O Dia Que Vi Siloque Declarar Gigantes - #submundodosom

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terça-feira, 27 de março de 2018

O Dia Que Vi Siloque Declarar Gigantes



Era uma terça feira  do mês de janeiro, desse distópico ano de 2018. Fui até a goma do Siloque pra pegar vinil do Skowa & A Máfia, logo passamos a trocar uma ideia sobre som, um papo descontraído, estávamos bem a pampa (aliás, o Silas é cara que te deixa muito a vontade,  um anfitrião nato!), a conversa se desenrolou por horas e se tivesse sido gravada geraria um documentário nervoso sobre o rap, pensa num maluco que manja?

Ai o mano sacou de uma gaveta um cofre em forma de caderno, onde nas folhas pautadas continha perolas que preenchiam cada uma das linhas. Siloque, animado, me perguntou quer ouvir a love song que tô escrevendo? A animação me contagiou, não titubeei e me senti honrando: na casa do cara, ouvindo uma música em fase de criação, pensamentos recém saídos do forno, diamantes recém saídos de uma mina, da mente do mestre, da  que  privilégio da porra!

Siloque procurou o beat no celular, em seguida o conectou num 3 em 1 pra utilizar os alto-falantes pro som sair pesado, daquele jeito que acelera as batidas do coração, manja? Segurando o caderno numa mão, com a outra gesticulava, enquanto mantava a rima, foi literalmente incorporado pela música, que tomava conta do MC cada vez mais, na medida que a letra avançava.

De pé, Siloque mandava rajadas de rimas, aqueles jab direto no queixo que não tem nem como esquivar. O rapper é hardcore, agressivo de essência, mas aqui estamos falando de amor chapa, onde a temática muda, o beat, o flow, onde o rap é mais ou menos rap, onde o MC fica meloso, pelo menos essa é a receita de bolo do RAP BR quando o assunto é romance. Mas quem foi que disse que o Siloque segue roteiro? Falou love song, dentro do hip hop, vem na mente Sampa Crew, "Feminina" do Athalyba e A Firma ou alguma poesia acústica, que tá no hype, mas deixa eu falar, meu irmão, esquece tudo isso, o que o Siloque me apresentava é uma parada totalmente diferente, totalmente nova e original que eu nem sei explicar, cê vai ter que assistir o lyric vídeo ai no final pra entender!

Enquanto Silas cantava, eu apenas fechei os olhos e viajava, enquanto assimilava as palavras  flashs do passado inundavam minha mente, pois o rap, apesar de ser dele pra sua mina, a querida Fernanda Zanatta, é uma letra com vibes que tudo mundo vive ou já viveu, sendo facinho para todos tomarem como sua essa mensagem, dúvida? Saca só:

"Descanso os olhos em ti, daqui a terra tremeu Todo sentido perdi, como um tornado varreu! Pra que tretar se ta sereno? O clima ameno representa, é só amor o que vivemos Cada pensamento meu é sem veneno A gente nunca se vendeu, vamos vivendo Vai vendo, deu no que deu! Eu e você, você mais eu!"

Sacou o que eu quis dizer? Todo mundo quer um momento só seu com a gata do lado, aquela brisa de ficar juntinho, que só os casais entendem: "Ó minha vida, quero vinho, netflix, picnics no sofá Eu quero “closer”, não “so far”!". Siloque ainda encheu meus olhos de lagrimas, porque ao tomar a decisão de morar junto com a garota que se ama muitas tretas virão a caminha, e não só as derivadas do relacionamento, até porque essas fazem parte do game, mas o embaçado é o aluguel e as contas pra pagar (como diz outra música), e se manter firmão foi foda (é foda), mas tamo zen:

"Não sofrer é nossa meta e nós tamo muito bem Muito além do que os olhos podem ver, mas tamo zen"

Chapei na música. Tempos depois Siloque viajou e fez a gravina, num sábado de carnaval estávamos na expectativa pois a qualquer momento o

Franco Torrezan, produtor da música, poderia mandar a parada finalizada, ainda demorou alguns dias, mas quando chegou, meu amigo! Veio logo em duas "versões", na verdade com duas técnicas de mixagem diferentes, eu ouvi as duas e até palpitei (hehehe!). Novamente Silas viajou, dessa vez foi procurar o Luís Pedro Bet responsável por esse lyric pesado, que não poderia ser diferente, afinal tinha que ser uma pedrada foda a altura da música. As fotos vieram de Lima Torevsky, da AU Filmes, e abrilhantou ainda mais o lance todo.

Em outra oportunidade estava na casa de Siloque, desse vez fui pegar um LP do Titãs, logo ele ligou a TV e me mostrou a parada finalizada, tive a honra de assistir em primeira mão o vídeo, antes de estrear no YouTube, os mesmos sentimentos de quando ouvi a pela primeira vez tomaram conta de mim, dessa vez o Siloque não dividia mais a atenção entre o caderno e o flow, pois a fita já tava ali registrada, assim ele podia voltar sua atenção pra mim, e ficar satisfeito com sua obra vendo que um fã seu tava curtindo  a vera seu novo trampo, aquele beat trip hop com levada underground, feito pelo Caio Dias Lima, com uma letra mais suave, falando de um tema importantíssimo, aquilo brisava de certa forma que não tem como não emocionar, só se o coração for de gelo.

Na primeira vez que compartilhei o trampo, comentei que em dias ódio gratuito, ditadura velada, fascismo crescente, nessa nova inquisição as mentes esclarecidas, precisamos de uma válvula de escape, e o amor sempre é uma saída, sempre é a melhor opção, devemos nos agarrar em quem amamos, devemos cuidar e proteger, compor e declarar, declamar, fazer alguém sorrir, quem sabe o mundo louco fique mais compreensível e mais tolerável, temos que tentar né man, fazer o bem sem olhar aquém, e que sentimento mais prega o bem que não o amor?

Aqui fica meus parabéns ao mano Mário Ribeiro, e o agradecimento, primeiro pela canção, pelo sentimento, pela emoção. Segundo por me mostrar a parada, de certa forma me senti parte de tudo, e como falei essa uma das parada que a gente se apropria sem receio (que música amigos, que música!).

Só pra avisar, quando conheci o caderno do Siloque fiquei em choque, se você curtiu o que veio até agora, se prepara pois ali tem mais fio desencapado pra fechar curto circuito e torrar a mente!!!

Abaixo segue a parada, espero que todos tenham a mesma vibe que eu, se liga aí:



Que baixar essa pedrada? tá aí em baixo um presentinho do Siloque pra vocês:

 baixar Gigantes - Siloque


Um comentário:

  1. Obrigado pelas palavras, meu amigo! Tamo junto! Vida longa ao submundo do som!

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