Entrevista com o rapper Nego Max - Submundo do Som

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Entrevista com o rapper Nego Max


Salve! O Submundo do Som trocou uma ideia com um dos maiores nomes do rap nacional, diretamente do Vale, o rapper Nego Max chegou junto pra falar sobre sua carreia, seu trampo Afrokalipse, a cena 012 e sobre muito hip hop. Se liga aí:
(Abaixo você confere também a entrevista em aúdio, no Spotify e YouTube)

Submundo do Som - Salve mano, primeiramente muito obrigado pelo bate papo, seguindo aqui o protocolo, diz pra nós, quem é o Nego Max?

Nego Max - Então, Nego Max é Erickson Max Fortes Pereira, nascido no dia 22 de Março de 1989, no hospital Hinja, na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Filho da Letizia Fortes Alves com Walciney Luiz Pereira. Hoje fazendo rap há 10 anos e tentando me manter consciente e são nesse mundo doente.


Submundo do Som - Mano sua entrada no hip hop foi através do break né? Como foi a transição para o rap, e como você vê o distanciamento dos elementos dentro da cultura hip hop? 


Nego Max - Eu sempre gostei da dança, e essa foi a primeira coisa que me atraiu na cultura hip hop. E aí por colar com meu primo e os amigos na cidade de Taubaté, onde eles faziam parte da cultura, além de dançar, jogavam basquete, faziam rap, andavam de skate, tá ligado? E no meio de todas essas culturas de rua que me foram apresentadas, o rap foi o que mais me impressionou, foi o que mais se comunicou comigo, e daí eu fui para cima. O distanciamento [dos elementos] eu vejo na verdade como um bagulho relativo, por que se você for ver, pelo menos nas quebradas, o graffiti e o break ainda acontecem de um jeito bastante importante, eu acho que na verdade é só a visibilidade do rap que é maior com o crescimento das redes sociais e a globalização. Eu acho que o MC, que é o front do da cultura hip-hop, no sentido da palavra, de levar o verbo, ele ficou mais destacado, mas eu acho que os b-boys, o graffiti, os DJ’s e todos os outros elementos ainda estão muito forte, tá ligado?


Submundo do Som - O Vale tem uma magia, ande os MCs que vêm da região têm uma energia fantástica, lírica afiada, contundência nas letras e tudo isso como se fosse um louvor, qual o segredo da cena 012? 


Nego Max - Essa daí é uma pergunta cabulosa que todo mundo quer saber né? As pessoas perguntam se é a água, se é a comida, e na verdade é por que eu sinto que lá no Vale, por ser interior, as pessoas estão em mais em contato umas com as outras, tá ligado? Estão um pouco mais com os pés no chão, eu acho que a arte vem com toda essa responsabilidade e compromisso com a vida, por que a gente está longe do fluxo da capital e acaba, entre aspas, não se iludindo com esse movimento, a gente no Vale faz a nossa própria movimentação e lá por ser uma região muito rica, tanto em natureza, quanto em tecnologia, quanto em religiosidade, faz a gente vibrar muito esse tipo de mensagem, eu acho que é isso que conectou muitas pessoas ao redor do Brasil e do mundo com nossas ideias, com a nossa mensagem e com a nossa “verdadeiragem”!


Submundo do Som - E falando em louvor mano, como você vê a relação do lado espiritual com o rap? Ainda mais numa fase onde fãs declaram MC’s deuses e MC’s concordam?


Nego Max - Cara o bagulho é louco mano, essa fita, por exemplo, de que todo MC é um deus, e os MC’s concordam com os fãs que dizem isso, é o seguinte, todo MC é um deus, igual todo ser humano é um deus, igual todo cozinheiro é um deus, toda costureira é um deus, igual todo mundo é deus. Do lado da espiritualidade eu acho que já anda junto com a música, tá ligado? Eu acho que não é uma parada que existe separada, as primeiras pessoas a fazerem música foi para contato espiritual, né mano? Os nativos da terra batiam pé no chão, faziam as localizações, tocavam tambor para chamar chuva ou para fazer contato com o grande espírito ou para ritual de fertilização, para ritual de nascimento ou para ritual de partida. Música sempre esteve envolvida nesses momentos, tá ligado? Faz pouco tempo que a música virou o que é hoje, comercial, só para entretenimento, e por isso que as músicas estão cada vez mais descartáveis, uma música que você faz, mas daqui um mês tem que fazer outra, por que não é um bagulho que alimenta as pessoas, a mesma coisa de você almoçar sem feijão, tá ligado? Se eu almocei sem feijão e passou uma hora, preciso me alimentar de novo e a espiritualidade quando ela é ponderada, já que hoje em dia foi colocado como duas coisas diferentes, uma coisa a gente não pode esquecer é sempre de trazer, por causa que a espiritualidade é o primeiro e último nível da vida, e se a gente quer entender, quer conhecer, quer se transformar, a gente tem que parar para analisar nossa espiritualidade. O rap como ferramenta do jovem no Século XXI, não tem como, a gente tem que trazer isso daí para os nossos, já que a gente está procurando harmonia, está procurando igualdade e está procurando o autoconhecimento a gente tem que falar espiritualidade, não tem como.


Nego Max zika do Vale

Submundo do Som - Você acha que foi esse seu lado espiritual, sua fé, que te ajudou a suportar os momentos barra da vida, como por exemplo o exílio?


Nego Max - Certeza mano, essa fé que me motivou a não parar no meio do caminho, em querer tá bem e tá preparado para levar essas ideia para todas as pessoas, por que se não ia ser mais um que o sistema mata, para eles é muito mais conveniente ver eu louco na rua, morto, ou dentro de uma cadeia, do que tá na rua levando as minhas ideias, tá ligado? E foi a fé da importância que eu dou para música e ao mesmo tempo para o Nego Max que fez eu segurar a barra, e sair para rua com dez vezes mais vontade de ganhar o mundo!


Submundo do Som - Falando de seu trampo Nego, o álbum “Afrokalipse”, que chegou pesado. O que ele representa na sua vida, sua carreira, e onde você quer que ele chegue?


Nego Max – “Afrokalipse” é o bagulho mais louco que eu já fiz na minha vida mano. “Afrokalipse” é “Afrokalipse” e acabou, tá ligado? E esse disco é muito importante para mim, muito! É o segundo disco que eu lanço na minha caminhada, e ele já veio com uma carga de vivência no rap que o primeiro não teve. Quando eu gravei meu primeiro disco eu ainda trabalhava de porteiro, eu tava mais ocupado com a vida secular, por assim dizer, do que com aquele apetite de rap mesmo, depois que eu lancei ele, abriram portas para eu circular pelo Brasil, levando as minhas ideias e conhecendo pessoas, e aí com toda essa experiência, com toda essa energia, com toda essa maturidade adquirida eu fiz “Afrokalipse”, que pra mim é uma das obras mais completas que eu já fiz na vida, ele tem lugar muito especial, acredito que eu vou fazer mais uns dez álbuns, mais vinte, trinta, mas o “Afrokalipse” terá um lugar especial para mim, quero que ele chegue no mundo inteiro, a música é universal e atemporal, o que eu fiz e pensei lá em São José dos Campos reverbera no universo inteiro e vai estar aí para sempre, tá ligado? Então Nego Max estra aí para sempre, e é isso mano, quero que  chegue em todo mundo.


Submundo do Som - Qual a diferença desse trampo pros anteriores?


Nego Max - A diferença desse trampo para o primeiro, que foi “Testemunha Criação” é justamente a tal da maturidade, quando fiz “Testemunha Criação” eu tava trabalhando de porteiro, estava mais preocupado em pagar aluguel do que fazer música, tá ligado? E aí quando eu entrei em estúdio para gravar o “Testemunha Criação” eu já estava com 7 músicas prontas e daí eu entrei de férias no serviço e fui para o estúdio fazer ele, tá ligado? Entrei no estúdio lá na Matreiro, Unidade 2, junto com o DJ Willião e comecei a gravar e aí esse trampo abre muitas portas para mim, e o “Afrokalipse” já veio com toda essa experiência, tá ligado? Até porque também depois que eu lancei o “Testemunha Criação” eu consegui parar de trabalhar para os outros e comecei a trabalhar só para mim com o rap. O “Testemunha Criação” veio com todo esse aprendizado com toda essa energia, já o “Afrokalipse” eu sinto que é bem mais, sinto que ele se comunica muito mais com o Brasil, porque ele é muito mais, eu diria, que social, acho que o que abrange mais a sociedade, o “Testemunha Criação” sinto que era uma parada mais interna, mais individual, o “Afrokalipse” ele é geral, coletivo, já é algo mais pro todo, tá ligado?


Confira na integra o álbum Afrokalipse


Submundo do Som - E para os manos que estão a fim de conhecer um trampo novo, o que você pode indicar?



Nego Max – Eu vou indicar um monte de nome aqui e você vai anotando aí: tem um menino chamado Victor Xamã, de Manaus, maluco é brabo! Outro maluco chamado Joker, aqui de São Paulo, da zona sul, maluco é bravo! Tem um menino chamado Cab, de Jundiaí, o maluco é bravo! Tem uma menina chamada Bianca Hoffmann, lá de Ponta Grossa, que mora aqui em São Paulo, ela também é brava! Tem uma irmã chamada Karen Santana, que lançou um disco ano passado, que eu também tive a honra de tá ali ajudando a organizar as ideias, a menina é brava também! Tem uma irmã do ABC chamada Alinega que é brava também! E puta mano tem mais um monte aí, tem um cara, o AXL, de Jacareí, que é bravo também! Tem o Cruz, da Zona Norte de São Paulo, negão bravo também! E é isso cara não vou falar todo mundo não porque eu vou esquecer, mas todos esses que eu falei você coloca na entrevista que essas pessoas são importantes!

Submundo do Som - Mano, de quem não está mais ativo na cena, qual artista que você sente mais falta e porquê?

Nego Max - Pode crer mano, acho que Sabotage e Dina Di, né mano? Acho que se eles estivessem vivos hoje, muita coisa poderia estar diferente no nosso cenário do rap, tá ligado? Acho que é isso aí, as duas pessoas que eu penso. Por que as outras pessoas podem não estar ativas em questão de net, de tá fazendo shows, de tá circulando, mas as pessoas ainda estão ativas na minha cabeça, no meu coração, tá ligado? As músicas estão aí, quando eu precisar de buscar, de acessar, de me alimentar disso, essas pessoas ainda estão através das suas músicas, então é isso.

Submundo do Som - Quais os sonhos que o Nego Max ainda deseja realizar nessa caminhada pela música? 

Nego Max – Nossa mano, tem vários... tem vários, eu quero conhecer o mundo inteiro fazendo música, tá ligado? Quero fazer som com Seu Jorge, quero fazer só com o Red Hot Chili Peppers, com o System of a Down e ter o meu próprio avião (hahahaha).

Submundo do Som - Mano, pra quem acompanha esse bate papo, que mensagem você deixa?

Nego Max – A mensagem que eu deixo mano, é o seguinte: acredite em você e não tenha medo de ter ideias novas, tá ligado? Porque a revolução vem através da mudança, quando a gente está estagnado as coisas não acontecem. Então temos que ter ideias novas, coisas novas tem que estarem surgindo, brotando pela gente a todo momento e a gente vive numa sociedade onde a auto-descoberta, a consciência, são algo que não é interessante para os governantes, eles não querem que a gente se empodere, que é o da hora dessa palavra “empoderar-se”, que é tomar seus poderes de volta, isso daí não é interessante para eles, então o incentivo e a palavra de motivação que eu tenho para esse momento é essa daí mano, não tenha medo de ter ideias novas e colocá-las no seu dia a dia.

Submundo do Som - Pra quem quiser acompanhar mais de perto seu trabalho, quais os canais de comunicação?

Nego Max - Os canais de comunicação que eu sou mais ativo é o YouTube e o Instagram mesmo. No Facebook eu dou uma passadinha de vez em quando para ver o que que tá acontecendo, mas o Instagram e o YouTube é onde eu estou mais ativo. No YouTube é onde eu posto as músicas e no Instagram é onde eu converso com a galera.


Áudio Entrevista

No Youtube

No Spotify

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