Entrevista com o Grupo Face da Morte - PARTE I - #submundodosom

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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Entrevista com o Grupo Face da Morte - PARTE I



Submundo do Som - Por que o Face da Morte parou? E por que o grupo resolveu voltar? 

Face da Morte - O Face da Morte na verdade não parou, nós demos uma pausa. Nunca foi declarado oficialmente que o Face da Morte parou. O Aliado G fundou uma empresa de produção de eventos, a Sonata Produções, e a gente focou nisso como atividade principal naquele momento, pois a gente precisava sobreviver de alguma maneira para além da música. O Face da Morte é um grupo, que por escolher esse caminho de ser politizado, que leva uma mensagem que não é tanto de festa, e sim uma mensagem consciente, automaticamente você restringe quem vai ouvir suas músicas, e onde você vai chegar. Você não vai ver o Face da Morte na Globo, no SBT, você não chama alguém pra ir na sua casa pra falar mau de você, alguém que é contra suas ideias, então escolhemos esse caminho, que é muito mais difícil, mas é muito mais honroso.

Então foi isso, passamos a trabalhar com a produção de eventos, a música nunca foi secundária, mas ela foi ficando em paralelo. Somado a isso veio a pirataria, por que nossa principal fonte de renda era a venda de disco, pois fomos sempre um grupo que vendia muitos discos, então veio a pirataria, depois os downloads da vida, e aí acabou com o comercio fonográfico, e para viver só de shows era complicado, assim optamos por buscar outros meios, e aí demos uma pausa, mas o grupo nunca acabou.

O grupo voltou, o Aliado G entende que já deu sua contribuição para com o Hip Hop no Brasil, foram 16 anos de dedicação, 7 discos gravados, fora as coletâneas que têm músicas do FDM por aí, que são incontáveis, só da 105 FM se não me engano são 11 ou 12 volumes. Eu cheguei nele e disse: "Aliado, eu acho que o Face da Morte ainda tem muita lenha pra queimar, tem muito a contribuir com a cultura brasileira, com o hip hop do Brasil, eu acho que podemos retornar e fazer um projeto novo, se recolocar, com a mesma essência, mesma ideologia, mas de uma forma mais moderna, com uma roupagem nova. Nesse primeiro momento vamos fazer alguns shows com a discografia que já temos, mais através do saudosismo da galera, como o show de hoje e o da semana que vem. No futuro, lá pro ano que vem, pretendemos ter produtos novos, fazer novas músicas, novo disco, estamos nos organizando para o Face da Morte voltar a todo vapor!

Submundo do Som - Da hora Mano, por que no momento que vivemos, o rap, e a música brasileira, precisa de um grupo como o Face da Morte. 

Face da Morte - Eu acho que não é só o rap, o Brasil precisa nesse momento tão difícil que estamos atravessando politicamente, de coisas que são positivas e que acrescentam, o Face da Morte tem como papel não só de causar o entretenimento, mas também de provocar o debate, de levar a discussão para a molecada, de despertar na molecada aquela revolta e indignação do porque de tudo isso? Por que eu pago aluguel? Por que existem os Sem Terra? Que porra é essa? Por que um cara nasce nos Jardins e outro na periferia? Por que não é a mesma coisa? Por que existe essa desigualdade de oportunidades? 

Então essa função que damos como prioridade, que é provocar o debate, que é elevar o discurso, então nós entendemos que o hip hop tem esse trabalho, todos os elementos do hip hop e o rap tem que ter essa função social, tem que ter esse enganjamento.  

Submundo do Som - E você tem acompanhado a atual cena do rap? Essa modernização, a chegada do trap, uns timbres novos, umas ideias novas, que são diferentes da época auge do Face da Morte, como no finalzinho dos anos 90 e comecinho dos anos 2000.

Face da Morte - Eu acompanho, não sou um seguidor assíduo, mas acompanho na medida do possível. Nós temos uma vida muito atarefada. Eu e o Aliado G, que é meu irmão de sangue, nós temos um outro empreendimento na cidade que a gente mora, que é Santa Fé do Sul, mas eu escuto algumas tendências, e o Robin, que está aqui, e que vai me acompanhar no show, e no futuro vamos fazer algumas parcerias, é um cara que vai me sintonizando de muita coisa, ele fala pra mim como que tá o cenário, que tem isso, aquilo, tem o trap, e aí a gente vai se sintonizando.

Você deve tá pensando: "o Face da Morte vai cantar em trap?" Talvez..., mas as ideias sempre seram as mesmas, com a mesma essência. Basicamente, precisamos entender que quando o Face da Morte chegou no cenário do rap brasileiro, algum outro estilo de rap estava descendo para que outro subisse, como hoje, então temos que entender e acompanhar, por que se a gente for pagar de gangster e que temos que manter a originalidade, pode até manter, mas não vai acompanhar, não vai conseguir um novo público, não vai conquistar a juventude, não vai entrar na molecada de 15 ou 16 anos que hoje escuta um outro segmento. É rap? É rap, mas é um outro segmento dentro do rap, e temos que entender que a modernidade sempre vai vir e que temos que acompanhar. 


Mano Ed, o idealizador do retorno do Face da Morte

Submundo do Som - Como no novo disco do RZO, os caras se modernizaram mas não perderam a essência do que eles são, vieram com uma nova roupagem, mas mantiveram a cara do grupo.

Face da Morte - Por exemplo! Curti também o que os caras fizeram. Acho que esse é o caminho, sempre estar acompanhando, se você pegar os discos do Face da Morte você vai ver que tem uma mistura de vários estilos musicais, e muitas coisas que fizemos lá atras, e outros grupos estão fazendo agora. Estava até conversando com o DJ Rodrigo, e ele tava falando: "Pô, o Aliado G é um visionário!", por que nos três primeiros discos, o Aliado produziu sozinho, e no quarto disco eu comecei a compor e ajudar na produção, eu era mulecão, comecei tinha só 14 anos.


Submundo do Som - E nessa volta do Face da Morte, o que o público das antigas, que cresceu ouvindo o som do FDM, pode esperar desse retorno?

Face da Morte - A gente ainda tá iniciando o projeto. O Aliado G não vai estar mais se apresentando, mas vai estar sempre somando com as ideias.

Submundo do Som – Mas você acha que ele um dia pode voltar a cantar?

Face da Morte - Bom, isso aí só ele vai poder responder, ele é um amante do rap brasileiro, e da música em geral, ele ama escrever, ele ama fazer músicas, então não sei. Mas o que a galera pode esperar do Face da Morte é a mesma essência, a mesma ideologia, a mesma pegada, vamos sempre beber da fonte brasileira, por que a gente preza muito pelas coisas brasileiras, e que tem muita coisa ainda pra ser explorada, que a gente pode trazer a tona novamente. E também se modernizar, não vamos ficar atrasados, de só querer pegar base no N.W.A, por exemplo, pode ser que eu pegue, mas ai eu misturo com um Caetano Veloso, ou uma base do Snoop Dogg e misturo com Martinho da Vila e nasce um rap, nós não temos um formato.

Submundo do Som - O Face da Morte sempre fez parcerias incríveis no rap, como com o Realidade Cruel e o GOG. O grupo planeja alguma parceria pra esse projeto de volta?

Face da Morte - Com o Realidade Cruel temos conversas avançadas, e hoje temos abertura com outros artistas, como por exemplo o Emicida, levamos ele num evento e eu já admirava ele como artista e passei a admirar como pessoa, o GOG também é um parceiro das antigas, enfim pensamos sim em fazer várias parcerias.

Submundo do Som – Quais são as considerações finais Mano?

Face da Morte - A formação do Face da Morte é Mano Ed e Dj Rodrigo, o Aliado G não se apresenta mais, mas estará somando nas ideias, e mais pra frente vamos adicionar backing vocals. O Face da Morte ta de volta num formato novo, mas com a mesma essência.

Mano Ed e DJ Rodrigo, Só idéia forte aqui é Face da Morte

Submundo do Som -  E qual seu recado final Ed?


Face da Morte - O Face da Morte ta de Volta, está em atividade, e podem esperar de nós o que sempre esperaram: atitude e proceder através da rima!



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