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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A música brasileira sempre traz a mescla de sonoridade, e disco “Duas Cidades” do grupo de Salvador, vem para comprovar e trazer uma experiência única para o ouvinte.

Dessa mistura nordestina e jamaicana vem o Baiana System, que do Caribe trás as influências dos Sound System, Dub, Raggamurphin e Reggae, e da Bahia vem os Blocos Afro, o Afoxé, o Samba Reggae, Ijexá, Pagode e a guitarra baiana, inventada na Bahia em 1940 por Dodô e Osmar.

Russo Passapusso vem no vocal, Roberto Barreto, fundador da banda, vem na guitarra e Sekobass no baixo, sample e programações. O disco tem produção musical do mestre Daniel Ganjaman e as participações de SibaMárcio Victor, “Duas Cidades” reforça o engajamento social e a identidade cultural do Baiana System.

A faixa de que abre o disco é “Jah Jah Revolta, pt II”, e vem como um cartão de visita para a pegada do álbum, graves, sample’s, guitarra baiana, e letra de forte cunho social:

“Quem com ferro fere, com ferro será ferido
Tire toda pedra do caminho do indivíduo
Nada vai passar por cima de quem corre atrás
Nada vai passar por cima
Deus sabe o que faz”

Em seguida a música “Bala na Agulha”, que vem mais agitada e pulsante, também com conteúdo lírico e político, e também dançante ao mesmo tempo que é um grito de desabafo:

“Dignidade em primeiro lugar
Dignidade é poder trabalhar
Digno de dignidade
Dignidade é poder trabalhar”
A terceira faixa é “Lucro: Descomprimido", música dançante ao estilo cúmbia, parceria de Russo Passapusso com o compositor e multiinstrumentista argentino Mintcho Garrammone, com letra que fala sobre a devastação em nome do lucro:

“Tire as construções da minha praia
Não consigo respirar
As meninas de mini saia
Não conseguem respirar
Especulação imobiliária
E o petróleo em alto mar
Subiu o prédio eu ouço vaia”

O disco segue com a música instrumental “Mercado”, que exaltam a guitarra baiana. A faixa cinco é “Duas Cidades”, que dá nome ao álbum, em alusão a Salvador, os extremos da cidade, pobre e rico, trabalhador e festivo, cidade alta e cidade baixa e etc:

“Já na descida e não sabe descer dançando
Sabe subir na vida e não sabe subir sambando
Chega saudade, saudade sai bagunçando
E quando sai da cidade xô falar pra você”

A música seis é “Playsson”, que compôs a trilha sonora do FIFA 2016, da EA Sports, única música brasileira no game. A mistura de ritmos traz uma energia singular para a faixa que tem participação de Márcio Victor:

“Playsom, playback
Já ouviu aperta o REC
A.ma.ssa é o pagodão
Que gruda mais que chi(clete)
Que corta mais que gi(lete)
Então escute pi(vete)
Hoje não tem cani(vete)
É serpentina e con(fete)”


Dia de Caça” traz uma referência ao carimbó com um instrumental que finaliza a faixa, com letra sobre os dias de lutas e dias de glória:

“Sem grana há uma semana, mas não vou atolar
Pedir permissão pra chamã Aiatolah
Deixa pra lá, deixa a queixa pra lá
Seleção é natural
Peneirou, peneirar”

A música oito é o instrumental “Cigano”, com a participação de Siba, e é daquelas que tiram o pessoal do cômodo e faz dançar. “Panela”, é a música seguinte que traz "As Ganhadeiras de Itapuã" num manifesto sobre as comunidades baianas mais humildes, que tem a comida e a música como principais patrimônios para preservar:

“Meio dia Panela no fogo
Barriga vazia
Macaco torrado
Passinha Maria
Vai subindo a ladeira
Segurando a panela
A panela é pesada
Põe a mão na cadeira”

A track seguinte é “Calamatraca” que mistura a Bahia com a Jamaica num ragga com speed flow, e refrão puxado para o forró:

“O batuque toca
A pipoca é pouco
É pipoco, é soco na cara
Sinuca de bico
Nego paga o mico
Que solta a macaca
Que calamatraca”
Barra Avenida, parte 2", que traz influências de música africana que mescla com os ritmos do processo de experimentação nos shows do BaianaSystem com elementos eletrônicos, dub, sambareggae e sound system jamaicano, numa letra que fala sobre essa experiência:

“Em Kalakuta, Fela Kuti encantava
Efeito catapulta
Minha memória não trava
A gente sem dinheiro
Mas a gente juntava
A gente sem dinheiro
Mas a gente junta”

Encerrando o disco o instrumental “Azul”, um hino que diminui os BPM de forma bem harmônica.

O Baiana System vem como uma sequência da alquimia de Chico Science, num pós-manguebeat, a mistura da música regional do norte e nordeste como o carimbó, cocô, o canto das lavadeiras, como trio elétrico e o axé e ritmos de fora como o Hip Hop, Reggae e Dancehall, somados a guitarra baiana fazem que o som experimental, que foi provado e aprovado nos shows do grupo, um belíssimo trabalho que resultou no álbum Duas Cidades, e nos traz ansiedade sobre o mais os maluco vão nos apresentar?

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