O Espelho de Drik Barbosa - #submundodosom

Posts

terça-feira, 10 de abril de 2018

O Espelho de Drik Barbosa



Quando tive a oportunidade de entrevistar o lendário rapper GOG, perguntei ao poeta sobre essa safra nova de MC's, sem titubear o nome de Drik Barbosa foi apontado. Já conhecia seu trabalho em "Mandume" do Emicida, em um verso que ela roubou a cena, dali em diante passei a acompanhar sua carreira: Programa Freestyle, Poetas no Topo, Poetizas no Topo, Rimas & Melodias (show emocionante, e uma selfie com ela!!!) e agora seu novíssimo registro.


Drik Barbosa chega com seu EP de estréia, o "Espelho", lançado pela Laboratório Fantasma, selo dos irmãos Fióti e Emicida, com Produção de Fióti e direção musical de Grou, quem também fez os beats do álbum (com exceção da faixa "Melalina" que foi produzida por Deryck Cabrera). O disco também traz participações especiais de Stefanie, parceira de Rimas & Melodias, e de Rincon Sapiência.

O EP foi concebido de maneira orgânica, além dos beats eletrônicos e dos pads, temos uma banda de um homem só: Fejuca, que tocou baixo, guitarra e violão e os de metais arranjados por Ed Trombone, que também tocou o instrumento que leva no nome, na companhia do saxofone de Fernando Bastos e do trompete de Gustavo Sousa e a direção vocal de Dcaz.


O EP abre com a faixa "Espelho", que como o titulo sugere fala sobre a forma como Drik encara o dia-a-dia e os dilemas da vida, como as incertezas e a volta por cima de qualquer parada adversa. Chega junto a MC Stefanie, que começou seu corre no rap antes de Drik e sempre serviu de inspiração. As minas chegam com levada pesada, refrão entusiasmante cantado em cima de um beat hipinótico, feito de maneira orgânica com guitarra e baixo, além de trompete, trombone e sax, com direitos a scratches, do DJ Nyack, que por sinal, os riscos estão cada vez mais raros no rap nacional, detalhe para o refrão escrito pelo Emicida:

"Por onde passei, deixei rastros de amor / Por onde passei, deixei rastros de amor / Por onde passei / Em esquinas e vielas por onde passei / Caminhos tenebrosos, eu sei / Sim, eu sei / O antídoto pra me curar / Por onde passei / Em esquinas e vielas por onde passei / Caminhos tenebrosos, eu sei / Sim, eu sei / O antídoto pra me curar"

A faixa dois é "Banho de Chuva", uma canção que já tivemos a oportunidade de ouvir antes do lançamento do EP, como por exemplo na apresentação da linda no programa "Manos e Minas" da TV Cultura. Nessa música que mescla elementos do rap com o R&B,  em instrumental belo e arranjados pelos verdadeiros maestros a encargo dessa produção, Drik canta sobre a simplicidade de um dia de chuva, de como ato tão simples trás a felicidade e a pressão cotidiana acaba abafando esse efeito em nossas vidas:

"Sociedade hipócrita / Cada vez mais difícil viver nessa órbita / Tudo gira em torno das notas / Se você não tem muitas eles nem te notam, não! / Na multidão, sou do contra, falo / Construo meu caminho e não paro, claro / Fazendo meu progresso, bocas sujas calo / E os meus desejos com respeito trato / Como a Frida Kahlo"

Seguindo temos a faixa "Inconsequente", a faixa mais romântica do álbum, com melodia feita por  , nessa canção Drika narra encontrar um grande amor e se entregar a ele sem medo, deixando de lado as neuras sobre outros relacionamentos que não tiveram a mesma adesão, no melhor sentindo "o que passou passou", o grande destaque dessa música, além da letra, são os arranjos e a base, mas o que realmente rouba a cena é o violão, e que violão amigos!

"Perdi toda visão que eu tenho agora meu foco em ti / Adora meu toque, adora se falo o que gosto em ti/ Para na minha frente / Segura minha mão, me prende / Fico em pedaço, sem seu abraço é tão diferente / Sinto, como se o mundo fosse só nós dois / Estando ao seu lado esqueço o que se foi"

Mostrando e comprovando sua versatilidade dentro do universo musica proposto, "Camélia" é a faixa "mais rap" do disco, com base de Grou, flertando com o trap e guitarra pulsante de Fejuca, e o tema é recorrente, Drik vera sobre o racismo e machismo que ainda ferem em nossa sociedade. Aqui fica uma curiosidade: a flor camélia, que dá titulo a música, foi simbolo na luta abolicionista, as pessoas que usavam a flor eram consideradas de confiança, assim os negros que conseguiam fugir deviam procurar por pessoas usando a camélia. Do mesmo modo pessoas que sofrem o preconceito devem procurar a camélia de Drik para encontrar em sua letra forças para resistir e lutar:

"Minha arte é a minha respiração / Não crio em vão, não! É pra ascender! / Com os pés no chão por escolha / Não porque tem algo que vá me prender / Várias negra drama tão sem incentivo / Ainda quer saber por que eu rimo? / O sistema é cruel e segue oprimindo / É por isso que eu digo o que eu digo / Cêis teima em ficar na zona de conforto / Enquanto enfrentamo a zona de confronto"

O EP termina numa grande festa com  música "Melanina", que tem participação do grande Rincon Sapiência, em hit que havia sido lançando em vídeo clipe pouco antes do lançamento do álbum. A mensagem central da faixa é que mesmo com a falta de tempo no dia a dia devido aos vários compromissos é importante se divertir e curti a vida, e é nessa tiração de onda que Kendrik Lamar finaliza o belíssimo EP Espelho:

"No baile à pampa
I'm feeling myself nas noites de Sampa
Eu quero sorriso pra minhas parça
Grana no bolso, só os milhão
Quero brindar
Vivona e vivendo, hoje é chão chão, chão chão
Se liga, jão
Dona da minha vida, eu que escolho a direção"

Clipe de Melanina feat Rincon Sapiência

Esse trampo de Drik é um presente para os amantes do rap e mostra a elevação da cena atual no Brasil. Em apenas 5 faixas, a MC abordou o racismo, machismos, fez festa, falou dos pretos no topo, deu uma aula de história ao usar a flor camélia como título de sua música, falou sobre crescer e as responsas da vida, falou sobre os lances envolvendo amores do passado, amores atuais e sobre ela, Drik Barbosa.

Ainda teve a gigantesca atitude de dividir um EP tão rápido com mais dois amigos, dividindo o espaço que lhe foi oferecido, e é isso que é o hip hop, que é o rap, é união! Como falado acima, os instrumentais do álbum chamam muito a atenção para beats que fogem da estética rotineira do rap, vão de encontro com a proposta do disco, da mescla com o R&B e em momentos ousam, buscando uma fusão com o jazz ou a modernidade do trap. O disco tem um lado negativo também, sua duração! Foi muito rápido Drik! O que nos deixa ansiosos esperando novas pedradas de Kendrik Lamar!


Nenhum comentário:

Postar um comentário