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quinta-feira, 29 de março de 2018

Inquérito chega Tungstênio


"Tungstênio é treta!" O Inquérito está com disco novo na rua, e veio pesado, veio Tungstênio, esse é o sexto trampo do Inquérito que é um dos maiores no nome da cena do RAP BR e são daqui da região 019, o grupo tá na correria desde 1999 e a cada novo trabalho lançado, uma obra mais bonita que a outra, mostrando e comprovando a importância do grupo na musica nacional com letras empolgantes e como uma temática que não podemos abandonar, o protesto e a manifestação! 

Recheado de participações especial, o disco conta com Rashid, Zeca Baleiro, Fernanda Dadona, Tulipa Ruiz, Diomede ChinaskiNicole, Myanda Guevara, MCK, Daniel Yorubá, Mato Seco, Lawn, Luiz Travassos e o Coral Somos Iguais, além dos músicos de apoio Marcelo Cruz, Gabriel Adorno, Manchuria Heredia, Edmar Pereira, Valber Oliveira, Esdra Nunes, Diogo Nazareth e DJ Nato PK.

A faixa que abre o disco é "Eaê", uma música de ataque, com uma percussão marcando o ritmo, na responsa de Silvanny Sivuca e de Rodrigo Aleixo, enquanto que a agressividade vem com a guitarra de Gabriel Adorno, e a letra numa dobradinha entre Renan e Pop Black, versando em denuncia e protesto como um bom rap deve ser e propondo aos ouvintes "pensaê":


"CENSAÊ

Prazer sou o mestre da cerimônia

Mas mestre que é mestre age e não fica de cerimônia
CHEGAÊ
Eu sei que ce sabe ce tá ligado
OLHAÊ
Que o bang tá bagunçado e vários fingem não ver
Governo omisso e sempre ausente
Polícia e política desumana
Na lama, descaso que arrasta Cláudias e Marianas
OUVEAÊ
Será que foi acidente será mano?
PENSAÊ"

Na faixa dois, senhoras e senhores o rap está passando por um período de “Turbulência” permaneçam com os cintos afivelados, mas na hora da turbulência, mascaras caíram, é assim que chega Rashid e Inquérito com mais um beat ao estilo “rep n’ roll”, com baixo de Marcelo Cruz e Guitarra de Gabriel Adorno, os scratches ficaram a encargo do DJ Nato PK:

Saca o verso do Renan:

Minha caneta é vermelha que é pra eu nunca esquecer

De dá o sangue por isso toda vez que eu escrever

Faço a tinta escorrer na folha vazia

E as linhas surgem dessa hemorragia"



Agora saco o verso do Rashid:

"Freestyleiro, trouxe da rua o mérito, som homéricoInquérito é o castigo que vem a galopeTipo esses masoquista aí curtindo o golpe"Verbo que esquece o pretérito é sem futuro,


Em “Vitrines” a dobradinha poética é feita com o Zeca Baleiro em um letra que denuncia a desigualdade social e ações que manipulam a opinião pública, letra profunda e reflexiva, com destaque para melodia no canto de Zeca Baleiro, que também tocou  violão na faixa, já o baixo é de Gabriel Adorno e a guitarra de Marcelo Cruz, e a produção de DJ Duh:

"A trégua é uma falsa me engana que eu gosto
Tragédia dá like me fala que eu posto
A vida é um selfie, ou ela é um sopro?
Pra uns é um saco, pra outros um soco

Até o diabo tio abriu perfil no Facebook
Publica sem stop se matem em caps lock
E quantas madalenas, quantas já apedrejamos?
Quantos filho de carpinteiro nós crucificamos?"

Na sequência, “Barras de Ouro“, outra obra poética profunda que traz uma reflexão ao ouvinte, onde Renan deixa claro que "Minhas jóias são rara, são cara, são rimas, são letras, são barras de ouro (estouro!)", o beat é mais baixo nessa canção, em alguns momentos, a música é a capela, só com um som de chuva ao fundo, enquanto a poesia rola. A faixa tem a participação de Fernanda Dadona, que fez o refrão, Marcelo Cruz no baixo, Gabriel Adorno na guitarra e a produção do DJ Duh: 

"Estacionamento do supermercado,

uma mãe e uma filha num carro parado

Eu achei tão poético, parecia um filme do meu lado

A menina com a mão no volante a mãe segurando e ela se divertindo

Girando de um lado pro outro achando que tava dirigindo"

Lição de Casa” é um dos sons que o Inquérito já havia soltado na rua, e ouvir ele no disco Tungstênio trás a mesma emoção da primeira vez que se ouve. Esse é um hino do Hip Hop, música que eleva nossa cultura e traz a mensagem de que o rap é muito mais coisa do que um gênero de música, às vezes ignorado, às vezes num hype absurdo, o rap é um estilo de vida, é uma atitude, “é uma chave, um escudo, uma espada, uma lâmpada, um colete, uma escada, uma bússola, um despertador”, como diz a participação da talentosíssima Tulipa Ruiz:

"Um pivetinho ouvindo Racionais com 11 anos
A força de uma senhora se alfabetizando
Era tão Rap subir no telhado e conseguir
Virar a antena até pegar Yo MTV"







A faixa 6, “Histórias Reais” lembra as storytelling versadas no raps dos anos 90, com aquelas histórias de luta e superação e que fez muitos adeptos se apaixonarem pelo rap, aqui a pegada é a mesa, porém com um beat bolado, tendendo para o trap, com baixo marcante de Gabriel Adorno e produção por conta de DJ Duh. Na track temos participações do aprendiz, Diomede Chinaski, Nicole e Pop Black.

"Crucificado na escola pela cor da pele
Ele era o neguimSua infância sangrô e o vermelho escorria Até pelo boletim Parô de estudá e foi trampá no aeroportoTodo fim de dia chegava em casa mortoPensô em roubá quando o salário acabôMas ao quinto dia útil ele ressuscitô"


Outra faixa que já foi apresentada ao público é "Artesanato Eletrônico" um cypher de um homem só, com a originalidade como marca registrada do Renan Inquérito. Nessa nova roupagem a música é acompanhada da poesia incidental Tungstênio, que foi dividida em várias faixas ao longo do disco, além de ter um musicalidade mais agressiva, com peso na guitarra, de Gabriel Adorno e baixo de Marcelo Cruz, em letra que fala da inversão de valores, pela classe politica, pela sociedade e até por MC's dentro do rap:

"No país da delação premiada escuta telefônica
Obra superfaturada, faraônicaQualquer partido faz o PCC, parecer Turma da MônicaE nóis tá dend’água tipo alface hidropônica Tem gente morrendo se desesperandoE o que eles fazem socorrem os bancosA imprensa imprime a jato de sangueE recarrega os cartucho a cada bang-bang"

O “Perfume da Colonia” o Inquérito faz a ponte como os irmãos do outro lado do Atlântico e que dividem conosco o idioma português numa track que resgata a essência do hip hop e traz Mynda Guevara, rapper de Portugal e representante da nova geração do rap crioulo, nome dado a vertente musical feita por descendentes de Cabo Verde e Angola (Guevara tem ascendência cabo-verdina), o premiadíssimo MCK, rapper de Angola, que (pega essa currículo!) é formado em Direito e Filosofia e o brasileiro Daniel Yorubá conhecido pelas suas misturas de MPB com ritmos africanos, reggae e hip hp. Produzida pelo DJ Duh a faixa ainda conta com Marcelo Cruz, no baixo, e o trompete de Manchuria Heredia,  da Skafrandos Orkestra:

"Ei rapa, vem de quebrada dar um rolê nesse mapa
Da América do Sul pra Europa e a África
Fica a vont’s, hip-hop é o menino
Que nasceu em Belém ou no Bronx
Sente o perfume da Colônia
Fragrância gasolina pra queimar a Babilônia
E o rap aqui é que nem campainha toca demais
Tá em todas plataformas até nas da Petrobrás"


Pega a Visão” é uma faixa originalíssima, com feat da banda de reggae Mato Seco, numa pegada alto astral e um som bem pra cima, com letra de rap e beat puxado para o ritmo jamaicano, que é feita de forma orgânica com essa mega banda: guitarra, Gabriel Adorno, baixo Marcelo Cruz, trompete Manchuria Heredia, sax Edmar Pereira, trombone Valber Oliveira, percussão Silvanny Sivuca e scratches do DJ Nato PK , além de Pop Black nos backing vocals e a letra cantada e rimada pelo Renana e Rodrigo Piccolo, do Mato Seco.

"A vida é golpe tipo Temer tipo Tyson
Mas nós não teme, nóis não treme tipo Parkinson
A fé morrendo afogada a espera de um boca a boca
A guerra vem de enxurrada a paz de conta gota"

Já ouviu falar do Coral Somos Iguais? Não? Então cê tá vacilando mano! É um projeto humanitário de Daniela Guimarães e conta com o renomado maestro e pianista João Carlos Martins, e é composto por crianças refugiadas da Síria, Congo e Angola.  Na faixa Anônimos” o coral faz uma participação, junto com as crianças Maria Julia, Ana Clara, Kevin Gabriel, Letícia Rodriguez e Camilly Vitória, a dobradinha de guita e baixo de Gabriel Adorno e Marcelo Cruz, e novamente a produção do DJ Duh, e conta pianos de Esdra Nunes e de Diogo Nazareth, em letra que fala sobre os rostos desconhecidos que movem o pais, a classe trabalhadora que se submete a condições embaçadas, mas que não deixam de correr a tras:

"Pessoas reais, normais, de um Brasil

Que teu Cabral ainda não descobriu

São faces, sem Faces, mas que tão de pé

Até o meio dia só com um pão e um café

Trampando no posto sem nunca ter um carro

Construindo as casa e pagando aluguel

Asfaltando as rua, morando no barro

Existindo além dos números do Excel"



Chegando no final do disco temos a penúltima música: “Coração de Camarim”, que traz uma reflexão sobre a vida e as coisas em seu entorno, numa especie de desabafo, com beat mais calmo, com direito a queda de cachoeira e participação do músico português Luís Travassos no refrão, o qual também tocou violão na faixa. Ricardo Silva chegou junto na guitarra portuguesa e Marcelo Cruz no contrabaixo, além de teclados tocados por Diogo Nazareth:


"Já fiz uns rap de revolta já
Outros que fizeram chorar
Já quis a minha caneta de volta
Quando as conta tentou tomar
Claro que ninguém percebeu
E por vezes me senti sozinho
Nem sabe o trabalho que deu
Quem come acha que o pão já nasce pronto
O cantor na churrascaria cantando sozim
E eu fui um disco rodando no fim
Tipo a criança cheia de brinquedo
Sentado no último bar
Sem nenhum amiguinho pra brincar
O último gole do último bêbado
Sozim como o operador de um farol
Triste como um dia de folga sem sol"

O disco se encerra com um cafuné, um “Cafuné com Caneta“, essa última faixa trás uma canção esperançosa, positiva e que traz um clima calmo ao ouvinte, e já começa com a voz da cantora neozelandesa Lawn e tem backing vocals de Pop Black, produiza pelo DJ Duh, tem violão e baixo de Marcelo Cruz, guitarra de Gabriel Adorno, trompete de Manchuria Heredia, saxofone de Edmar Pereira, trombone de Valber Oliveira, rhodes com Diogo Nazareth e os scratches do DJ Nato PK, em letra que fala da beleza da musicalidade:

"Coisas do coração como cantou Raul

Nesse beat bonito do DJ Duh

Aful como os irmãos de Porto

Alegre que nem a Mocidade
Celébre cada momento como se fosse célebre
E não cultive vaidade,
Vá idade, vá idade, vá... Deixa ela ir"

Intercalando entre uma música e outra, há trechos da poesia Tungstênio, feita em parceria entre Renan e Toni C (autor da biografia do Sabotage e do livro o Hip Hop Está Morto), que você confere na integra aqui:

"A gente é que nem os metais, tá ligado?
Uns são suave, outros pesa, uns são comuns, outros raros
Mas tem um que é zika: tungstênio
Duro e pesado como a realidade
Num é papo de nerd, nem de Breaking Bad
Tungstênio é resistência
Tá no celular, computador, microondas
E naquele fiozinho da lâmpada... acende, ilumina
Presente nos aparelho cirúrgico que salvam vidas todos os dias
Como o Hip-Hop
Tungstênio é treta, guenta o tranco
Bala de fuzil, broca, lança, armamento, explosivo
Foguete e até nas aliança num perde o brilho
A bolinha da ponta da caneta é de tungstênio também
E me ajuda a desenrolar as ideia
A BIC aqui vai além de plástico, tinta e tungstênio
Tem carne, osso, é caroço
Profunda, mas nunca, nunca vai ser poço, é posso
Só não pode ficar fechada, tem claustrofobia
Sua, saliva, sangra, e floresce
As vez vacila, falha, sai da linha
Mas é cúmplice, sincera, transparente
Minha caneta é: esperança e exclamação
Oxigênio e coração"

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