Eu Sou o Agora - Black Alien, Abaixo de Zero: Hello Hell - Submundo do Som

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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Eu Sou o Agora - Black Alien, Abaixo de Zero: Hello Hell


Depois da série Babylon by Gus, é a vez de babylon burn no novo trabalho de Gustavo de Nikiti, seu terceiro disco solo Abaixo de Zero: Hello Hell, um obra intimista em que Black Alien lida com seus demônios internos, o período de internação para tratar a dependência química e sua relevância no cenário atual do rap brasileiro.

Com influências do jazz, cinema e a sinceridade nas letras Mr Black segue seu padrão de qualidade de entrega nos presenteando com um disco incrível, bonito e sensível. Sem participações especiais e com produção de Papatinho com beats inspiradores, carregados de jazz, Black Alien versa solo em nove faixas, acompanhando somente de sua lirica, flow e inúmeras referências.

Plantas me dão o remédio! Abaixo de Zero: Hello Hell abre com "Área 51", nome que remete a famosa base em Nevada, EUA, e que muitos acreditam ter aliens capturados pelo governo, sendo um fato recorrente na cultura popular. Na introdução o nosso alienígena já inicia com um aviso: "Esse é o retorno do cretino/Dos clássicos, hits, hinos, e o bolso cheio de pino", relembrando sua fase freak, mas no refrão Gustavo entrega sua real intenção e nova fase: "Vim pesadão ninguém vai me derrubar / E problema com pó quem tem é o dono do bar".


"Não ir pra frente é retrocesso, nada que vale a pena é fácil
Encara o processo, é assim que eu faço
Quem precisa de correntes de ouro pra ser Gustavo?
Quem precisa de correntes de ferro pra ser escravo?"

Danger Zone! Em "Carta Para Amy", faixa com status de hit desse recém lançado disco, Black Alien desabafa para Winehouse, que teve um fim trágico em 2011 devido ao uso excessivo de drogas, contando como tenta fugir da vida deprimente que levava: "Vencer a mim mesmo é a questão,/questão que não me vence" e quando que o público, sádico, prefere a Lirica Bereta, chapada e drogada: "Boa ideia pra deleite da platéia", e decreta:

"Se um dia a coragem foi líquida, agora ela é sólida, irmão
Tenho não só que lidar com a vida, lido com ela sem pó e sem dó então
Sozinho eu tô em má companhia, tá ligado
Nem durmo mais tanto
Linha por linha, de café e águinha, sempre hidratado pro próximo pranto"

Arrepia os cabelinho! Black Alien revelou certa vez a Regina Casé que se sente bobo e envergonhado para escrever sobre amor, como mostra o documentário Mr Niterói: A Lirica Bereta, mas como tudo nesse álbum é sobre superar o passado, Gustavo apresenta uma nova love song, sua quinta canção romântica em discografia oficial, "My Baby" é toda a classe do MC em cima de um beat de jazz: "Quando é que você vêm me dar aquele chá ?!". Destaque para uma reciclagem de verso usado em "Skuba", com Speed e banda paranaense homônima: "Se seis fosse nove, se nove fosse seis...", aqui ficou "Nove meia a gente diverte, inverte quando se move, se nove fosse meia, meia fosse nove":

"Se achegue no aconchego, amor
Só chega no chamego, amor
Amor cego igual morcego, amor
Eu capto seu sinal"
Videoclipe de "My Baby"

Eu sou o agora! Seguindo temos "Quem o Meu Cachorro", faixa que saiu antes em formato de videoclipe, e na ocasião ganhou um review especial do Submundo do Som. Nessa música Black Alien novamente fala sobre seu problema com as trocas, de forma intima e sincera, e sobre o que os fãs devem esperar do rapper: Um cara extremamente importante no rap, que eleva o nível da cena, porém sóbrio, de bem consigo:

"Não tô nem aí, nem lá
Tô bem aqui, além do que se vê
Se vem baseado no passado, só há um resultado:
'Cê vai se foder
Porque eu sou o agora, eu sou o agora"

A Babilon de frontside! A faixa mais intensa desse álbum é "Take Ten", numa analogia com um de seus ídolos David Brubeck, com a música "Take Five", Black Alien pra se sentir vivo tem que fazer o dobro, e como num filme, em que assina a trilha sonora, segue narrando sua trajetória, perdas, insucessos e glórias. Nota para o fato do disco ter 9 faixas e o refrão dizer: "Mister Black Take Ten, don’t pass":

"Corta um sample da guitarra de Jimi
Grava um clipe, canta um rap cheio de marra no filme
Mar de nego perdido procurando Nemo
Sem rumo, sem remo, no nado mermo, oh, can you feel me?!
Frita na cocaine, se envolve no crime
Fritando em Coltrane ouvindo “A Love Supreme”
O médico e o monstro, Dr. Jekyll Mr. Hyde, a babilon de frontside, just gimme"

Mais e melhores blues! A exemplo dos volumes 1 e 2 de Babylon by Gus, Black Alien nos entrega duas faixas de love song, a segunda, nesse álbum, é "Au Revoir", apesar de toda canção desse disco de certa forma falar de amor, principalmente a si mesmo, como cita: "O amor mais verdadeiro que eu vou ter nesse mundo é o amor próprio". Similar a "Pericia na Delicia", essa música fala de uma forma liquida de amar:

"Corta pra antes
Paranóia delirante, avião que não decola
Amor hoje, só amanhã
Agora, luz da clarabóia nos amantes, avião decola à tarde
Hoje tem amor de manhã
Hey ho, let’s go
One two three four
Vêm comigo gata, my little Ramona
Ando sozinho, mas não ando só
Esse é meu caminho, amor
Cão sem dono, sem lar, e sem dona"

Babylon by Trevas: Volume Zero! "Aniversário de Sobriedade" é um jazz marcante, com belíssima melodia em piano, o nosso jazzman Mr Black não muda o tema nesse trabalho conceitual e segue o desabafo, sem refrão, penas com o sopro dos metais, sobre sua luta: "E eu preciso de coragem pra viver fazendo as pazes/ Ou quase", sendo sincero para não vacilar:

"Vish, meu cumpadi que fase
Me olho no espelho “mas Gustavo, o que fazes?”
Cadê as letras? Esqueceu da caneta
Fica só cheirando em cima do CD de bases
Os beatmakers, os melhores do país
E eu só vou pra Jamaica pra acalmar o meu nariz"

Só se fala groselha! A penúltima faixa "Jamais Serão" trás um pouco da explosão de outrora de Black, porém contido e sóbrio, aqui Gustavo fala da atual situação politica do Brasil: "Presidentes são temporários, baby / Meu despertar, temporão", depois de entoar o mantra "só se fala groselha" num flow dedicado. Black Alien fala sobre os pontos fracos na sua trajetória: drogas e mulheres, e a vida de estrelato e closes que lhe afundaram nas trevas, porém mostra que mudou suas ações: "Se eu for agir na velha, humm", mas o que construiu atravessou o tempo: "Música boa é pra sempre e esses otários jamais serão":

"Eu bebo jazz, blues, soul, reggae, funk, rockn'roll
Respiro hardcore, punk, o flow do Speed, speed flows
Conta quantos Benjamins nessas notas de 100 dólar
Quantos vêm à mim dizendo “Black é nossa escola”
Uns de coração, outros da boca pra fora
Pois da boca pra dentro, a alma não colabora"

Babylon Bye Bye! Fechando o álbum temos "Capitulo Zero", um longa metragem em 1 minuto e 28 minutos, referências cult em cima de novo beat de jazz. Black Alien narra dese seu nascimento ao aflorecimento, mostrando suas influências, e termina dizendo que não acabou: "Do gen à lógica, genealógica, tronco forte da árvore desde neném e ainda nem tem o final"

"Hey Black, irmão, onde é que tu vai?
Meu cumpadi, eu vou embora
Babylon bye bye
Hey Black, irmão, onde é que tu vai?"

Um pouco sobre a ficha técnica do disco: temos a capa feita pelo rapper, produtor e design gráfico Parteum, os beats maestrais de Papatinho que também fez a captação de voz junto do Choppinho, lá no estúdio Papatunes, enquanto a mixagem e masterização ficou a encargo de 2F Uflow. Na produção executiva Mr Black Alien e Marina Dee, lançamento pelo selo Extrapunk Extrafunk e Sony ATV e distribuído pela Altafonte Brasil.

Abaixo de Zero: Hello Hell é um disco conceitual em que Gustavo mostra a superação que teve na vida, linha a linha, verso a verso e comprovando sua relevância no cenário brasileiro, como fonte de inspiração, um verdadeiro herói nacional que fará muitos repensarem a vida diante do parapeito. Abaixo de Zero pode ser o episódio inicial, até antes do começo, mostrando um recomeço, conectando o MC com seu inicio, anterior aos anos 2000, abaixo de 00. Mas na verdade o titulo se deve pelo disco ter sido gravado no inverno de 2018, e mais que qualquer analogia era (ou é) o estado de espirito de Gustavo, frio, abaixo de zero graus Celsius, em relação ao que lhe prejudica. Hello Hell dispensa qualquer explicação, estamos no Brasil, planeta terra!

Abaixo você confere a obra da Lirica Bereta. Se liga: 

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