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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

De Ponta a Ponta com Mr. Bomba


Em 2012 Bomba aproveita uma pausa com o SP Funk para lançar seu disco solo "De Ponta a Ponta", mostrando uma musicalidade um pouco diferente do seu grupo, há quem diga que é um comercial, vale a pena lembrar duas coisas: O SP Funk sempre foi na contramão do rap gangstar, levando a bandeira do underground (O Lado B do Hip Hop) e talvez uma música "Biriri", que é o pivô para tais afirmações, com letra simplória e sem protesto ou denuncia, ou mesmo uma lirica Afiada, é uma canção que remete ao inicio do rap no Brasil, nos anos 80, e vem na mesma vibe de "Melô da Chic Show" e "Melô da Lagartixa" do NDee Naldinho, na época com o nome de Ndee Rap ou " Nome de Meninas "do Pepeu, trata-se de um resgate ao rap inicial, mais ingênuo e dançante, como parte de cultura periférica dos anos de 1980.

A musicalidade de Bomba passa pelo R & B, com pitadas do Miami Base além é claro do rap alternativo que pulsa em sua veia, fazendo com que o rapper apresente um disco bem original e com uma estética singular que remete a sua personalidade. Em entrevista Sr. Bomba comenta:

"O disco não é todo dançante, tem minhas viagens de base, o que eu gosto de fazer. Chama Sr. Bomba De Ponta A Ponta, porque sou eu que tô fazendo tudo. Fiz várias músicas, várias produções, pra pra até chegar ao disco. Várias ficaram de foros"

O disco foi distribuído junto com a revista Soma 21 , e tem 17 faixas sem estalo para tocar nas rádios e programas de TV, a primeira faixa é "Gêneses" que tem participação de Coral Kadoshi e tem uma pegada do SP Funk: "Do Gêneses ao bis, posso me prender, mas só Deus é meu juiz!"

A música dois é "Boa Noite", que chega mais dançante em beats mais eletrônicos: "Todo mundo que ta do lado direito, na boca do gargalo, fundão, lado esquerdo, um salve pro DJ, um salve pra todo mundo na festa, porque treta não interessa!". Seguindo, uma música três é "Me Faz Bem" que mescla o R&B e o rap num canção amor como manda o refrão : "Ela me faz sorrir, ela me faz pensar, tudo que eu quero e declarar, ela me faz sorrir ela me faz bem!". A canção quatro é uma famosa "Biriri" que falamos a cima, uma curiosidade a respeito dessa música, é que "biriri" é uma gíria para celular nos presídios.


Seguindo o disco, na faixa 5, Bomba se aproxima do trap não "Falo Memo", mas passa a sua mensagem: "Não podemos mais ver o meu povo sofrer, tanta violência, assim tudo pra quê?". MC Jota participa da fixa "Te Levar" uma música linda bem swuingada numa pegada mais praiera em clima de boas vibrações: "Eu vou televar (Oh-oh), como as vezes eu me sinto assim, querendo fugir, olhando o horizonte sem saber pra onde ir ..."

"Carolina" vem naquela pegada que mistura reggaton com musica eletrônica e lembra de Pepeu eu "Nome de Meninas": "Rute, Carolina, Bete e Josefina pode juntar todas as que não tem pra aquela mina!". O próximo hit é "Não Rouba a Brisa", que traz uma musicalidade dos raps radiofônicos do das final dos anos 2000: "Um amigo me deu uma semente pra eu plantar, disse deixa ela no sol só não deixa de regar , uma coisa mais linda para ela ela crescer, seis meses depois bons frutos colher ...". Em "Quase Lá" Bomba narra sua trajetória, em outro som que lembra os trampos do SP: "Com mais de 30 anos sem curso superior, sem dinheiro sem banco mas rico de amor!".

Jessica Melo chega junto de Bomba para uma faixa 10 "Melhor Assim", uma música amor queima de narcótico com um romance, com um fluxo mais acelerado: "Você confessou que não é tava mais enviada por amor, que era tanta briga que você cansou, você dançou!". A faixa 11 "Vou Dizer" é um rap de superação e sonhos, com um toque nostálgico e introspectivo, que momentos lembra "Mas Que Linda Estás" do Black Juniors, de quem Bomba é fã: "A benção minha mãe, a benção meu pai, mas minha vida, isso mesmo, não tem jeito mais". Na faixa 12, MC Sombra chega pesado ajudando a mudar o clima em "Lojinha", que fala dos comércios populares de imigrantes em São Paulo, em uma faixa que lembra muito o rock dos anos 90 que mistura, hip hop, reggae e hardcore , música dançante: "Obrigado volte sempre, seja homem ou mulher, peraí que eu vou ver ali o que freguesia quer".

"Minha Música" chega com scratchs e salples RZO em "O Trem" e o velho boom bap, Bomba vem trazendo todas as suas referências: "Nesse caminho eu tô, e preciso para, qualquer lugar, que eu me levar eu, na Volte para o mundo de origem, na volta ao mundo, você está de acordo com a minha música!". "Hora do Show" é uma faixa 14, vem com auto tune e batida atípica em menos BPM: "Primeiro você escreve e grava o CD, uma fabrica produz e loja bota pra vender, se o som é muito loko, o DJ vai tocar como mãos se levantam tem tudo pra estourar". Música 15 é "Evolução" com participação do Criolo, na época ainda como Criolo Doido, também de Tio Fresh e Sombra. Criolo lembra o flow da época do "Ainda Há Tempo", e Sombra num flow mais cantado, mas Tio Fresh rouba a cena: "Pode contar com os meus versos se você quer mudar, eu pego o odio dos outros e transformo em nome!"

MC Jota retorna para mais um feat , uma vez na faixa "Mais Uma Noite", com beats song love porem relatando o amor como festas, e com a presença do R&B: "No relógio já é onze e meia, não importa a noite, é Lua cheia, qual vai ser, eu vou te dizer, todo mundo quer saber o que você tem pra fazer (o que?) quem quiser dançar, quem quiser sair, pra quem tem, quem não tem dinheiro, tem pra quem quiser, mas Onde está o tema sem medo.". Fechando o disco uma faixa "Makumba" mais dançante lembrando o ritmo de Kuduro, e falando sobre a afastar da urucubaca: "Eu carrego meu batua, sai ziquezeira sai, sai ziquezeira sai. Sai urucubaca sai !!!"

Marcelo Mendonça de Menezes, o Mr. Bomba traz uma discografia diferente e ao mesmo nível para o rap, mesmo não sendo tão marcante na data de seu lançamento, mas que trouxe novos rumos para o rap nacional. Um trabalho autêntico e de muita coragem para um publico conservado, quando o assunto é produção artística.

O trabalho sem duvidas é diferente do SP Funk, mas não tão distante assim, a missão de Mr Bomba é de teletransportar para um universo paralelo onde tudo é mais dançante, mas também é levado a sério, os beats são diferentes, mas ainda é rap o que sai das caixas, e essa missão Bomba concluiu com exito.

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