Entre a Adolescência e o Crime do Consciência Humana - #submundodosom

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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Entre a Adolescência e o Crime do Consciência Humana


A 21 anos atrás o conjunto de rap Consciência Humana nos presenteava com o clássico álbum "Entre a Adolescência e o Crime", laado em primeira tiragem em setembro de 1997. O disco é um marco na vida de muitos ouvinte de rap e adeptos a cultura hip hop, pois o gênero no Brasil se consolidava no que  chamamos de gangsta, ou seja as produções musicais eram mais densas e com letras fortes de denuncia e protesto e altamente engajadas, e que traziaa reflexãao jovem da periferia sobre a criminalidade, o consumo de drogas e cuidados com a repressão policiaabusiva e para que se atentem as formas de governo das gestões públicas. O disco foi produzido pelo DJ Raffa e pelo grupo Consciência Humana, que nesse momento contava com Preto Aplick, W.G.I. e DJ Adriano, e veio como sucessor do disco "Enxergue Seus Próprios Erros" de 1994, e também do single "Lei da periferia", de 1996, trabalho de laamento do selo do  grupo, o D.R.R Produções, que agia em parceria com outo selo, o Porte  Ilegal. 

O disco inicia-se com "Abertura", que começa com um instrumental mais leve, com direito a delay e trechos cantados, até entrar o peso do beat e a levada que não dá boi pra oportunista otário. Essa abertura é uma pedrada e serve como cartão de visita para o que vai vir a ser o álbum. Usando um trecho de "1,2,1,2 Drão":

"Um bomba na mão a cada tragada uma viagem, primeira parte;
Batida pesada por cima, rima, várias mensagens;

Lado leste de São Paulo DRR é só enquadro, sem dá boi pra oportunista otário;"


Na faixa dois "Rato Cinza Canalha", que contém trechos do rap "Burguesia" do grupo De Menos Crime, a faixa contém sample da banda Ohio Players, com a faixa "Funky Worm", do álbum Pleasure Westbound de 1972, e vem no melhor estilo boombap, com peso no bumbo e caixa, que denuncia a elite que manipula a policia, e essa se deixa ser controlada, em prol da exterminação daqueles vindos do gueto:


"Pra mim já basta ouvir suas palavras falsas;

Agora é outra parada e o consciência não para;

Você enganou muita gente;

Mas estamos com o esquema no pente;

Chegando devagar que o bicho vai pegar;
Hoje com outra cabeça pra te cruzaas fronteiras da periferia;
É com você otário parte da burguesia;
Vocês produzem a miséria;
E nos impedem de chegaá nível social;
A burguesia fede"
 
Na sequência "121 (Rajada Parte II)" em alusãa música "Rajada" de 1994, do disco "Enxergue Seus próprios Erros", e já inicia com a inicial dos grupos da banca DRR (Defensores do Ritmo de Rua), formada pelo ConsciênciHumana, De Menos Crime, Homens Crânio e U Negro, que conta sobre as chacinas nas periferias:


"Olha lá quem vem no final da rua;

Com os faróis apagados;

E quem tá com flagrante na mão, trate de dispensar;

Estamos sem sorte, uma banca bem forte;
Quase batendo de frente com a porra da morte"

Seguindo temos "Periferia Segue Sangrando", um rap que trás participação dos manos de Brasília Japão e X (não confundir com o rapper paulista Xis!). É de Brasilia que vem a parte da letra, aqui a música "Periferia Segue Sangrando" do GOG é utilizada, com trechos incidentais e pequenas alterações feitas pelos participantes. O sample utilizado é de Funkadelic, com a música Mommy, What's a Funkadelic:


"Sete horas em ponto tá no horário do encontro
Ligo o rádio e pronto as notícias não são nada boas
Ponto final na vida de várias pessoas

E o que seria um fim de semana foi um banho de sangue

O rabecão não parou um instante

A cada depoimento um arrepio um pai confirma ao vivo

É mesmo do seu filho um corpo quase irreconhecível
Vítima de uma sessão de tiros
Só quem perde sabe!
E eu concluo mano periferia segue sangrando
Hemorragia interna irmão matando irmão
Favela contra favela não acredita? confira!"


A música cinco leva o nome do álbum, "Entre a Adolescência e o Crime" e que sintetiza o que é o álbum do grupo Consciência Humana, que fala dos dilemas da quebrada e que conversa, principalmente, com o público jovem, através de liricas, redações e histórias sobre um mundo que o adolescente conhece por que vive nele, mas que talvez não conheça seus efeitos, pois nem sempre (ou quase nunca) o desfecho é positivo: 


"Há muito tempo quis tentar fugir dos homicídios;Se tornando assassino do próprio raciocínio;O inimigo maior, o cara que só;Andava adiantando a morte;E atrasando os arquivos da mente;Infelizmente bateu de frente com o pó;Se envolveu com a química a chance é mínima"




"Geral" é um som que traa participação de Paula Gabi nos vocais e retrata a abordagem policial nos bairros periféricos e quão assustados ficam seus moradores quando trombam com uma viatura, mesmo sem dever nada. A faixa contém sample de The Tempations, da música "Do Your Thing", do álbum All Directions, do ano de 1972.


"O corpo arrepia quando os faróis iluminam seu rosto,
E no momento naquele bairro me dá até desgosto,

Olhava na cara do cara que estava alucinado,

Na mira deles era eu me sentindo finado,
E no meu canto calado na madrugada na mira dos tiras,
Me senti a próxima vítima"


Na faixa 7, a música 'Viagem" que narra sobre um pesadela, a viagem maldita no mundo das drogas, uma verdadeira oreiada pra molecada e todos os manos que fazem consumo, pois a viagem pode não ter mais volta. Destaque para os scratches do refrão:


Estou distante, uma viagem que lugar é esse?
Nem fudendo consigo me recordar

Aquela porra fudeu com a minha mente

Estou dependente, pareço um doente
Existe a cura preciso me organizar
Parece que estou em uma cama
Caralho na verdade estou de coma



Dando sequencia a clássica "Amigo de Infância" que trás um beat gostoso e nostálgico a altura da letra, que retrata a infância de dois meninos, que cresceram e ficaram entre a adolescência e o crime, e um deles optou pelo caminho errado. O sample Jorge Ben, com a música Jesualda, do disco Solta o Pavão, de 1975.


"Eu me lembro de um grande amigo da minha infância
Aliado na escola na rua e no jogo de bola
Passado anos que se foram embora
Duas criações uma diferente da outra
Uma mais presa enquanto a outra era mais solta
Me lembro de quando empinávamos pipa no morro
Se esquecendo de tudo e até daquele humilde almoço"

A música dez é a "Lei da Periferia", rap laado em 1996 como single do selo D.R.R Produções, em letra que fala sobre as dificuldades de muitos em São Matheus, ou qualquer outra quebrada do Brasil, mostrando que a lei da periferia é sobreviver:


"A falta de dinheiro naquela goma era problemaMais um chefe de família mantinha Deus
Como força suprema, o seu único lema
Dois pivetes frutos de um casamento bem sucedido
Mas financeiramente todo fudido
Sem emprego, roubar que nada e aí camarada
Essa vida não vai me pregar essa cartada
De manhã um bico aqui e outro ali
É assim que vai levando sem desistir"

Paula Gabi retorna na penúltima caão, "Periferia Tem Seu Lado Bom", música que serve como uma especie de carta aberta aos playboys, e fala sobre como a periferia tem pontos importantes de cultura, como os citados (Oludum, Capoeira, o Samba, o Carnaval, o rap) e que apesar das dificuldades a periferia, realmente é da hora, e tem um lado bom, o sample utilizado é de New Horizons, com a música I Can't Tell Me.


"Quebramos a cara no mundo fruto do seu plano sujo;
Para nos ver no escuro do lado obscuro da periferia, ó quem diria?
Que essa gente que vocês tanto marginalizam;
Iria conseguir adquirir experiência de vida playboy, boy, boy;
Apesar dos pêsares pesados marcados;
E cicatrizados pela força de vontade de viver;
Ou melhor sobreviver de maneira possível;
Nada é impossível"

E fechando o disco, a faixa de número 12 ,"Reflexão", com sample de Issac Hayes, em Walk on by, e nos seus 1 minuto e 12 segundos de duração não possui letra o só o beat rolando para que cada mano faça sua reflexão própria!


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