2018 e o Retorno da Música de Protesto - Submundo do Som

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

2018 e o Retorno da Música de Protesto


O titulo aqui é provocativo, pois quem sempre esteve nas trincheiras não deixou de produzir ou consumir a dita “música de protesto”. Afinal o ritmo por si só é um protesto, mesmo que informal, mas sem cair pro campo filosófico, as músicas que colocam o dedo na ferida, principalmente falando da classe politica (e que ano tivemos nesse âmbito heim?), ficaram escondidas no undergound do seio musical.

Porém 2018, o ano que tudo deu errado, passou a produzir tal conteúdo com uma frequência maior, chegando aos holofotes do grande público (em um número ainda tímido se comparado com o público geral consumidor do Brasil). A crescente do fascismo, a idiotização em massa e a luta para que as coisas não piorassem (como pioraram e vão piorar mais) foram lenha para aquecer essa caldeira de músicas de protesto.

Obviamente não foi possível escutar todas, obviamente todas as músicas acompanhadas não estão listadas aqui. Essa é uma lista que destaca dez canções que durante 2018 foram usadas como hinos para protestar contra esse que ai está. Os sons não listados aqui, e que você sentiu falta, pode inserir ai nos comentários!

Primavera fascista

A música trata-se de uma cypher do Rap Br e reúne um time com Leoni, Mary Jane, Adikto, Axant, VK, Bocaum e Dudu, os MC’s capixabas se aglomeraram sob o selo Setor Proibido e mandaram uma “diss” pro candidato fascista. Utilizando-se de colagens de falas do hoje presidente, a música expõe toda a podridão desse ser , que pediu censura da obra, retirando-a do YouTube, no entanto o original rap nacional subiu novamente ao som em várias plataformas, como uma forma de bradar contra a censura.


Nenhum Direito a Menos

O cantor e compositor Paulinho Moska mira seus acordes para o Congresso Nacional, que aprova retrocessos e devido ao seu conservadorismo ferrenho retiram direito sociais e dos trabalhadores, que foram conquistados ao longo de anos e a base de lutas e sacrifícios. O som é um verdadeiro manifesto musicado, envolvente e preciso, além de corajoso.


Boca de Lobo

A música é fantástica, somada ao visual do clipe que rouba a cena. Criolo nos presenteou com verdadeira obra de arte ao mesmo tempo em que protesta contra vários escândalos, envolvendo figurões, que nunca serão punidos, passando pelo descaso em Mariana e a morte de Marielle Franco, dentre inúmeras outras referências, que gostaríamos que não existissem.


Golpistas

Caio Prado lançou um experimentalismo pop de protesto, num trabalho de vanguarda o artista carioca além de denunciar os golpes que dia após dia o brasileiro vem sofrendo, a música nos convida a sair de casa e se manifestar, e exclama o quão importante e preciso é ter que falar de politica. Bem verdade que a letra é de 2016, mas para esse ano teve uma nova roupagem com batida eletrônica se aproximando do trap.


No Passinho do Imbecil

Siloque não gravou apenas uma música pra bater de frente com o fascismo, e sim um álbum inteiro, o EP Guia Prático de Como Fazer Inimigos, chegou dando tapa na cara da sociedade. O rapper é um dos expoentes da vertente antifa no hip hop, com uma luta de longa data. E para representar seu trampo, “No Passinho do Imbecil”, o recém lançado vídeo clipe, que homenageia os alienados de direita e seu protesto festivo e coreografado.


Meu Nome Tá no Topo da Sagrada Planilha

Música de trabalho dos pernambucanos do Mundo Livre S/A e que integra o novo álbum A Dança dos Não Famosos. Dessa lista, talvez o som menos escrachado quanto em relação a um protesto direto, porém tem toda a ironia icônica de Zeroquatro direcionando suas linhas para a hipocrisia da sociedade, atacando o moralismo, consumismo e religião. A banda é uma das mais politizadas do país e tem em sua veia o protesto e a denuncia, de uma forma mais poética e indireta, desde o longínquo ano de 1984. 


Revolução dos Bichos

Amaro reuniu Taliz, Markao, Abirigine e Realleza num rap de protesto tendo como alvo as declarações racistas, homofobias e misóginas do presidente eleito, num trabalho muito bem feito de colagem. Cada MC versa sobre um fobia da sociedade e faz alusão a um animal, como por exemplo veado em relação aos gays, macaco em relação aos negros, a baleia orca em referência a gordofobia, e o peixe piranha em relação as mulheres, o que faz jus ao titulo da cyphers, “Revolução dos Bichos”.


Décimo Terceiro

A banda Cólera também soma em nossa lista com o som que integra o álbum Acorde! Acorde! Acorde!, lançado em 2018, primeiro sem o vocalista Redson, que faleceu repentinamente em 2011. A faixa é um protesto a sociedade consumista , que torra o que não tem para se sentir incluso em meio a pessoas vazias, que levam a aparência e os bens materiais a cima de outras questões básicas, as ideias dessa música vão de encontro ao título do disco, num verdadeiro presta atenção para essas atitude.


Disscanse em Paz

Dom Chinaski chegou pesado e sem respeito com um “diss” para o presidente fascista, no momento do lançamento ele era apenas candidato. Nesse rap Diomedes não mede as linhas e nem tece hipocrisia, fala o que todo combatente do fascismo almeja fazer, que é eliminar esse verme. A música discorre sobre todas as atrocidades que o infeliz presidente pronunciou provando que essa era a pior escolha para o comando da nação. Destaque para o verso que “Chinaski é pancada, facada, só que enferrujada, no bucho da maldita mídia” e para o trabalho gráfico da arte do single, que reuniu numa santa ceia ícones da esquerda mundial.


Manifestação

Fechando a lista tem a música lançada em comemoração dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 57 anos da fundação da Anistia Internacional, onde mais de 30 artistas se revezaram para dar voz a Manifestação. A letra foi composta por Carlos Rennó e aborda as constantes  violações de direitos humanos no país e pede pela mobilização dos civis. Participaram da criação da letra Rincon Sapiência e Xuxa Levy, enquanto que a melodia é assinada por Russo Passapusso, do BaianaSystem e engrossando o coro participaram Criolo, Péricles, Rael, Rico Dalasam, Paulo Miklos, As Bahias e a Cozinha Mineira, Luedji Luna, Siba, Xênia França, Ellen Oléria, BNegão, Filipe Catto, Chico César, Paulinho Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luís, Marcelino Freire, Ana Cañas, Marcelo Jeneci, Márcia Castro, Larissa Luz, Ludmilla e Chico Buarque e as atrizes Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D’Alva.


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