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domingo, 6 de janeiro de 2019

Chorão e o Rap


"No embalo do hip hop, do reggae, do ragga, do rock, não tem stop!" Diz verso da música “União” do Charlie Brown Jr, e sintetiza bem como o Chorão era um caldeirão de referências musicais. No rap, o roqueiro transitava levemente, sempre trazendo o gênero para dentro de seus discos e indo até outros parceiros para somar na cena!

Em 1997 a banda de Santos lançou seu primeiro disco, o Transpiração Continua Prolongada, e logo na estreia mostrou essa mistura, além de ska e hardcore, o grupo apresentou a faixa “Lombra” que contou com o rapper PMC e o DJ Deco (ambos do Jigaboo), um clássico rap de raiz, sem dever nada para os figurões da época, dentro de um álbum de rock. Isso iniciou uma tradição para a banda, no segundo disco, Preço Curto, Prazo Longo, PMC e DJ Deco retornam, dessa vez em duas faixas: “12+1” e “Deu Entrada Pra Subir”, repetindo a dose. Nesse mesmo ano de 1999, Chorão participa do álbum As Aparências Enganam, do Jigaboo, na faixa “Vai Pirar”, que fala justamente de mistura e têm toda a essência e estética do hip hop do começo dos anos 90.

Ainda no Preço Curto Prazo Longo, na faixa “União”, citada acima, participaram Consciência Humana, De Menos Crime, Radja de Santos e Homens Crânio, apesar de ser uma música curta, esse som fez muito barulho, parte pelos vocais de ragga, e partes incidentais de clássicos como “Fogo na Bomba”, por exemplo, e a produção que incluiu um berimbau e beatbox revesados por Radja e Champignon. “União” foi a primeira música de um banda de rock que entrou na coletânea Espaço Rap, da Rádio 105 FM, esse fato só foi repetido em 2001, com a banda Ultramen.

Apresentação de Charlie Brown Jr e De Menos Crime, cantando "União"

No terceiro disco do Charlie Brown Jr colou a banca do RZO, estão presentes ali Helião, Sandrão, Negro Útil, Sabotage, Negra Li e o Velho Badú. A Negra Li participou do reggae “Não É Sério” e os demais no clássico “A Banca”, uma “cyphers” antes mesmo do termo ter fama em solo brasileiro. Ainda nesse álbum, o Nadando com os Tubarões, participou o grupo De Menos Crime em duas faixas “Somos Extremes no Esporte e Na Música” e em “No Desafio, Ibiraboys / A União Prevalece”, sendo na primeira junto com o grupo Controlamente e na segunda com o Radja de Santos, ainda há a faixa “Talvez a Metade do Caminho” um rap com trechos melódicos e instrumentos orgânicos, tocados pela banda, e as faixas “Ralé” e “Fichado” exclusivas do CBJR e com elementos do hip hop.

Ainda em 2000. Chorão participou do disco de estreia do Maestro do Canão, na faixa “Cantando Pro Santo”, fazendo uma clássica dobradinha com Sabotage, que começou em “A Banca”, passou por essa participação e foi até o som “Marginal Alado”, em que Chorão e Sabota mandam bronca em cima de um instrumental de AC/DC. No quarto disco não teve essa veia rap, mas Chorão colou com MV Bill, em 2002, em seu álbum Declaração de Guerra na faixa “Cidadão Comum Refém” e trouxe versos inéditos para o feat com o rapper carioca. Nesse mesmo ano a banda lança o quinto disco Bocas Ordinárias, e na faixa “Somos Poucos, Mas Somos Loucos” em que a música varia do rap, para o rock, para o ragga e novamente para o rap, Chorão repete versos que fez com Bill em Cidadão Comum Refém e referência Black Alien e Speed em “Vozes da Seca”.

Chorão e Sabotage, na favela do Canão

O álbum Tamo aí na Atividade foi repleto de influências do rap, logo na intro “Malabarizando” temos o peso do hip hop, em mais uma faixa mutante, que vai do rock ao rap, a faixa titulo, apesar de ser um reggae, também apresenta uma cara de rap no flow de Chorão, em seguida as faixas “Di-Sk8 eu Vim” um rap sobre a cultura do skate, e “Di-Sk8 eu Vou” a mesma música mas com banda e uma cara roqueira, mas sem perder a marra do hip hop. No disco seguinte Imunidade Musical, do ano de 2005, Chorão contou com a participação dos irmãos raperos Rappin Hood e Parteum em “Cada Cabeça Falante Tem Sua Tromba de Elefante” um rap muito bem produzido e com peso de guitarras, ainda houve o clássico boom bap “Green Goes” junto com os manos do Sacramentos MC’s, grupo erradicado em São Francisco EUA, e o ragga “Na Palma da Mão”, com o Conexão Baixada, numa verdadeira mescla de rap, reggae e hardcore.

Em 2007 no álbum Ritmo, Ritual e Responsa, que contém a trilha sonora do filme O Magnata, que tem a participação de Marcelo D2 e do grupo SP Funk, além do Radja de Santos, nessa obra Chorão repete a parceria com MV Bill em “Sem Medo da Escuridão”. No ano de 2008 o rapper Pregador Luo chama Chorão para participar de seu segundo álbum, o Música de Guerra – 1 ª Missão de Guerra, e juntos lançam a música “Nada É Impossível”, nesse mesmo ano Zeca Baleiro lança o álbum O Disco do Ano, que conta com feat de Chorão em “O Desejo”, música que foi muito executada no programa Espaço Rap, da rádio 105 FM. Em 2009 a faixa rap do disco Camisa 10 Joga Bola Até Na Chuva foi a marcante “Puro Sangue”, que fala sobre os erros e acertos da caminhada.

MV Bill e Chorão no palco!

O último disco de Chorão foi o La Família 013, lançado após seu falecimento, nessa obra o vocalista do Charlie Brown Jr se encontra depressivo e diferente do que os fãs conheciam, sendo um disco quase que inteiramente de baladas triste, o que mais se aproxima de um rap, é o reggae “Fina Arte”, em que vários trechos o cantor acelera o flow trazendo trejeitos do hip hop para o vocal.

A relação de Chorão com o rap é imensa e intensa, o cantor foi um verdadeiro amante do hip hop, vale citar que o grupo De Menos Crime cita a banda Charlie Brown Jr, junto com outros grandes nomes do rap nacional, na música “Periferia Invadindo o Sistema” do disco De São Matheus Pra Vida, e Emicida, hoje um dos principais rappers do Brasil, em 2017 na comemoração de 10 anos de Triunfo, regravou a música “Como Tudo Deve Ser”, como uma forma de homenagear Chorão.

O vocalista do Charlie Brown também participou da faixa "Aqui Ninguém Valeu Um Vintém", de Black Alien e Speed, junto com Tolerância Zero, BNegão, Xis, Pavilhão 9 e Paulo Napoli. A faixa iria compor o album Na Face, da dupla carioca, que nunca foi lançado, mas para alegria dos fãs a música veio a público e pudemos curtir:

Música "Aqui Ninguém Vale um Vintém"

Novamente junto com Black Alien e SpeedFreaks, Chorão fez uma lendária apresentação, na verdade trata-se de um show da banda santista no Rio de Janeiro, e a dupla chegou junto, também colou o Nino Rap, da banda da baixada fluminense Nocaute, nesse episódio Chorão faz freestyle e canta "Esilo do Gueto" do Mr Niterói!

Jam Session com Chorão, Champignon, Nino Rap e Black Alien & Speed Freaks

Pra finalizar, no Planeta Atlântida de 2013, um dos festivais que Chorão mais gostava, ele fez uma participação no show dos Racionais MC’s, realizando um sonho de estar junto com os ídolos. Helião, do RZO, conta que Chorão tinha uma magoa por nunca ter conseguido gravar com os Racionais, e aquele momento dele em cima do palco com os rappers foi um dos maiores momentos da vida de um dos maiores nomes da música do Brasil.

Chorão e Mano Brown, Planeta Atlândida 2013

Abaixo uma playlist que preparamos com músicas de Chorão no estilo rap, sejam em álbuns do Charlie Brown Jr ou como participação em discos de outros artistas:


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