Hip Hop Cubano: Parte I - A Cultura Na Ilha da Revolução - Submundo do Som

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Hip Hop Cubano: Parte I - A Cultura Na Ilha da Revolução


Hip Hop é sinônimo de revolução, uma cultura, que apesar de nascida em um país (sempre com influências de outros, é claro), não se prende a nacionalidade, e sim á aspectos como classe social, etnia e meio ambiente, e por isso o movimento, ou a cultura hip hop, eclodiu pelo mundo, sem se esbarrar em fronteiras físicas, piscas, filosóficas ou de idiomas. E O Submundo do Som, nesse texto, #VaiPraCuba com o objetivo de trazer um pouco da história do hip hop na ilha socialista.

O Movimento Hip Hop em Cuba, assim como no Brasil, chegou nos anos 80 através do break. Transmissões de TV vindas de Miami trouxeram a febre da dança para a ilha caribenha. No entanto, com a queda do murro de Berlim e o dissolução da União Soviética, principal parceiro econômico de Cuba e quem ajudava a driblar o bloqueio imposto pelos EUA, os jovens adeptos do movimento passaram a se expressar também pelo microfone entoando poesias que externavam os sentimentos reprimidos pela fase mais dura que o pais atravessava, e assim nos anos 90 nascem os primeiro “raperos” do país.

O Hip Hop chegou a Cuba com muita desconfiança, não só do governo de Fidel Castro, mas também pela comunidade, que o via como uma invasão cultural dos EUA, e assim como o rock n’roll, nunca foi proibido na ilha, porém também não era incentivado pelo governo. No ano de 1999, o governo cubano se curvou diante do Hip Hip, e declarou o movimento como autentica expressão cultural cubana, isso após perceber como legitima as manifestações (que não eram contra o governo, e sim a questões externas) e como boa influência os valores da cultura, e para fomentar a cena fundou a Agência Cubana de Rap, a qual fornece a gravadora estatal para que os grupos possam gravar seus trabalhos, além de publicar a revista voltada ao Hip Hop, chamada “Movimiento” e dar apoio ao festival anual Cubano de Hip Hop.

Adeptos do movimento Hip Hop em Cuba

A periodicidade da revista é trimestral e é dedicada a cultura Hip Hop em Cuba, abordando com perfil temático e crítico todo o que acontece no país e também fora dele. A revista é direcionada ao artistas, adeptos da cultura, estudiosos do tema e demais interessados no desenvolvimento sociocultural do Hip Hop.

No inicio, o rap em Cuba seguia a tendência estadunidense, e se inspirava em artistas como 2 Pac e Notorius Big, mas aos poucos a cena cubana foi se modificando, com os raperos voltando-se a suas realidades e mesclando o gênero mundial com os ritmos culturais do país. O rap em cuba nasceu no underground, como na maioria dos países, em pequenas festas em casas, que eram conhecidas como “bonches”, e foram crescendo e necessitando de espaço maior para acontecerem. Um dos pioneiros do Hip Hop em Cuba, o DJ Adalberto Jimenez, encontrou um espaço público em Havana, conhecido como “La Moña”, e as festas aconteciam de forma mais estruturada, mas sem perder a essência do underground.

O berço do Hip Hop cubano foi no distrito de Alamar, um subúrbio ao leste de Havana, onde havia uma melhor recepção de rádio das estações estadunidenses como a 99 JAMS e HOT 105.

O primeiro festival de rap em Cuba aconteceu no ano 1995, antes do aporte do governo para com a cultura, organizado por Rodolfo Rensoli, fundador do Grupo Uno, que em 1997 iniciou a institucionalização do rap no país, quando abordou Roberto Zurbano, então vice-presidente da Asociación Hermanos Saíz (AHS), uma entidade de engajamento de jovens para a politica no país, que colaborou com a organização do Festival.

O Produtor Ronaldo Rensoli

Antes de se envolver com o rap, Rensoli costumava promover o rock e música alternativa em Havana, o que ajudou na emancipação do rap cubano, incluindo eventos teóricos sobre o assunto impulsionando um discurso coerente sobre as raízes do Hip Hop em Cuba.

Voltando para 1995 no festival, que também foi organizado pelos raperos locais, contou  com 50 grupos cubanos e 12 estrangeiros, entre eles Mos Def e The Roots, manifestando a força do undergorund da ilha e mostrando, principalmente para o governo Castrista, o que é o Hip Hop, além de um movimento uma cultura de união e celebração.

A ascensão do rap cubano veio em 1996, com o grupo Amenaza, hoje sob o nome de Orishas, que incorporou a percussão afro-cubana em sua apresentação do festival daquele ano, conquistando o público e o primeiro lugar na simbólica competição. Ainda em 1996, o primeiro grupo de rap de Cuba formado por “mujeres”, o Instinto, ficou em segundo lugar, alavancando o gênero entre as mulheres do país.

No ano de 1999, com o apoio do Hip Hop Manifesto, escrito pelo DJ Ariel Fernandez, o rap e o rock em Cuba, ambos os estilos antes marginalizados, foram declarados "uma autêntica expressão da cultura cubana" por Abel Prieto, Ministro da Cultura de Cuba. Fidel Castro considerou a música hip hop como a "vanguarda da Revolução" por causa de sua mensagem revolucionária e os valores da cultura que vão de encontro com o senso de comunidade, o fato resultou na formação da Agencia Cubana de Rap.

Fachada da Agência Cubana de Rap

Fundada em 16 de setembro de 2002 a Agencia Cubana de Rap surge com o intuito de desenvolver o gênero no pais através da promoção do hip hop, não somente na ilha, mas em todo o mundo, mostrando sua relação direta com a cultura cubana. Com o surgimento do órgão o rap em Cuba passa a ocupar mais espaços, incluindo a criação do selo fonográfico estatal Asere Producciones, dando a oportunidade que muitos pudessem gravar seus trabalhos ao passo que angaria prêmios, como por exemplo os álbuns “Llena de Amor el Mambo”, de Ogguere, “Cabiosile” de Papo Record e a coletânea “Mujeres Raperas”.

A Agencia também organiza o Simpósio de Hip Hop Cubano, junto com o Instituto Cubano de la Música, esse projeto tem o objetivo de criar um espaço de reconhecimento para os artistas ativistas que trabalham pelo desenvolvimento da cultura no país que unem o hip hop a projetos comunitários e que possam contribuir para uma melhor qualidade de vida nas comunidades. O Simpósio conta com oficinas, conferências, espaços audiovisuais e tem um caráter educativo de formação na cultura, além de promover o intercambio entre artista do país de fora.

Cuba também tem o tradicional evento “Pa´bajo”, que une Hip Hop e esportes de rua, como basquete e futebol freestyle. Esse projeto surgiu em 2009 e acontece em Havana, promovendo a cultura, esporte e música além da recreação de jovens na ilha.

Abaixo uma playlist com alguns “raperos” do Hip Hop Cubano:

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