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quinta-feira, 28 de março de 2019

Nadando Com Os Tubarões - Com o Charlie Brown Jr


No ano 2000 o Charlie Brown Jr lançou seu terceiro álbum, o Nando Com Os Tubarões, que acentuava a o hip hop na mistura da banda com o rock, ska e reggae. Gravado noMidas Estúdio e com produção de Rick Bonadio, o disco foi lançado pela Virgin Records e se tornou um dos mais importantes do grupo, um verdadeiro junta tribo.

Com dezessete faixas o álbum traz a vibe do skate, marca registrada da banda, a sonoridade do rapcore de rua e livre transição entre os estilos de forma intima e com respeito, queChorão fazia com tanta personalidade. As participações especiais ficaram por conta da galera do rap, somaram o grupo RZONegra LiSabotage, o grupo ControllamenteMikimba do De Menos Crime e o Radja, além dos músicos Tadeu Patola e o Maestro Mojica com seu trompete.

O disco abre com um dos maiores sucessos da banda, a paulada “Rubão – O Dono do Mundo”, indicado em cinco categorias do VMB de 2001, o clipe levou duas, incluindo o de melhor videoclipe de rock. Aqui está a essência do hardcore dos anos 90, nos transportando para uma roda punk enquanto a letra fala de Rubão, um cidadão oprimido que experimenta o poder.

Videoclipe de "Rubão o Dono do Mundo"

Ralé” é a segunda faixa, e é nessa que temos o trompete do Maestro Mujica, e vocals de apoio feitos pelo grupo Controllamente. Uma faixa ‘groovada’, com levada ‘funkeada’ da guitarra e o vocal pra cima em que o mestre Chorão versa sobre a rua, a vivência, os rolês de skate e os corres dos shows.

Negra Li foi convidada para participar do disco, mas a ideia era que ela participasse da música “A Banca”, junto com o RZO, mas ao ouvir a fita demo, Negra Li se encantou com o reggae de “Não É Sério”, e se inspirou em escrever para essa faixa, que aborda o destrato com a juventude brasileira numa pegada de rap rock com predominância do reggae.

Videoclipe de "Não É Sério"

O Penetra”, quarta faixa, trás uma sonoridade mais próxima dos trabalhos anteriores, principalmente do álbum Transpiração Continua Prolongada, uma mistura de ska e punk rock, com participação da guitarra de Tadeu Patola, a música trás a irreverência da banda ao passo que transmite a autoafirmação do jovem periférico de poder estar nos melhores lugares da cidade.

A Banca” é um rap clássico e pesado, com colagens de Racionais e Facção Central, a música feita em cima de um potente boombap e o baixo marcante de Champignon, trazendo a familia RZO, incluindo o icônico Velho Badú, quem faz a introdução. A letra é de quebrada, falando sobre a área, sobre os manos, enquanto protesta e tem toda a vibe do original rap nacional. Por outro lado a música traz uma nostalgia, pois com exceção de HeliãoSandrão e do DJ Negro Rico, os demais artistas já não estão mais entre a gente,ChorãoSabotageChampignon e Negro Útil foram pra Um Bom Lugar mais cedo.

Em “Tudo Mudar” a temática jovem é exposta novamente, falando do amadurecimento e crescimento das paixões adolescentes em uma das faixas mais leves, uma das poucas baladas do disco e uma espécie de sucessora de “Te levar”, do música do álbum anterior, tendo inclusive versos incidentais integrados na letra.
Fichado” aborda sobre a forte repressão policial, sobre o consumo de drogas, como a cannabis, que se descriminalizada evitaria muitos fichamentos e esculachos. A música mescla o hardcore e hardrock, com elementos do rapcore e trás uma atmosfera de tensão, climatizado pelo hipnótico contrabaixo.

A faixa “Ouviu-se Falar” vem na pegada do hardcore melódico para uma das músicas mais autobiográficas do disco, nesse som Chorão fala sobre sua carreira, a canseira que levou e as vezes que pensou em desistir, numa espécie de continuação do som “Charlie Brown Jr”, do álbum Transpiração Continua Prolongada, porém numa versão mais densa marcada pelo refrão “Desistir jamais”.

Na música nove, “Amor Pelas Ruas” a banda traz um  instrumental com influências de jazz e numa pegada que de longe se assimila a um drum and bass, com Champignon detonando, mais uma vez, com seu baixo.

Na base do hardcore melódico, “Essa É Por Quem Ficou Pra Trás”, narra as decisões e decepções, também numa letra autobiográfica, porém menos direta. Aqui o Charlie Brown olha para seu passado a fim de justificar o momento presente, mostrando da a transpiração, continua e prolongada, que a banda passou e dando um chega pra lá naqueles que não tiveram o mesmo pique que Chorão e cia.

Seguindo, na faixa onze, “Transar No Escuro” trás a intimidade do sexo ao som do hardcore mesclado com hardrock, se destacando a guitarra do capitão Marcão e o flow menos acelerado, mais de boa e cantado de Chorão, com sua voz rouca quase que sussurrando a canção.

Fundão” é outro instrumental, esse tem uma cara de jam session, sem necessidade de letra, a música consegue transmitir uma atmosfera que ao mesmo tempo é suja e de camaradagem, tem grave, tem groove, tem melodia, tem ritmo, uma das melhores faixas do disco sem exagero, novamente sob o comando do eterno Champignon.

A música de número treze “Somos Extremes No Esporte E Na Música” retoma a reunião de rappers sob um instrumental denso, novamente marcado pelo baixo de Champignon e trás Mikimba, do grupo De Menos Crime, e os manos da banda Controllamente, em um rap que fala sobre o skate, esporte, rua e camaradagem. Destaque para como a música muda de tom, saindo dum clima carrancudo e indo pra algo mais festivo e retomando a um ambiente tenso.


Talvez A Metade Do Caminho” é uma balada de amor, mas a dedicação de afeta é para com o pai de Corão, que havia falecido, e causou profunda depressão no vocalista, que até cogitou sair da banda, o que inspirou os versos de “Ouviu-se Falar”. Chorão revela que sonhou com seu coroa e o viu bem, e no sonho ele disse que olharia pelo filho, o devaneio foi o mote para a composição, que se encerra com “Vai com Deus meu pai!”.

Pra Mais Tarde Fazermos A Cabeça” é a música de número quinze, e varia do rap ao rapcore, com refrão de flow cantando, feito por Chorão, enquanto que a primeira parte é entoada por Champignon, e aborda os corres para se manter a banda, mostrando a alma underground do Charlie Brown Jr, mesmo sendo uma banda que transita livremente no mainstream. Na segunda parte o líder do grupo retoma para falar de humildade e apresentar o DJ Anderson Franja, que chegou a acompanhar a banda na turnê do álbum. Destaque para o beatbox incidental de Champignon. 

Na penúltima música, “No Desafio, Ibiraboys / A União Prevalece”, uma espécie de continuação de “União”, presente no álbum Preço Curto Prazo Longo, Chorão se une aMikimba e Radjja de Santos, para uma mescla de rap e ragga. A música começa com uma paródia de Jorge Bem, de “os alquimistas estão chegando” para “estão chegando os skatistas” até uma releitura de “A Bola do Mundo” do grupo De Menos Crime, no maior estilo jam session somado com zoeira de estúdio.

E fechando esse que é um dos maiores trabalhos do Charlie Brown Jr, temos a vinheta de encerramento “Trocando Uma Ideia Com Deus”, onde as conversas de Chorão e Velho Badú, que devem ter acontecido durante as gravações de “A Banca”, e foram captadas e transformadas numa faixa, que tem ao fundo um som que hora lembra papel queimando, hora o ruído de um vinil, e assim a banda encerra seu terceiro ato. A música também retoma a homenagem ao pai de Chorão, e a todos os outros, como cita:

“Nos meus braços você se foi
Nos seus braços eu quero acordar,
Essa é uma homenagem a todos os pais
Pai, essa é mais uma homenagem que eu faço a você
Você foi meu grande mestre, meu grande herói
Sinto sua falta, um dia a gente se vê...”


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