Desbravando Discografia - Inquérito - Submundo do Som

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Desbravando Discografia - Inquérito


O Inquérito comemora em 2019 duas décadas de história e com uma trajetória incrível no rap nacional, responsável por músicas icônicas que se tornaram verdadeiros hinos e discos memoráveis que acompanharam a evolução do nosso Hip Hop. E nessa oportunidade o Desbravando Discografias, do Submundo do Som, entra de cabeça nos álbuns lançados pelo Inquérito, a fim de apresentar ou relembrar a obra desse importantíssimo nome da cena musical! Se liga:

Mais Loco Que u Barato – 2005

Álbum de estreia do Inquérito, que juntou a experiência de seis anos de estrada e teve produção assinada por Fábio Macari, sendo lançado pela gravadora Sky Blue Music. Como destaque, as músicas “O Rap é O Troco” que contou com a participação do grupo de Hortolândia, o Realidade Cruel e a faixa “Dia dos Pais”, ambas com grande repercussão em programas de rádio dedicados ao hip hop, como o Espaço Rap, da emissora 105 FM.

O disco além de abrir as portas para o Inquérito, levou o grupo a lugares de destaque no cenário, inclusive tendo a música “Dia dos pais” vencedora do Prêmio Hutúz, na categoria “Música do Ano” e o grupo indicado para as categorias Álbum do Ano e Artista do Ano. Nesse trabalho, além do Realidade Cruel participaram o Sistema Negro, de Campinas, na faixa “Us Guerreiro de Nata” e o grupo Reviravolta Máfia no som “Planeta Gueto”.

Destaque também para a música “O ‘C’ Consegue Cada Coisa”, uma espécie de “Brasil com P”, do genial GOG, porém nesse caso rimando com palavras que começam com a letra C: “Cara, compara comigo: compensa? Crime, calibre, correria, cadeia / Como consequência, cova, cemitério, caixão...”. Nesse projeto o Inquérito contava com a Nicole, que rimava e fazia os backing vocals e refrões com todo seu talento, abrilhantando ainda mais o disco.

Um Segundo é Pouco – 2008

O segundo trabalho do Inquérito veio três anos depois, com o profético titulou Um Segundo é Pouco, usando o duplo sentido da palavra “segundo”, já que realmente o grupo não parou por aí. Com doze faixas o álbum trouxe interessantes participações, como o poeta Sergio Vaz na faixa “Já Disse o Poeta”, o Coral da SECA de Paulínia na música “Oito Meses”, uma das mais marcantes do disco, e de Kiko Sant’Ana numa belíssima melodia no som “Bumerangue”.

O álbum firmou o grupo no cenário do rap brasileiro, tanto as letras do Inquérito com poesia afiada e criticas sociais precisas como sua performance em palco e ideia geniais fora deles, fizeram com que Renan se torna-se um dos nomes mais aclamados do hip hop, principalmente por fugir da estética convencional do rap, trazendo seu próprio estilo, e chamando a atenção dos fãs cada vez mais. Ainda vale citar a música "Rosa do Morro", um samba feito pelo Inquérito, interpretado por Nicole e Renan, mostrando a versatilidade poética e musical do grupo.

Um Segundo É Pouco fez com que o Inquérito recebesse quatro indicações para o Prêmio Hutúz, do ano de 2008, sendo o DJ Rodrigo vencedor na categoria de melhor DJ do Ano. O grupo também conquistou o Prêmio Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia). Em 2009, no mesmo Hutúz, maior premiação do hip hop nacional da época, receberem o titulo de Grupo Revelação do Século. 

Mudança – 2010

Em 21 de novembro de 2010, o grupo que já não contava mais com a Nicole, lançava seu terceiro trabalho, o álbum Mudança, produzido por Marcelo Guerche, produtor da RimaCruz e DJ em Votuporunga, no grupo Shekinah Rap. Com vinte faixas, o disco confirmava a trajetória do Inquérito, firmava-o cada vez mais como um dos grandes nomes do Rap Nacional, e produziu grandes músicas do hip hop brasileiro.

A começar pela faixa “Hip Hop Não Para”, onde é feita uma homenagem à toda a cultura, desde o seu começo, mais de 30 anos atrás, e a nomes que inspiraram a correria do grupo. Em Mudança temos a participação do Realidade Cruel, em “Som Pra Ladrão”, que aborda os políticos corruptos, do DBS em “Negô Negô”, do monstro Dexter em “Pode Ser Diferente”, do RAPdura Xique-Chico em “Divida Interna”, do Emicida em “Já Demorou” e por fim, do grupo Ca.Ge.Be na faixa “Penso Logo Existo”.   

Nesse álbum o grupo trouxe uma mistura dos dois primeiros discos, imprimindo um estilo único no rap nacional, o estilo Inquérito! Mudança trouxe canções icônicas como "Meu Super Herói" que relata a saudade paterna e o som "Um Brinde", que virou campanha contra o consumo excessivo do álcool e suas consequências. O vídeo clipe de "Um Brinde", produzido pela Vras77, foi lançado na Semana Nacional do Combate ao Alcoolismo, o que fez com que o clipe, em uma única semana, fosse exibido em mais de 200 lugares no Brasil e em países como Portugal, Cuba, Guiné, EUA, Inglaterra e Bissau.

Corpo e Alma – 2014

O Inquérito viciou em fazer grandes álbuns e assim em 2014, comemorando quinze anos do grupo, lançam o pesadíssimo Corpo e Alma, com doze faixas que traduzem a essência da efervescência do rap nacional. O gênero estava preste a explodir de vez no país em termos de produção e lançamentos, e o Inquérito se antecipou a isso, lançando um dos projetos mais bem produzidos da cena.

A produção foi do maestro DJ Duh e os instrumentais foram assinados por Marcelo Guerche, Damien Seth, Quilombo Louco Beats e pelo Pop Black, enquanto que a produção executiva ficou por ninguém menos do que o Emicida. Nesse trabalho a aproximação com a MPB, o reggae e soul ficaram mais evidentes, mas sem perder o peso e as características do hip hop.

Seguindo a tradição, o disco veio recheado de participações especiais, teve Emicida na faixa titulo, Alexandre Carlo do Natiruts em “Carrossel”, Arnaldo Antunes em “Versos Vegetarianos”, o DJ KL Jay em “Sonhos”, Rael em “Cidade sem Cor” e o talento de Ellen Oléria na faixa “18k de Sorriso” e da poeta Roberta Estrela D’alva em “Rosa do Morro”, regravação do bônus track de 2008, com uma nova roupagem.

A capa do álbum é o rosto de Renan, em uma fotografia feita por Marcio Salata, e em cima da foto teve uma arte feita pelo artista Elvis Silva.

Corpo e alma (remix) – 2016

Dois anos depois do sucesso de Corpo e Alma, o álbum ganha uma nova versão remixada. Nessa nova roupagem, apenas a faixa "Alma Lavada" não ganhou uma nova produção, porém o disco inclui dois bônus as faixas "Uma Só Voz", com participação do grupo de rap cubano La Invaxión, inclusive com clipe gravado em Havana, e o som "Madre Tierra", feito na Argentina e com participação de um dos maiores nomes do hip hop no país vizinho: Malena Dalessio e de Ramiro Abrevaya.

Os remixes ficaram por conta de vários monstros da produção, como Tico Pro encarregado pela "Intro", Felipe Vassão que fez a faixa titulo "Corpo e Alma", Iky Castilho foi o responsável por "Pó Esia", o mano Skeeter em "Eu Só Peço a Deus", a lenda DJ Nato PK em "Tristeza", Márcio Arantes remixou "Versos Vegetarianos", o parceiro de grupo Pop Black trouxe uma versão reggae para "Sonhos", Jheff foi quem repaginou "Cidade Sem Cor", equanto que Nixon fez "18 Quilates de Sorrisos" e Xuxa Levy ficou a encargo de "Rosa do Morro".

Tungstênio – 2018

"Tungstênio é treta!", o mais recente lançamento do Inquérito chegou pesado, em todos os sentidos, considerados por muitas mídias especializadas (inclusive o Submundo do Som!) como um dos melhores álbuns de 2018. O projeto reafirma o Inquérito como um dos mais importantes grupos na musica nacional, e Renan como um dos letristas mais contundentes da cena, com temas sempre politizados e uma sensibilidade de um verdadeiro poeta!

O disco veio recheado de participações mais que especiais, com Rashid, na faixa “Turbulência”, que ganhou vídeo clipe recentemente, Zeca Baleiro em “Vitrines”, Fernanda Dadona em “Barras de Ouro”, Tulipa Ruiz no clássico “Lição de Casa”, Diomede Chinaski e Nicole (o retorno) em “Histórias Reais”, Myanda Guevara (de Portugal), MCK (de Angola) e Daniel Yorubá em “Perfume de Colonia”, a banda Mato Seco e locutor Paulinho Correria em “Pega a Visão”, a neozelandesa Lawn em “Cafuné com Caneta”, que também ganhou clipe recentemente, Luiz Travassos em “Coração de Camarim” e o do Coral Somos Iguais em “Anônimos”.

Além de ser um disco poético, já que o poema "Tungstênio" é dividido e inserido de forma incidental nas faixas que compõem o álbum, o trabalho também é mais orgânico, trazendo uma verdadeira banda com a guitarra de Gabriel Adorno e baixo de Marcelo Cruz, além de músicos como o trompetista Manchuria Heredia, o saxofonista Edmar Pereira, trombonista Valber Oliveira, o DJ Nato PK, a percussão de Silvanny Sivuca e a guitarra portuguesa de Ricardo Silva.

O disco trouxe sucessos da primeira a última faixa, mas aqui destacamos algumas: “Artesanato Eletrônico”, “Histórias Reais”, “Lição de Casa”, “E Aê”, Pega a Visão”, “Turbulência”, “Vitrines” e “Anônimos”. O Submundo do Som teve a honra de fazer o review desse clássico instantâneo (clique aqui para conferir)


A Discografia do Inquérito é um patrimônio do Hip Hop brasileiro, não só pelos clássicos e poesias marcantes, mas por todo compromisso com o rap ao longo desses 20 anos de caminhada e a forma como o grupo agiu como um catalizador para o desenvolvimento da cultura, sendo espelho para muitos grupos de norte a sul nesse país, mas principalmente para nós que dividimos a mesma quebrada, salve 019!

O Submundo do Som teve a honra) de trocar uma ideia com o Inquérito em duas oportunidades, abaixo seguem os links, pra você conferir, reconferir, curtir e compartilhar:

Entrevista Com Inquérito sobre o Lançamento do single "Escolha" - clique aqui
Bate papo com o Inquérito, visões gerais sobre o Hip Hop - clique aqui

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