Entrevista com a banda Sapataria - Submundo do Som

Breaking

Home Top Ad

Post Top Ad

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Entrevista com a banda Sapataria


Submundo do Som - Salve! primeiramente agradeço muito pelo bate papo, e seguindo o protocolo, peço pra banda por favor se apresentar, quem é a banda Sapataria?

Sapataria - A Sapataria é uma banda de punk/hardcore formada por quatro lésbicas que se reuniram com a vontade de cantar sobre suas vivências. Moramos em São Paulo, capital, e começamos a tocar juntas no final de 2016. Somos Zu (vocal), Dan (Baixo), Marina (Guitarra) e Isabelle (Bateria).

Submundo do Som - Dentro da cena punk/hardcore quais são as influências da banda?

Sapataria - Nos inspiramos em bandas que tem um a mensagem feminista e LBGT como Teu Pai Já Sabe?, Dominatrix, Charlotte Matou um Cara, Ratas Rabiosas, etc.

Submundo do Som - Tem o vocal inspirado no rap também né? O que vocês ouvem de música no geral?

Zu: Ouço bastante Rap, Hip Hop, Indie, MPB e músicas de capoeira. No começo só ouvia rap masculino, mas depois descobri pessoas e grupos incríveis como Rap Plus Size, Gabi Nyarai, Luana Hansen, entre outras. Ter descoberto a batalha de rap feminina da Dominação foi muito importante pra mim, tanto na questão do conteúdo quanto da representatividade no vocal.

Marina: Eu acho que sou a única da banda que só escuta punk rock hahaha! Eu realmente amo punk e hardcore, pode ser HC Melódico, hc ny, Punk 77… A maioria das coisas que eu escuto são ligadas a essa cultura.

Submundo do Som - O Brasil é um país preconceituoso, ainda mais agora com essa onda conservadora crescente, e é difícil ser artista, ser mulher, ser gay ou lésbica. Quanto que a música, o punk rock, ajuda a combater isso?

Marina: Eu vejo a música como um ponto de partida para abrir discussões e levantar bandeiras. Durante a minha adolescência aprendi sobre veganismo através do som de diversas bandas straight edge, não foi só a música que me fez aderir ao veganismo, mas foi importante para começar a me questionar sobre isso e mudar algumas posturas. Para mim arte e cultura são instrumentos para questionar padrões impostos. O punk rock surgiu como um som engajado e pode combater preconceitos trazendo debates que podem ser aprofundados através de zines, rodas de conversa, leituras e outras atividades.

ZU: Eu encaro a importância do nosso som.

Submundo do Som - Nesse período de governo contra as minorias, como vocês acham que vão ser as coisas, tanto como banda, representantes da classe artística, como garotas que têm uma opção sexual que não agrada o atual chefe de estado?

Marina: O governo do atual presidente não tem um canal de comunicação claro, volta atrás de medidas já tomadas e instaura o caos com declarações polêmicas que instigam ações violentas contra minorias. Serão anos complicados e em que a oposição terá que se unir para barrar medidas de retrocesso cada vez maiores.
Em relação à população LGBT penso que os maiores ataques por parte do governo serão destinados aos transsexuais com a retirada do direito à saúde e tratamento pelo SUS.
Com declarações violentas gays e lésbicas estão cada vez mais vulneráveis e inseguros na rua e expostos a todo tipo de violência por parte da população que teve seu discurso de ódio validado apos a eleição.

Submundo do Som - E o que o EP “Sapataria” representa na carreira da banda, e qual a principal mensagem que vocês quiseram passar com esse álbum?

Sapataria - O EP é nosso cartão de visitas, ficamos muitos felizes com a gravação e representou um marco na história da banda. Recebemos mais convites para tocar e podemos levar nosso som cada vez mais longe!

Nossa principal mensagem é a representatividade lésbica, direta e crua.



Submundo do Som - E depois desse disco, quais serão os próximos passos da banda?

Sapataria - Queremos tocar muito e em muitos lugares, fazer um videoclipe ainda esse semestre e divulgar cada vez mais nosso som.

Submundo do Som - O underground tem uma característica de que se não há shows e eventos, a cena cria os picos. Acho da hora se vocês puderem citar os lugares que vocês já passaram principalmente os que abrem as portas pra musicalidade e fecha as portas pra qualquer preconceito.

Sapataria - Já tocamos em muitos lugares ao longo desses anos! A Associação Cecília sempre abre espaço para eventos como o Apoia Mútua Fest, Dyke Fest e Distúrbio Feminino. Também tocamos bastante no Underground Club em festivais como Resistência Transviada. Além desses dois tem o Estúdio Aurora que recebe diversos shows e bandas com mulheres!

Submundo do Som – Dos artistas que não está mais ativos na cena, de quem vocês sentem mais falta e por quê?

Marina: Eu estou muito ansiosa pra ver a volta da Charlotte Matou um Cara, a banda ficou sem tocar devido a um acidente e estou mais de um ano morrendo de saudades.

Submundo do Som - Quais os sonhos que a banda Sapataria quer realizar nessa caminhada pela música?

Marina: Meu sonho é mostrar para meninas lésbicas que não aceitam sua própria sexualidade que está tudo bem, que elas não têm nada de errado e que é maravilhoso ser sapatão! Também quero tocar com bandas que eu sempre sonhei como a peruana Tomar Control, ou quem sabe tocar junto com o Distillers.

Submundo do Som - Pra quem acompanha esse bate papo, que mensagem vocês deixam?

Sapataria - Sigam a gente nas nossas redes sociais e acompanhem nossa agenda!

Submundo do Som - Pra quem quiser acompanhar mais de perto o trabalho da banda, quais os canais de comunicação?

Sapataria - Estamos sempre atualizando nossa agenda no Facebook e Instagram!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Bottom Ad

Páginas