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terça-feira, 3 de abril de 2018

Valeu Miranda!


"véio, você é ruim de mais...!" Assim falava Miranda que não media as palavras ao julgar um candidato nos programas de caça talentos dos quais foi jurado, como "Astros", "Ídolos" e "Qual é O Seu Talento?", todos no SBT, esse era seu jeito porralouca de ser, que não media as palavras, a atitude Miranda era a cara do rock nacional dos anos 90, cena que ele foi fundamental para que se construísse. 

Na década anterior a atuação de Miranda na música era de compositor e músico, sendo tecladistas de bandas como Taranatiriça, Atahualpa Y Us Panquis e a Urubu Rei, depois passou a protagonizar nos bastidores da música, isso quando saiu do Rio Grande do Sul e encarou o underground paulistano, trabalhando como produtor da banda Akira S e As Garotas Que Eram, e fez parte da equipe da Revista Bizz ficando conhecido pelas suas resenhas de discos, que era carregada de criticas o que fez de Miranda uma figura polêmica.

Por falar em polêmica, Miranda vira e mexe se envolvia em uma ou outra, lado dos Titãs formou um selo, o Banguela Records, como um braço da Warnner Music Brasil, que para ser criado foi a base de uma mentira envolvendo a Folha de São Paulo e a Wanner, onde Miranda deu um furo de reportagem para André Forastieri, da Folha, dizendo que estava tudo certo para criação do selo, sem que isso fosse verdade, o que pressionou a Wanner a bancar o projeto, mas passado o embólio inicial o sele deu certo lançou vários nomes do rock, o que fez de Miranda uma das figuras mais influentes da nossa música, pois onde o véinho metia a mão saia um sucesso.


A Banguela Records durou de 94 a 95, dois anos a pleno vapor e muitos lançamentos, como:

  • Raimundos (Raimundos, 1994)
  • Samba Esquema Noise (Mundo Livre S/A, 1994)
  • Lírou Quêiol en de Méd Bârds (Little Quail and The Mad Birds, 1994)
  • Con el mundo a mis pies (Kleiderman, 1994)
  • Maskavo Roots (Maskavo, 1995)
  • Coisa de Louco II (Graforréia Xilarmônica, 1995)
  • !Pravda (!Pravda, 1995)
  • Línguachula (Línguachula,1995)
  • Alface (coletânea de bandas de Curitiba, 1995)
  • Pircorócócór (coletânea de bandas do interior paulista, 1995 )
  • Segunda Sen Ley (coletânea de 18 bandas de Porto Alegre onde se destaca o lançamento de Jupiter Maçã, 1995)
  • Beerock (Party Up, 1995)

Fora da Banguela ainda produziu as bandas, Skank, O Rappa, Virgulóides, Blues Etílicos, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Moveis Coloniais de Acaju, MQN. Como o fima da Banguela, criou o selo Excelente Discos, um braço da Polygran, e mais tarde dirigiu o site Trama Virtual, onde trabalhou com artistas como Rappin Hood.

Olhando para todas essas bandas que o Miranda ajudou produzindo e gravando, e outras que não foram citadas, mas que posso deixar registradas aqui, como o Planet Hemp, Chico Science & Nação Zumbi e Charlie Brown Jr, grupos que o véinho não colocou a mão diretamente, mas que ajudou de uma forma ou outra, e que essas bandas reconhecem a ajuda recebida pelo Miranda, retomando a ideia inicial do paragrafo, olhando para todas essas bandas que o Miranda ajudou, todos esses nomes de peso, fica mais fácil entender o quão o Miranda foi importante, o quão a cena tem a agradecer a esse cara!

Imagine o rock nacional dos anos 90, que herdou a agonia do rock dos anos 80, onde a luz se apagou e a festa acabou, restando só a decadência, se a figura de Miranda não tivesse aparecido com desfibrilador para conter a parada cardíaca do rock, imagine isso?

Desse modo, valeu Miranda, obrigado por olhar com carinho para as músicas toscas, rebeldes, zoeiras e com perfil de não tocar em lugar nenhum, obrigado por acreditar nisso. Valeu mesmo Miranda, todos os mau elementos, maconheiros, cabeludos, com instrumentos precários e desafinados hoje estão no topo, e o rock agradece a você: VALEU MIRANDA!

Descanse em Paz! 




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