De Menos Crime Na Sua Mai Perfeita Ignorância - #submundodosom

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sexta-feira, 9 de março de 2018

De Menos Crime Na Sua Mai Perfeita Ignorância


O De Menos Crime lançou em 1995 seu primeiro trabalho, o disco Na Sua Mais perfeita Ignorância, o grupo de rap  de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, foi criado  em 1987, sua formação original consistia em Marcelo Pereira (Lerap), Ricardo Ferreira (Mago Abelha) e Mikimba (Jeferson Damasceno), além do DJ Vlad.

O disco foi lançado pela Kaskata's records e possui 9 faixas, no melhor estilo gangsta rap, narrando sobre o cotidiano na periferia, a violência policial  e  como bater de frente com o sistema, porém com instrumental ainda não tão lapidado como os de hoje em dia, levando aquele essência da fase inicial do hip hop no Brasil.

O disco abre com a faixa "Intro Do Som", um instrumental que antecede a bate cabeça "Somos De Menos Crime", que chama a atenção não somente pelo beat, que é mais agressivo, mas pela levada que é impressionante dedo na ferida, chegando com os dois pés no peito, mas que se alterna, deixando em momentos um flow mais suave. A letra que

"Somos De Menos Crime o grupo do momento;
Cantamos a verdade sem ter medo de ninguém;
Os incomodado que se danem, para os limitados que se fodam."

Na faixa três, a música "Policiais",  que teve o clipe vinculado na MTV, figurando entre os cinco melhores de rap no MTV Awards de 1997. Nessa faixa o baixo utilizado foi prozudido pelo DJ Hum. A letra aborda a violência e má conduta policial:

"Policiais;
Por trás desse nome se escondem os piores marginais;
Que dizem proteger a lei e honrar a Pátria;
Mas na verdade não passam de uns grandes canalhas;

"Domindo Sangrento" é a faixa quatro, e talves a mais orgânica do álbum, com bateria tocada pelo DJ Luciano, trumpet pelo Serginho, guitarra por Zeca e baixo pelo DJ Hum. A letrafala de um tema comum nas perfiferias, as chacinas promovidas por policiais que sobem o morro fortemente armados e o despreparo faz com inúmeros inocentes paguem com a vida.

"Maldito o Domingo Sangrento".
Dia jamais, jamais, dia jamais, jamais;
Dia jamais, jamais esquecido;
Naquele bairro, há Bairro São Mateus;
Bairro nosso, bairro nosso, bairro, bairro nosso;
Os bate-latas foram chamados;
Todos eles fortemente armados;
Mas o caos, o caos estava por vir então;
Ouço dizer "o barraco dos manos foi invadido".

A música cinco é a "Foram Mortos", que teve teclados tocados pelo GrandMaster Duda.Resultando em uma das faixas mais tensas do disco, com piano marcando pesado e letra densa que denuncia a brutalidade nas periferias com acertos de contas, o refrão vem cabuloso para lembrar o quão sinistra é uma chacina.

"Cidadãos brasileiros com moral e mente dignas;
Andam com o medo estampado em suas faces;
E cabreiros por algum momento vieram-se abatidos;
Mas De Menos Crime é colírio nos ouvidos;
Para aqueles cretinos que a verdade dói"

A Faixa 6 é instrumental, e prega uma homenagem como o próprio titulo sugere: "Por Respeito Momento de Silêncio". Já a faixa 7 é "Burguesia", um dos clássicos do De Menos Crime, ganhando uma nova vida no disco De São Matheus Pra Vida, do ano de 1998, novamente com teclados feitos pelo GrandMaster Duda, a música fala sobre os privilegios das classes dominantes que acaba subtraindo e oprimindo aqueles que menos tem, num rap de raiz, com protesto e denuncia, um hino em muitas quebradas:

"A minha voz não calo, não sou otário, burguesia do caralho;
Sem medo eu falo a podridão domina o seu ciclo;
Seu estilo de vida pra mim fede;
Você abafa, despreza a plebe;
Mas no seu interior a pobreza te fere;
Você propôs a pena-de-morte;
Mais um de seus esquemas para acabar com os pobres;
Mas minha gente é forte e supera seus cortes;
Vocês produzem a miséria;
E nos impedem de chegar á nível social;
Enquanto minha gente se quebra e requebra;
Para se pôr o pão na mesa, sua lixeira transborda alimentos;
Não é sua fartura que me incomoda;
E sim a sua hipocrisia é que me sufoca, burguesia idiota"

Na penúltima faixa temos "Parasitas", onde o grupo apresenta outro grupo o Potencial 3, e novamente segue com os teclados de GradMaster Duda, em mais um rap no estilo "bate-vabeça" com beat e flow mais agitados e letra que põe o dedo na ferida se referindo aqueles só reclamam e não fazem nada, não constroem coisas positivas para a periferia:

"Pode parar já de brincadeira, você só fala merda e só pensa besteira;
Jogar conversa fora esse é seu lema, só sabe chorar há de barriga cheia;
Pode parar, pensar antes que seja tarde, a vida já não é só de maravilhas;
Está tudo aí só você que não vê, será que custa muito você aprender;
Aprender a viver, a sua vida quem faz é você, não pensa no amanhã, não ponha tudo á perder"

Fechando o disco temos "Mina do Pé Sujo", com scratchs do DJ Wagner e o teclado do Grand Master Duda, em letra que falam sobre as minas interesseiras da quebrada, que na giria dos manos é tirada de pé sujo. A rima fala das garotas que negam suas origens, têm vergonha de sua casa, amigos e familiares, simplesmente por serem de periferia:

"Tem vergonha da sua família;
E ainda xinga por morar na periferia;
Pelos amigos é tirada de filhinha de papai;
Bunda suja ou gasolina;
Se escuta um barulho de moto já começa a frosquiar;
Fala que conhece cheia de patati, caixinha de fósforo;
Só pensa em quatro rodas, é pode acreditar"

O disco de estreia do De Menos Crime é um daqueles necessários na coleção dos amantes do hip hop. Um disco relativamente antigo, quando o movimento não completou nenhuma decada em nosso pais, com isso apresenta muitos beats próximos do break, e   mostra uma levada diferenciada do grupo, que se afastava dos raps mais festivos dos anos 80, mas não é aquele flow mais pausado e de fala como os raps passaram a ser em seguida. Porém em termos de letra o disco tem a cara do rap gangsta, com protesto e denuncia, denuncia incluise contra todos em seu meio ambiente, seja conta policiais, gangs, governo, manos parasitas ou minas pé sujo. Vale Muito a pena conferir essa obra, se não curtiu tá marcando man!

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