por estrofe:

“Tá com o vírus do baque tá ruim da cabeça
Diagnóstico do menino, uma pá de coisera
Raciocínio lento, acusou a despinguelera
Vish ! Huuu ! baque na molera
Surtou na bula, mexeu com o psico do rapaz
Baque na molera
Tomou até um anti-baque, tomou demais
É baque na molera pode pá”

Rapadura Xique Xico chega junto com o Sombra para “Chuva de gente estranha”, numa mistura de rap e xote, para falar do que é gente estranha:

“[Sombra] Se um somos todos, então todos somos um
Homens trabalhando, porém algo em comum
Rap regional cheio de ziriguidum
Música, diplomacia, trâmite no mercosul
Mas os minino é repente é rap embolado
Oxente é o Brasil lado a lado

[Rapadura] O cabra não fala inglês e dizem que sou abestado
Pois não tenho um atestado e só falo nordestinês
O role dai … o rale dei
Ta ralendo … rela lá atrás
A barrela já ta demais é um vai e vem que nunca acaba
É uns que sobra outros desaba
E o que foi não volta mais”

Na próxima música, Sombra fala sobre os camelos em “Cambalacho Mutreta”, mantendo o bom o humor, principalmente na intro da faixa “Relógio do MC Sombra, é sombralógio”, saca só:

“Propina pra pagar, quem tem se mantém
Só estou com alguns contos, no bolso porém
Vi meu CD pirata, antes mesmo de sair da fábrica
Eu zangado, injuriado com um tapa olho na cara
Certo pelo certo, errado pelo errado
No proceder com o vendedor pra ele ficou embaçado
Dinheiro é muito bom, dignidade também
Lutar pela verdade faz parte do bem
A justiça tarda mais não falha
Só estou com alguns conto no bolso
Porém, mano na cidade olha quanta gente”

A faixa 09 é a “Mano Eu Vou Ali Comprar Um Chá — Parte 2”, que trás participações de Rael e Jorge Du Peixe, do Nação Zumbi, num instrumental pesado que trás um reggae e flow que te faz viajar, de todos os envolvidos:

“[Sombra] Hoje tem jogo, tem um chá
As criança tá na casa
Só pipoca com guaraná.
Conectei, liguei os loco
Vamo prá um outro barraco
Vê o jogo tomá um chá

[Rael] E chá, chá, chá mate
Cho, cho, chocolate
Pode deixar, minha parte
Eu me sirvo à la carte
O mano, ja foi buscar ali u
Sombra que me falou
Vamo fazer o chá dois
Eu disse, demorô, sô rasante louco também,
São várias conexão
O mano que foi já vem
Trazendo um chá du bom

[Jorge Du Peixe] Vou agora prepará, um vôo a base de chá
O chá vai esquenta
Festa com chá verdim du bom
Clareando a cor, o tom e o som
Foi ali e voltou, brasa de mão em mão
Fumaça saindo pelos poros dessa maloqueira comunhão
Um parque de diverções na cabeça
Pra que você não esqueça”

Fechando o disco, a faixa 10 é “O Homem sem Face”, que deixa o clima mais tenso, numa letra que fala sobre pessoas que se passam por outras, até que a mascara cai, destaque para o marcante refrão e o fantástico flow do Sombra:

“Menino bom disciplinado leva multa
A cara é parecida com a do outro e não oculta
Sigilosa linha os araponga na escuta
Quando foram ver o rapaz era de boa conduta
Esquizofrênicos, bipolares são vários, são várias faces
Tem os que mete o louco e já saca dos disfarce
A oposição, o boicote, o impasse
Gerado por ideias do fruto de um multifaces”


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