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sábado, 18 de maio de 2019

Entrevista: Água Salgada! Bate papo com Myrella Amorin, Léo Machion, Teagacê, Rodrigo Zin e Isaac de Salú


Na última sexta feira dia 10/05, as ruas ganharam o som "Água Salgada", música que reúne os MC's Teagacê, Rodrigo Zin e Isaac de Salú em cima de um brilhante produção assinada pelo genial Leo Machion.

Quem se ligou no Instagram dos artista na noite anterior pode participar de uma ação conjunta dos envolvidos, convidado os ouvindo à um pluzze. Todos os perfil possuíam no stories um indicação para "seguir as setas", em imagem com elementos da capa do single. O perfil de Leo Machion tinha um trecho da arte da capa, e uma frase indicando, com setas, o perfil de Teagacê, que por sua vez apresentava outra parte da capa e indicava o perfil de Rodrigo Zin, que dava continuidade a frase e arte marcando Isaac de Salú, esse marcou a Myrella Amorin (responsável pela capa e todas as artes de divulgação), que marcou o perfil do Submundo do Som, que fechou o ciclo marcando o Leo Machion.

Quem seguiu as setas passeando pelos perfis leu a frase que dizia que no dia seguinte seria o lançamento de "Água Salgada", ás 11h da manhã, em todas as plataformas digitais. E o Submundo do Som que acompanhou o desenvolvimento da canção e participo das ações de divulgação, teve a honra de trocar uma ideia com toda a equipe envolvida, para dividir um pouco da visão dos artista sobre esse presente para o rap nacional.

A capa do single é um dos elementos dessa obra que chamam bastante atenção, e ao perguntar a Myrella sobre sua inspiração para a criação da arte e qual o significado da mesma, ela responde:

"Sempre busco construir as capas dos sons baseado no que absorvo da letra, beat, pra arte ser uma parte da obra como um todo. A ideia foi um olho chorando um coração, e um corpo se afogando nessas lágrimas. Tiveram muitas interpretações diferentes de quem flagrou o som e amei todas, e é o que eu mais curto de desenhar: o poder do que faço se  transformar na visão de cada um".


Lyric de água Salgada, feito por Lucas Negrelli

Pergunta similar foi feita aos MC's sobre qual ideia queriam transmitir no som, e se a concepção da obra remete a uma "love song", Rodrigo Zin responde que: 

"Mesmo quando eu falo de amor em minhas letras, eu não gosto de dizer que o som se trata especificamente de uma love song, se fosse pra definir eu diria que é um som "introspectivo", um debate consigo mesmo. Entendendo o amor em sua totalidade (seja o amor ao próximo, a família, platônico e o mais importante, a si mesmo). Diria que esse som é mais um desabafo, um cair de lágrimas (salgadas) em um papel doce, lembrando que o choro não é sinal de fraqueza, a sensibilidade nos permite ir além das limitações"

Isaac de Salú completa falando sobre sua interpretação sobre a estética da música: 

"Na minha visão não é uma "love song" que o mercado está habituado a consumir, talvez não seja uma daquelas embaladas que as pessoas te empurram e digam é isso, mas é uma "love song" do nosso jeito, mais poética e sincera e que vai se adaptar a situação das pessoas por ela ser viva, por ela ser nova a cada vez que você ouvir a música",

E Teagacê conclui com com sua visão sobre o enredo, como vê o resultado de cada parte de água Salgada:

"Na minha cabeça é um storytellying, enxergo o som como uma narrativa de um conflito em que duas partes se separam e se encontram, depois que o som ficou pronto, gosto de pensar que em meu verso sou mais descritivo, Zin foi mais intenso e o Isaac mais emotivo, como se quebrasse a história em três pontos de vista diferentes, mas a mesma história".

Sobre inspiração, o rapper potiguar revela que:

"A inspiração foi a rotina, estava ouvindo muito Raul e pensei em narrar como se fosse uma pessoa pensando alto, falando consigo mesmo e se questionando".

Isaac mostra que suas inspirações são variadas, de amigos a arte contemporânea que o rapper consome e conseguiu balancear e musicar:

"Eu tiro inspiração da minha vida, das pessoas ao meu redor e das coisas que consumo, conversando com amigos próximos, no Sarau, no Slam Emancipado, falamos sobre ser sensível e como juntamos pessoas sensíveis do planeta e decidimos ser amigos e gostar das mesmas coisas, e na minha parte da letra quando falo "não sou açúcar, sou carta", eu estava pensando neles, e no que todos eles representam e por que acabam sofrendo de amor, e misturei com coisas que curto: Todo Mundo Odeia o Cris, O Irmão do Jorel, Violeta, que é minha música, minha arte, e referências musical, tem Tyler, the Creator, Bob Marley, juntei minhas vivências, referências e cultura pop, e nasceu essa faixa maravilhosa, que toda vez que escuto sinto algo diferente, e acredito que não sou só eu".

Rodrigo Zin também falou de sua inspiração e o que quis transmitir em sua poesia:

"Em momentos que o sentimento transborda a gente passa a enxergar o mundo com outros olhos (olhos mais limpos). Quando escrevi meu verso eu queria que a mensagem passada fosse de "Devemos conquistar, ou até mesmo, reconquistar o nosso amor próprio", entender que "Teu céu AINDA é menor que as minhas asas", mas esse céu pode expandir, basta querer! Minha inspiração veio dos meus antigos relacionamentos, onde mesmo após o termino se manteve o respeito, o carinho, a sensibilidade, empatia e a nossa procura pelo amor verdadeiro, que eu acredito, sem dúvidas, que seja o amor a si mesmo".

Outro ponto fundamental para a beleza da música é o seu instrumental, e o produtor Leo Machion comenta como foi a vibe para criação do beta:


"Cara, eu queria fazer algo meio sensual... mas tudo que faço acaba soando meio triste, nostálgico, não sei dizer.... Eu faço beat de forma muito espontânea, procuro me dar essa liberdade e ver o que vão sentir. Eu sigo uma rotina, cedo procuro muita coisa diferente, musicas aleatórias. Nesse dia salvei umas 6 ou 7 que me lembro. Pra samplear depois, o que foi engraçado é que são 4 samples diferentes que se encaixam! E foi por acaso, espontâneo. Não fiz muita coisa, bateria e pronto. Quando terminei, na real deixei de lado, tinha feito outro (o que agora é um som do Raí Faustino - Cinza) e tava super empolgado com ambos".

Machion também nos conta sobre como foi a escolha para as pessoas que iriam versar em cima do beat, que tinha acabado de criar:

"De cara a primeira pessoa que pensei foi o Teagacê e Salú! Sem Dúvidas. Precisava juntar os dois num som! E cara, lembro até hoje quando Teagacê, no dia seguinte, me mandou a guia... Eu fiquei apaixonado. Eu ouvi, sem brincadeira, umas mil vezes! Apaixonei na letra, no flow, vinha estórias na cabeça, foi incrível. O que veio depois com o Zin e Salú, só confirmando. Afirmando minha paixão por essa música. A arte, tudo, me representa muito! Essas pessoas são incríveis, obrigado!"

Teagacê também fala como foi a parceria inédita com os MC's que somaram nesse projeto:
"Eu sou muito fã de todo mundo que participou do projeto, pra mim é uma honra poder rimar com dois dos melhores mcs do Brasil, num beat do meu beatmaker preferido, com a arte de dois gênios e a cobertura de um irmão meu. É um projeto que está pronto há algum tempo e devido à alguns problemas demoramos pra por na rua, mas é um som que escuto quase que diariamente e cada vez que escuto vejo algum detalhe que me prende, foi muito amor envolvido mesmo".

Rodrigo Zin explica o contexto de como as peças foram se encaixando nesse projeto, e sobre a materialização de um vontade:


"Eu já tava querendo fazer um som com o Isaac faz tempo, nossas ideias batem demais, mas nunca saia nada, porque a gente tava em outros corres (falando nisso, esse ano ainda vai sair um som Rodrigo Zin x Isaac de Salú) heheh! Enfim... Aí quando conheci o Teagacê, fiquei admirado pelo trampo e por sua dedicação, então ele me passou a guia desse som pra gente começar a lapidar, assim que ouvi o beat do Leo, eu fiquei muito empolgado, sério, eu escrevi o meu verso em menos de 20 minutos e já fui logo gravar. Quando achei que o som estava pronto, Teaga me fala que chamou o Isaac pra colar na track! Aí eu fiquei felizão demais, o resultado é isso aí, um som lindo em todos os aspectos: instrumental, letras, vozes e arte, feita pela Myrella que mandou muito e soube juntar de forma magistral o "corpo, mente e alma", a capa é praticamente uma procura, representação do que eu havia dito, é uma busca por si próprio. Resumindo, minha experiência ao lado dessa galera foi ótima!"

Isaac de Salú também contextualiza como foi o convite e a formação da equipe que participou da música e como foi essa experiência:

"Pra mim foi uma experiência muito gratificante e realizadora, eu conheci o trabalho do Rodrigo Zin no ano passado, eu tinha acabado de lançar minha primeira música como Isaac de Salú, pouco tempo depois de lançar essa música foi internado, e ouvi muito, muito mesmo, "Francisco Oceano", e graças a Deus (ou graças ao universo, ou no que você acredite) ele é uma pessoa incrível e eu conversei com ele, a gente fez amizade e falamos em fazer um som. Mandei guia pra ele, mas não tava dando certo, eu tava triste, e aí do nada eu conversando com o Teagacê e o Léo Machion, o Leo mandou o beat, e eu falei: "meu Deus do céu que beat foda!", Aí o Leo mandou o trampo do Teagacê, e eu: "caralho que foda" e mandou guia, pensei que não, mas veio com a parte do Rodrigo Zin, e falou "mano escreve aí" eu falei "meu Deus do céu!", depois de um ataque cardíaco (haha) eu fiz a minha parte umas quatro ou cinco vezes, fiz várias partes até que eu fiquei satisfeito com essa que aí está e foi muito foda fazer parte disso".


Se você ainda não conferiu, dê play em Água Salgada, e deixe a poesia fluir:



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