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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A poesia não se perde, ela apenas se converte...


Marcelo Yuka é uma ideia, há anos deixou de ser um mortal pra ser uma filosofia, essas palavras fazem mais sentidos para quem conviveu com o poeta, mas pra quem é fã desse cara tá ligado no que essas linhas querem dizer. Yuka foi à materialização da música em seu sentido mais amplo, a sonoridade que se desprendia de rótulos, atitude nas letras, em cima dos palcos e também fora deles, o que é o mais importante, discurso social que saiu da esfera das palavras e atingiu a prática.

Yuka é reconhecido como um dos maiores letristas do país, mas não eram apenas letras que ele escrevia, eram sentimentos, vivências, ritmos, ações e manifestos que seriam musicados, pelo O Rappa, O F.UR.T.O., ou os tantos parceiros que somaram no álbum “Canções Para Depois do Ódio”. Marcelo pescava ilusões, por entre os prédios enormes, e nos devolvia, em canção, o que sobrou do céu. Mesmo com um tribunal de rua que lhe tirou os movimentos das pernas, sempre rodeado de marginais, sempre acreditou que paz sem voz, não é paz, é medo.

Em dado momento de sua biografia Yuka nos dizia, não se preocupe comigo, mas eu não volto mais pra casa não. Como não se preocupar mestre? Estamos todos debaixo do mesmo sombrero, essa ego city nos afasta da gente de lá, das coisas tão simples, nos envolve em paradoxos, em terrorismos culturais, e você, mano, você combatia isso tudo, mental combate, e nos ensinou o caminho das setas.

Marcelo Yuka desafiou o mundo sem sair de sua casa, desafiou a morte, não foi uma e nem duas vezes, talvez por um motivo que lhe trazia fé. Yuka sobreviveu a infância, adolescência, sonhos frustrados, á fama, dinheiro, ego, deslealdade, tiros, sirenes, quartos, cadeira de rodas, recomeço e depressão, e mesmo assim, mesmo assim, se manteve fiel a suas convicções, a sua origem na baixada e não abaixou um milímetro da guarda em sua luta diária.

Essa luta é contra a desigualdade social, ao fascismo que cresce, contra a fome, que é um esperma por entre as pernas da violência, e com sua alma armada e apontada para essas questões que tiram o sossego, sempre militou, sempre fez das suas letras escudo, mas também espada, e de geração em geração todos respeitam o artista, poeta, ativista, ser humano, a ideia, Marcelo Yuka.

Que o movimento das massas seja para um cortejo milenar, ou algo mais explicito, para sempre lembrar dali, até você, de você mestre. A carga foi pesada, teve dia em que o homem se cansa, mas a ideia não, ela voa e repousa em nossos corações, nesse momento, como força pra continuar. Teu legado ficou mano, cada letra, cada frase, cada pensamento compartilhado vai ser uma arma pra essa luta incansável pelo senso comum, vai ser arma para a luta pelo fim das armas, vamos disparar ideias, atingir a todos. Tú sempre será inspiração!
Skunk, Chico Science, Sabotage, Speed e Chorão te recebam mestre, aqui seguimos cantando tua poesia, paz sem voz, não é paz é medo!

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