Antes Durante Depois - Pavilhão 9 - #submundodosom

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sábado, 11 de novembro de 2017

Antes Durante Depois - Pavilhão 9

Depois de 11 anos o Pavilhão 9 retorna, com DozeRhossi e uma rapaziada nova, porém com muita experiência: Leco Canali, (ex-Tolerância Zero), na bateria, Heitor Gomes, (ex-Charlie Brown Jr) no baixo e Rafael Bombeck Freiria, na guitarra, além dos scratchs do DJ MF.

A produção do disco ficou a cargo de David Krotoszynski e do Pailhão 9, no estúdio DNAudio, com base produzida por DJ Nave Beatz. O disco foi lançado pela Deckdisc e tem quase 30 minutos de porrada sonora no velho estilo de rap mais hardcore, ou rapcore, ou ainda quem chame de rap metal. Mas o Pavilhão é uma daquelas bandas que não se rotula, as letras seguem a mesma vertente dos últimos trabalhos da banda, o descaso com a periferia, a patifaria da classe política e a denuncia contra a policia assassina.

O disco abre com “Antes Durante Depois”, faixa que dá nome ao disco, como peso nos instrumentos e scratchs logo de cara, a música é o cartão de visita do álbum, que traça a trajetória da banda:

“Antes Durante Depois/O que mudou tudo ou nada/Vou caminhando sem deixar uma pegada/Antes Durante Depois/ Nossa família é sagrada/ Vou liquidando culpando quem deu mancada/ Antes Durante Depois/ Durante toda etapa/ Vou conquistando jogando ganhando de virada”.

Seguindo temos a faixa “Tudo Por Dinheiro” música de trabalho do disco, traz uma bateria pulsante e ótima dobradinha entre guitarra e baixo que mantém o mesmo protagonismo na track, enquanto que a letra fala do que geral faz tudo para se manter montado na grana:

“Dinheiro faz dinheiro, mas não compra a paz/ Se é falso ou verdadeiro tão querendo mais/ Bens materiais se sentem sagaz/ Acelera o opalão só gastando o gás/ De todas as cores de todos os países/ Bolsa de valores uma nova crise/ Guerra e terror tomam as marquises”.

A música três é “Acredita Não Dúvida” tem um vocal mais rap, mas os instrumentos ainda batem pesado, temos viradas incríveis de bateria e riff de guitarra estável, como os clássicos do rapcore, a letra, como o nome sugere, diz para acreditar que a luta não é em vão:

“Caminhando escutando/ Observando o bando/ Nossa vida na mira até quando/ O confronto não é brando/ Estão reivindicando/ Tem muitos passando o pano/ Acredita, não dúvida/ Todos na mira no muro a escrita”.

Na faixa “Número 1”, com o baixo protagonizando a levada e a guitarra entrando incidentalmente durante o tempo normal de música, no refrão a bateria bate mais alta e a guitarra ganha a cena, a letra fala de como ser o “número 1”, ser um vencedor e provar que a periferia é capaz:

“Mostre como é que se faz/ Prove que você é capaz/ E sem problema algum/ O vencedor número 1!”

Já na track “Pesadelo Gangsta”, inicia com latidos de cães, numa atmosfera que parece ser noturna, e aqui o estilo é o rap, que mescla boombap com trap, porém de forma orgânica, é possível notar a presença do baixo no compasso e a guitarra fazendo seu feat:

“De mili anos no bang presenciamos a cena/ O efeito é bumerangue trago de volta o tema/ Não é cena de cinema/ Se livrando de algema/ Walkie tolkie na escuta nada disso não muda/ Cada um com a sua loucura, não aturo filha da puta”.
A música seguinte é “Ideia Quente”, volta a pegada do rock n’ roll, com dobradinha no vocal entre Rhossi e Doze, o refrão vem recheado de scratchs do DJ MF, com colagens do Sabotage, a música fala da ideia quente do Pavilhão, que tá na estrada a uma cara e que pavimentou a estrada que muitos passam hoje, destaque para o solo de guitarra no final:

“É quente/ Pra frente não quer que a gente anda/ É quente/ A banca aqui não joga na retranca/ É quente/ Só quem pode por aqui comanda/ É quente/ É quente”.

A música sete é “Os Guerreiros”, que começa no peso do riff da guitarra, até Doze assumir o vocal rap, e a música tornar-se um boombap com bateria e guitarra e melodia também feita pela guita, o baixo de Heitor não passa despercebido, a letra fala da resistência, do trabalho e de como o Pavilhão escreveu sua história:

“Não vim da fama/ Vim da lama/ E tô vestido/ Porta, barreira, muralha, conflito/ Sobrevivi e sobrevivo como se fosse o último dia/ Vejo na educação a saída/ E quem dúvida? Não cola, não arrasta, não contraria”

A faixa oito é “Boca Fechada” é uma música que fala sobre a corrupção, o enriquecimento ilícito por parte da classe política e sobre as delações que viram piada enquanto a policia nada faz com esses corruptos e segue a perseguição com moradores de favela, com destaque para o verso d’O Rappa “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.

“Estão guardando segredo/ Estão fazendo silêncio/ Estão fingindo não vendo/ Boca fechada”.

Isto Não Para” é a versão em português da música “Esto No Para” do rapper espanhol Kase.O, vulgo de Javier Ibarra Ramos, que compões o grupo Violadores del Verso. A música do P9 vem como uma homenagem para a América Latina e toda essa situação dos refugiados ao redor do mundo, aqui o Pavilhão pôs o peso da guitarra em sua versão:

“Isso Não/ Isso Não/ Isso Não Para porque nada não para/ E se nada não para/ Porque nada se para/ E se nada se para/ Porque nada não para/ E se nada não para/ Nada eu disse nada/ Prepara minha rima aqui não falha”.
E fechando o disco, a faixa “Na Malandragem” é um rap, boombap, com baixo orgânico, tocado Heitor Gomes, e finaliza o álbum “Antes Durante Depois” com os BPM mais baixos, numa pegada mais relax, onde Rhossi e Doze rimam sobre a malandragem:

“Vou procurando e vou achando e o progresso fluindo/ Quem é malandro se jogo/ E quem não é vai caindo/ A ladeira subindo, da viatura fugindo/ O momento é intenso, gente indo e vindo, vou seguindo”.

O disco é tiro curto, menos de 30 minutos de paulada, mas em tempos de tudo tão imediato é o esquema para passar as mensagens de maneira rápida e direta, mas se engana se pensa que por ser rápido o disco é simples, ou de baixo teor da essência do “Pavilhão 9”, pois segue o mesmo peso dos outros trabalhos, porém com uma roupagem P9 2107.

O disco também coloca a boca no trombone contra a corrupção e violência policial, como raiz dos anos 90, temas que muitos grupos e bandas estão se esquecendo nas suas letras nos dias de hoje., infelizmente esses temas estão mais comuns hoje do que nos anos 90, e assim o Pavilhão 9 traz sua pedrada musical para o público já consolidado mas abre espaço para arrecadar novos fãs, já que a estética desse novo álbum é pensada, também, para essa nova geração.
 Confira, também, a entrevista que o Submundo do Som fez com a banda Pavilhão 9, clique aqui.

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