Review do EP de estréia de Tássia Reis - #submundodosom

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Review do EP de estréia de Tássia Reis



Tássia Reis é mais um nome que vem do Vale do Paraíba, direto da cidade de Jacareí, em 2014 colocou na rua seu primeiro EP, que leva o nome da cantora e rapper, “Tássia Reis”. O Trabalho vem logo após o sucesso do clipe "Meu RapJazz", que fez barulho no anterior e que integra esse álbum da artista. Hoje em 2018, Tássia Reis tem uma visibilidade maior, participando de projetos incríveis, como o Rimas & Melodias, um coletivo só de minas que mescla o rap e R&B.


O EP de Tássia tem 7 faixas, e trás participações de Tiago MAC e Sã, e os instrumentais fantásticos de uma galera de peso: Nelson D, Poska, Esquina da Gentil, Kibão Beats, Skeeter, DJ Zala e D.A.C Beats. A mixagem e masterização ficou por conta de Touchê. A foto de capa é de Gustavo Felipe e a arte da Lia Souza, já a direção geral é assinada por Diamantee. 
O disco abre com "Primavera", com beat produzido pelo Poska que tem variações que lembram uma levada reggae. Nessa letra Tássia lembra de sua infância, o titulo remete a estação considerada como a mais alegre do ano, e em seu canto a artista lembra os momentos felizes de sua meninice:
"Das brincadeiras de rua de quando se é criança
Do joelho ralado, marcado pela infância
Sem ligar pra horário dando a mínima importância

Sem se preocupar com peso, piquenique, comilança

Domingo de sol, piscina, música mansa
Batata frita, sorvete, parque, até que cansa
Pagodin de mesa, beleza é requebrança
Alegria celebrada em primeira instância"


A música dois é "Good Trip" que trás a participação de Thiago MAC e o instrumental de D.A.C Beats, a artista revela que essa letra foi reescrita umas três vezes, guardada na gaveta, e revisitada tempo depois, até chegar na obra prima que escutamos no álbum, com a estética do rap no beat e flow que varia entre o canto e a poesia declamada:
"Ligo o pretinho que já tá na escuta
Com planos que a gente executa

As vezes diversão, quase sempre labuta

Alguns pensam que não, nem manja minha conduta
Mas eu... (hahaha) me mantenho absoluta
No intelecto, na escrita e até na força bruta
Do tipo que cai, se machuca
Mas trabalho, meu irmão
Preguiça nunca foi minha truta
Valeu"


A faixa três é o sucesso "Meu RapJazz", que já estava nas ruas antes do lançamento do EP. e teve produção da Esquina da Gentil, e como o nome sugere tem aquela pegada de jazz, aqui Tássia Reis leva um flow cantado e suave em uma letra que fala sobre a luta cotidiana e a volta por cima sobre os contratempos nossos de cada dia: 
"Sem desperdiçar energia
Várias patifarias querendo me arrastar

Não dou ideia pra essas heresias

Sou de periferia tipo ruim de se enganar
Mas deixa os bicos zoar, ninguém vai assumir
Mas todos querem brilhar
Minha intuição quer cantar, tira um segundo pra ouvir
Que eu não costumo falhar"

"Clipe de Meu RapJazz"


Seguindo temos "Calma Preta", que Reis escreveu em 2010, numa pegada só, sem muitas revisitações, apenas a troca de uma palavra por outra. O beat boom bap é do Skeeter e traz uma melódia que se encaixa perfeitamente na suavidade da voz de Tássia Reis, mesmo com uma letra mais agressiva, no sentido de criticar e atacar a ansiedade, um mau comum na sociedade contemporânea: 
"Eu tô ansiosa feito carros e motos e caminhões
Em vias, em curvas, buracos, imperfeições

De fato, a cada dez segundos mil indagações

Me faço ao ver que meu pedaço se tornou milhões de mim
Meus estilhaços vão rumo a Pequim
Fazendo baldeação na estação da Sé, é!
As 6h o mar de gente não tem fim, sim"

Na faixa 5, o som "Agora Que Eu Quero Ver", com participação de , e a produção da base pelo Kibão Beats, e vem com um clima mais descontraído, lembrando o funk e soul dos anos 70, que se mescla numa pegada pop, e tem como destaque o flow de Tássia, que é cantado, se alternando com a levada de Sã, que busca o rap na música. A letra aborda uma rompimento de relacionamento, mas que a mina se mantém firme e dá a volta por cima, sem deprê:
"Quando eu quis conversa você disse "não"

Que eu não tinha espaço no seu coração

Você me magoou e só me fez sofrer

(Agora que eu quero ver)
Não entendi, mas eu fiquei na boa
Imaginei que fosse outra...
O tempo voa e o mundo gira assim"

Já na cação "No Seu Radinho", Tássia explica que a letra foi refeita, pois achou que havia ficado em um tom triste, e a modificou para parecer mais esperançosa, "como se fosse uma música querendo conquistar o ouvido", como ela mesmo definiu. Essa track tem a produção do DJ Zala:
"Eu posso ser mais que refrão, eu posso ser canção inteira
Eu posso ser um risco, mas posso ser o seu melhor disco

Mesmo não sendo a primeira

Me deixa ser sua melhor track, gravando aperta rec
Tudo isso na sua mixtape
Pra você mostrar pros moleque no role de skate
Como eu sou seu melhor rap
Golden era, dirth south, mainstream, underground
Eu posso ser até um trap
Mas humm lembra que aqui é clack boom
Só esperando seu check"


E Fechando o disco, temos "Asas", música que trás beat de Nelson D, com baixo grave e marcante, claps que ajudam a dar o clima de romance e a melodia de um piano nas variações que nos transportam para os sentimentos da cantora, que em versos como os do refrão acentuam o love song bem elaborado e que se distância do clichê:
"Asas servem pra quê?"
Então, me deixe mostrar como faz

Você pode voar

Escolha uma direção
Sem hesitar
Do alto tudo é tão pequeno
Problemas, dilemas, daqui tanto faz
Acima das nuvens meu berço sereno
Meu esconderijo mais eficaz"

O disco de estreia de Tássia Reis é um daqueles que causam um grande impacto, positivo é claro, durante uma primeira audição, e que faz você ficar no repeat durante dias. Por ser um disco enxuto, de apenas sete canções, nos dá um gosto de quero mais, pois o álbum mostra uma versatilidade tanto de flow e métrica como de letras, o grande destaque é o canto que se mescla com os beats do grande time que foi envolvido no projeto. Resumidamente, o disco está aqui abaixo, se você ainda não conhece é só dar o play mano!


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