Quem é o MC Who? – Arquitetos da Música Brasileira - Submundo do Som

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Quem é o MC Who? – Arquitetos da Música Brasileira


MC Who? é um figura de extrema importância para o Hip Hop brasileiro, primeiro por que foi o responsável pela coletânea Hip Hop Cultura de Rua, de 1988, lançado pela Eldorado, o primeiro registro fonográfico do gênero no país. Ruberval Marcelo da Silva Oliveira, o MC Who? nascido em 1968, em São Paulo, capital, e se define como um cara que teve uma adolescência esquisita, não curtindo muitos os bailes de salão dos anos 80, preferindo ser caseiro, e foi em casa que pegou gosto pelos discos, de seu irmão, que ouvia escondido, implantando ali o embrião de sua veia musical.

Na adolescência, Ruberval conhece Cassius, que mais tarde viria a ser seu companheiro de grupo O Credo, e emprestava os LPs de seu irmão, obviamente sem que ele soubesse, para o amigo, e assim passaram a se interessar por música e pelo entorno do universo musical. O Pai de Cassius era o DJ da boate Opus 2004, então o acervo de discos para os meninos desbravarem era amplo, ia do jazz a black music, passando por muita coisa da música brasileira.

De ouvintes a compositores foi um pulo, e com 18 anos de idade Ruberval e Cassius montaram O Credo com bases feitas em uma precária bateria eletrônica emprestada de um amigo da irmã de Cassius, ou com instrumentais retirados de bônus beat do labo B de vinis de singles. O problema com base se resolveu quando conheceram Gilson, que os viu tocar, descompromissados, na Praça Roosevelt, e convidou a dupla para tocar na casa de shows Zoster, se comprometendo a cuidar dos beats d’O Credo. Foi nesse episódio que a crew Nação Zulu viu os MC’s (e DJ) e os chamaram para integrar o coletivo, já que todo grupo de hip hop precisa ter os 4 elementos, juntos e sintonizados.

E como todo grupo da fase inicial do rap de São Paulo, O Credo vai até a Estação São Bento para dançar e aprender sobre o Hip Hop. Até que um dia a gravadora Eldorado faz um convite irrecusável ao grupo, que era o de gravar um LP único e exclusivo d’O Credo, a oportunidade que batia á porta era muito boa, porém havia um problema: DJ Uzi, o Cassius, não estava no Brasil nesse momento, e o Ruberval não tinha músicas suficientes para fechar o disco, então seu espírito de coletividade, espirito de hip hop, fez com fosse até a Estação São Bento e chamasse os destaques do movimento para participarem do disco, assim encostaram Thaide & DJ Hum, o grupo Código 13 e MC Jack, nascendo assim a coletânea Hip Hop Cultura de Rua.

Participantes da coletânea Hip Hop Cultura de Rua

A produção d’O Credo ficou por conta de Akira S, e no momento que o grupo, formado por MC Who? e DJ King T, se preparava para entrar em estúdio, Uzi retornar para somar nas gravações, tanto nos vocais como nos scratches. Grandes incentivadores do grupo foram os punks João Gordo e Spaguetti, os então vocalista e baterista da banda Ratos de Porão, pois viam nas letras do Credo uma aproximação com a indulgência punk paulistana. O Credo, assim como os demais grupos, gravou duas faixas para a coletânea: “O Credo” e “Deus da Visão Cega”, ambas com scratches, colagens e beata marcantes, com a essência do hip hop, além de letras fortes, reflexivas e atemporais.

Who? também tem outra contribuição enorme para o hip hop nacional, pois foi praticamente o percursor da temática negra, de autoafirmação, dentro do movimento. Ruberval lia bastante sobre Luther King e Malcon X e achava necessário as letras abordarem sobre o que esses líderes falavam. Os primeiros rap’s do Brasil tinham um caráter mais festivo, como o “Rap do Francês”, do Dee Mau, ou “Cerveja”, de Mister Théo”, mas a partir das faixas da coletânea Hip Hop Cultura de Rua e o clássico “Rap da Abolição”, dos Metralhas, incluído na coletânea “O Som das Ruas”, lançado pela Kaskata’s, também em 1988, é que as músicas rap passaram a ter maior consciência de sociedade e após, sob influência de Who? passaram a abordar temas do movimento negro, como o racismo e a autoafirmação preta.

MC Who?

Who? não segui caminhada como MC, virou preservacionista, e até hoje segue inspirando, pois inspirados em sua trajetória queremos preservar sua história. Ruberval, ao lado de Kaseone, escreveu o livro “Hip Hop Cultura de Rua – Eixo 1”, onde traz suas memórias sobre essa época, assim como o registro que fez para o Museu da Pessoa, lembrando de sua vida desde a infância, e ambos registros nos ajudam a entender melhor, quem é o grande Ruberval Marcelo da Silva Oliveira, o MC Who?

Ouça a arte do MC Who? no Spotify:


E também no YouTube:

Música: O Credo

Música: Deus da Visão Cega


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