Entrevista com o rapper Rashid - #submundodosom

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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Entrevista com o rapper Rashid


O Submundo do Som traz mais uma entrevista com um grande nome do rap nacional, essa foi a vez do Rashid colar aqui pra trocar uma ideia bem firmeza. E nesse bate papo falamos sobre sua origem, inspirações, sonhos, sobre hip hop, graffiti e muito rap é claro, falamos do lançamento de seu livro e também sobre seu último trampo, o disco "Crise", então se liga aí que da hora:

Submundo do Som - Mano, primeiramente muito obrigado pela atenção e oportunidade dessa troca de ideia. O Rashid dispensa apresentações, mas seguindo aqui no protocolo, por favor, se apresenta aí pros manos e minas. Quem é o Rashid?

Rashid - Faço Rap faz um tempinho... O Rashid existe há 11 anos, antes disso eu participava das batalhas de freestyle usando o nome Moska. Acabo de lançar meu segundo álbum oficial e meu primeiro livro, de forma independente.Estamos caminhando.

Submundo do Som - Mano, você foi de boia fria a um MC de sucesso, empreendedor e grande referência pra muitos, como você analisa essa caminhada?

Rashid - Fico muito honrado e feliz em ter essa oportunidade, muita gente gostaria de estar nessa posição. Então, mesmo quando me pego muito cansado ou até desanimado, sempre busco demonstrar gratidão e nunca reclamar do que faço.Sonhei com isso boa parte da vida e agora eu vivo algo que muitos moleques e muitas minas dariam tudo pra alcançar. Me sinto abençoado e responsável.Todas essas histórias que tenho pra contar, serviram de tempero pra eu me tornar o que sou agora.

Submundo do Som - O nome Rashid, o que significa e de onde veio apelido para o Michel?


Rashid - Rashid significa "justo, de fé verdadeira" no oriente médio e em alguns países da África, significa "guiado corretamente". Foi um nome que procurei, porque como disse, antes eu usava Moska como apelido.Num determinado momento, achei que aquele nome não transmitia a mesma coisa que eu queria transmitir com meu som, então fui pesquisar um nome que tivesse uma conexão.Procurei durante uns dias um nome árabe. As pessoas sempre comentavam que os traços do meu rosto e meu tom de pele têm semelhanças com os árabes... então achei que seria pertinente. Quando vi "Rashid", pensei: é isso, que nome foda! rsrs Quando vi o significado, tive certeza. O nome perfeito pro tipo de Rap que faço.


Submundo do Som - E a “Primeira Diss”? De onde veio a ideia para fazer um som tão introspectivo e crítico, e que vem na contramão da vibe do “ego trip” que tá em alta no rap de hoje?


Rashid - "Primeira Diss" pode até ser vista como uma egotrip inversa, porque denota uma sensibilidade aguçada pra transformar num Rap bonzão uma autocrítica. A mensagem dela tem várias camadas...A atitude de olhar pra si e enxergar defeitos antes de olhar pros defeitos dos outros. Mostrar que os beefs, as disses não podem virar um novo mercado dentro do Rap. A competição pode e deve existir, mas em outro nível, porque a partir do momento em que começamos a atacar uns aos outros porque isso traz visualizações, não existe evolução, não existe a procura pela melhora. Tudo vira um marketing barato, que uma hora acaba com o mercado.Também tem o lance de que a maioria das coisas que falo na letra são críticas que as pessoas fizeram/fazem pra mim na internet. Queria que elas ouvissem da minha boca, pra que percebessem o quão absurdas elas podem soar.



Lyric "Primeira Diss"

Submundo do Som - O disco “Crise”, lançado nesse ano de 2018, exemplifica o que é a vida, momentos altos, outros baixos, de incertezas e outros de confiança. A ideia era essa, de fazer um panorama da vida? De trazer pra reflexão que não é só de extremos a correria?


Rashid - Sim, total. Fazemos isso de uma forma natural. Tenho músicas em todos os trabalhos que vão de um ponto a outro. Mas eu quis colocar tudo num mesmo disco, de propósito, como os altos e baixos num mesmo dia. E o nome "CRISE" tem a ver com isso.Vivemos sendo bombardeados de informações, pressão, opressão, tecnologia, etc... Não à toa, os índices de depressão, ansiedade e síndrome do pânico entre jovens têm crescido muito nos últimos anos. Essa dualidade está presente no disco como está na vida.


Playlist do álbum "Crise"

Submundo do Som - O corre do Rashid é na rua né mano, não é muito de redes sociais, e pensando nesse momento caótico que Brasil vive, com um crescimento da extrema direita, o que você acha mano que são nossas armas praticas pra combater esse fascismo?


Rashid - Mano, nossa arma tem que ser o conhecimento, a postura, o diálogo. Temos que estar nos lugares, conversar com as pessoas, entender e na medida do possível, informar.Se a gente vier com pedrada, seremos iguais a quem criticamos, temos que ser a antítese disso. Acho que a conversa vai nos fazer encontrar quem pensa igual a gente e quando a gente começar a se juntar, fica mais difícil de desvirtuar. 


Submundo do Som - Sobre o livro “Ideias que Rimam Mais Que Palavras”, como que nasceu a ideia desse projeto? Conta um pouco desse trampo


Rashid - O livro é um sonho antigo. Venho juntando umas ideias há uns 2 anos, mas tenho esse projeto do livro na cabeça há uns 5. Estava esperando um bom momento pra colocar o projeto em prática e achei esse período "pós-álbum" a hora perfeita.Demorei aproximadamente uns 10 meses para escrever, mas demoramos um tempo também para aprender sobre as burocracias para a produção do livro. Não é um processo fácil, mas se feito de forma organizada, não tem erro. No fim, tudo se alinhou para o lançamento. Estamos bem felizes com o andamento do livro.


Capa do livro

Submundo do Som - Mano, o que você pode indicar de música para os manos que acompanham o Submundo do Som, para ampliarmos nossos conhecimentos musicais?


Rashid - Tenho escutado bastante Jazz e MPB, como sempre. rs Thelonious Monk, Donald Byrd, Ella Fitzgerald, etc. Daí pulo para Djavan, Belchior. Tem um disco do Mussum que to ouvindo também. O Mussum dos Trapalhões mesmo, ele era do Samba, pra quem não sabe. Monstro sagrado.Enfim, de Rap to ouvindo o novo do Nas, do Pusha T e o do casal Jay Z e Beyonce. O do Black Thought com o 9th Wonder também é muito bom.


Submundo do Som - Aproveitando que estamos aqui com o Rashid, que começou sua vivência no Hip Hop através do graffiti, que nomes de grafiteiro você citar para que os manos que curtem um rap, conhecerem mais a arte do graffiti, e de certo modo integrarmos mais o Hip Hop?


Rashid - Cara, quando comecei a me apaixonar pelo Graffiti, sempre juntava dinheiro pra comprar as revistas especializadas que vendiam na época. Por lá, sempre vi muitos trampos do Binho, do Chivitz, do Markone (que hoje é meu parceiro e fez algumas das minhas tatuagens), Niggaz (descanse em paz), Os Gêmeos (é claro!), tinha uma mano chamado Maumeks que fazia uns 3Ds cabulosos. Mr. Magoo, etc. Muita gente que eu pirava, alguns eu lembro dos trampos mas não lembro dos nomes. Quando comecei a rodar a cidade de SP e ver os graffitis desses caras por aí, fiquei louco. Era como encontrar um ídolo da música. Tipo: "esses caras existem mesmo!!!"


Submundo do Som -  Quais os sonhos do Rashid? O que você ainda pretende realizar na sua caminhada?


Rashid - Ah, mano... muita coisa! rs Minha mãe diz que não é bom ficar falando dos meus sonhos por aí. Isso me fez ter esse perfil mais "na moral". Na verdade, tem até um estudo científico que diz que não se pode falar sobre seus objetivos antes de cumpri-los, porque o cérebro confundi isso com a própria ação em si. Isso pode causar um efeito de "pronto, já fiz isso." É meio maluco mas faz sentido, pelo menos pra mim. 


Submundo do Som - Deixa uma mensagem aí pra rapaziada que tá conferindo esse bate papo.


Rashid - Só gratidão... a força que me dão, a força que dão ao Rap, à música. Só agradeço.


Submundo do Som - Quais os canais de comunicação do Rashid? Pra quem quiser acompanhar o seu trampo, como faz?


Rashid - 

Twitter e Instagram: @mcrashidFacebook.com/RashidOficialYoutube.com/rashidoficial

Valeu, família!

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