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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Skank Calango


Em outubro de 1994 a banda mineira Skank lançava seu segundo disco, intitulado Calango, o trabalho saiu pelo selo Chaos, e apresentou uma mescla original de ska, reggae e pop rock. Gravado no Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro-RJ, o álbum teve produção de Dudu Marote, que havia assinado a produção do disco Hip Hop Cultura de Rua, o primeiro do gênero no Brasil. “Calango” ainda contou com a própria banda e com Marcos Gauguin na produção.

A arte da capa trata-se de uma fantasia para comemorar a Copa do Mundo de 94, e o empresário Fernando Furtado, viu em uma reportagem e curtiu, então o baixista Lelo Zaneti se vestiu o personagem para as fotos do projeto gráfico, que foi assinado por  Ilson Lorca. O álbum abre com “Amolação”, uma mistura de ska e dub em letra cômica, porém séria, que aborda a questão rural e dilema de um boia-fria que desconfia da fidelidade de sua esposa.

"Labutei na roça, labutei no milharal

Labutei passando bem
Labutei passando mei mal
Bruma no cérebro dela de repente
Brus tão brusca, brus bruscamente"


A faixa dois é “Jack Tequila”, um reggae raiz, mesclado com balada, com o delicioso assovio que cantarola a melodia, a música aborda nuances e romances no estado mineiro, enquanto traz como plano de fundo a figura quase que mística de Jack Tequila, que causa frisson nos rapazes da área.

"E se não for, já foi

O bonde do desejo segue rumo

Caixa, bumbo e sexo
Saudade na rampa do mundo
Seu nome é Jackie, Jackie Tequila
Seu nome é Jacqueline Misty iê iô Tequila"


Seguindo temos “Esmola”, que apesar do suingue, da guitarra marcando no reggae, e uma aceleração nas notas que beira um ska, tem uma letra mais escrachada quanto à questão social, e aborda o descaso no Brasil. Essa canção tem a alma dos anos 90: a diversão levada a sério!

"Uma esmola pr'o desempregado

Uma esmolinhaPr'o preto pobre doenteUma esmolaPr'o que resta do BrasilPr'o mendigo, pr'o indigente..."


Na canção quatro, “O Beijo e a Reza”, uma balada que aborda o romance de um marinheiro, que na contramão da tradição de deixar um amor em cada porto, se apaixonou e quis voltar para um reencontro.

"Quem avista a ilha do amor

No mar só se dá bemUm peixe que eu pesquei me fisgouFui seu peixe tambémMe dá um beijo, que o beijo é uma reza pro marujo que se preza"


Depois tem a música “A Cerca”, que trás uma glorificação do rural, onde dois caipiras discutem sobre os limites de propriedade de cada um. O estilo musical apresentado é o calango, ritmo originário de Minas Gerais e que dá nome ao disco, em que há dois trovadores numa espécie de disputa.

"Terequitem, ô pra cá você não vem

Terequitem, que eu conserto a ti também

Terequitem, ô pra cá você não vem
Terequitem, te prego um prego também"


Na faixa seis, “É Proibido Fumar”, uma regravação de Roberto Carlos, onde originalmente a banda gravou para o disco-tributo de Roberto Carlos REI, produzido por Roberto Frejat, e também lançado em 1994, aqui numa versão mais rock e dinâmica.

"É proibido fumar

Diz o aviso que eu li

É proibido fumar
Pois o fogo pode pegar
Mas nem adianta o aviso olhar
Pois a brasa que agora eu vou mandar
Nem bombeiro pode apagar
Nem bombeiro pode apagar"


N faixa sete, “Te Ver”, uma canção mais pop e grande sucesso da banda mineira, sendo executada em diversas rádios de norte a sul do país. Aqui o Skank declama seu amor através de analogias de situações contrastes:

"É como esperar o prato

E não salivar

Sentir apertar o sapato
E não descalçar
É ver alguém feliz de fato
Sem alguém pra amar
É como procurar no mato
Estrela do mar"

Chega Disso!” é a oitava música com sonoridade dançante e que se aproxima do ragga, calypso, e do próprio calango. A letra fala de festa, do agora, mas flerta com as questões sociais também, lembrando que há a desigualdade entre as classes.

"Bamba quando sai o samba liga o automático

Solidariedade, caridade e senso prático

Signo de touro, tudo que por dentro é ouro
Aflora a batucada na barriga da manhã"

Seguindo temos a música “Sam” que abusa do bumbo e caixa numa sonoridade que se aproxima do rap, mas não o rap feito em 1994, e sim numa roupagem mais pop e moderna. A letra mostra a personagem, que dá nome a canção, que foge das rotinas em busca de uma nostalgia:

"Chuva sobre chuva, noite e dia só chovia

E eu descia para a rua

No meio da avenida um amigo me via
Aonde você vai, Sam?
Vou ali, depois te conto
Chuva tão sem graça, tudo que aborrece passa
Logo o sol ensolarava
Passando pela praça uma gata me mata
Aonde você vai, Sam?
Vou ali depois te beijo"


A penúltima música é “Estivador” e aborda a rotina pesada dos trabalhadores nos portos, entre a descarga de sacarias há o amor, a intriga, a diversão e a forma de encarar a vida. Essa é uma música que enaltece o trabalhador, principalmente o portuário, mas não é uma levada triste e melancólica e sim uma balada animada que faz pensar que o trabalho árduo valha a pena no final de um dia.

"Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga

E Capo é um bom selvagem

Empurra o fardo com a barriga
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador, sou estivador!"


E Fechando o disco à faixa “Pacato Cidadão”, que injeta novo animo no álbum, numa espécie de “fechar com chave de ouro”. A música é uma das mais conhecidas do Skank e faz criticas sociais ao Brasil dos anos 90, trazendo fulano que divide os vocais com Samuel Rosa.

"Pra que tanta TV

Tanto tempo pra perderQualquer coisa que se queira
Saber querer
Tudo bem, dissipação
De vez em quando é "bão"
Misturar o brasileiro
Aaaaai!
Com alemão
Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização"


O álbum Calango é um retrato do Brasil, na visão de uma banda mineira, um disco politico e ao mesmo tempo lirico, a poesia do Skank trás a verve dos anos 90, abordando a desigualdade social e as mazelas que assolam a sociedade e a mistura de ritmos, a mescla de regionalidade, como o calango, ritmo mineiro, com o bom rock e o reggae que dá a originalidade a esse projeto. Confere aí esse álbum: 


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