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domingo, 23 de junho de 2019

Quando as Letras de RAP NACIONAL Não se Limitavam ao Tempo de Duração


Aos amantes do bom e velho RAP NACIONAL, digo, aos manos e minas amantes do bom e velho RAP NACIONAL dos anos 1980/90. Certamente vocês já ouviram O Homem Na Estrada dos Racionais MC’S; Brincando de Marionetes do Facção Central; Saudades Mil do 509-E, Lembranças do Consciência Humana; etc. Enfim, grandes clássicos que marcaram uma geração. Mas o que há de comum nessas letras? Além de seus temas sobre os problemas sociais, há também outra particularidade: o seu tempo de duração. Isso mesmo, grandes letras de 7,8,9 e até 10 minutos. Confesso que ainda prefiro as letras “Quilométricas” do RAP NACIONAL aquelas com menos de 4 minutos. Aliás, acho que todo Rap deve ter no mínimo 4 minutos de duração. Por isso eu me pergunto: Por que não se fazem letras tão grandes como antigamente? 

Nos anos 1980 quando o Rap surgiu no Brasil, não surgiu necessariamente com aquele compromisso de abordar os problemas sociais, havia letras de diversos temas. Vide “Nome de Meninas” do MC Pepeu, e “Melô da Largartixa” do Ndee Rap (Ndee Naldinho). Mas na virada para os anos 1990, começam-se as letras de contestação social abordando a pobreza, racismo e violência policial. O Brasil acabara de sair de uma ditadura (1984-1985), a economia era marcada pelos sucessivos períodos de hiperinflação, altos índices de violências. – Imagina como era a situação de miséria na Periferia. Era necessário um movimento que contestasse esta situação, que resgatasse a autoestima do jovem negro. Esse movimento era o HIP HOP. Portanto, nada melhor que o RAP NACIONAL para conversar com este povo. 

Na introdução do disco Raio x do Brasil dos Racionais MC’s, o Edi Rock inclusive cita “usando e abusando da liberdade de expressão, um dos poucos direitos que o jovem negro ainda tem neste país”. E Esta liberdade de expressão o Hip Hop “usou e abusou” bastante. Longas e longas histórias, longas e longas narrativas contando sobre a vida do povo da periferia. Assim eram escritas a maiorias das letras, quantas e quantas letras de Rap vocês não já escutaram e refletiram a respeito? Era uma caraterística fazer Rap de extensa duração, aliás neste momento que escrevo estou escutado ‘’10 Anos Perdidos” do Grupo Condenação Brutal. 

Creio eu que haja algumas explicações para os rappers não escreverem letras tão longas como antigamente; algo que ainda deveria existir. Porém um conjunto de transformações ocorridas corroboraram para esta mudança no jeito de escrever. 

Naquele tempo dos anos 1990 o acesso à informação ainda era muito escasso ao povo pobre. Era necessário escrever letras que conversasse com este povo. Geralmente um Rap contava uma história de vida, quase uma biografia em forma de música. A “Recanto Obscuro de Uma Existência” do Grupo Consciência X Atual é um exemplo deste tipo de letra, é uma faixa de quase 10 minutos contando sobre a história de um mano que se envolveu com o crime. – Esteja em paz a onde estiver... 

Nos Anos 2000 do mundo globalizado, as relações sociais se tornaram bastante estreitas com o advento da internet. Com isso a informação ficou mais acessível, a internet facilitou a divulgação das músicas. Principalmente pelo YouTube, quase que diariamente um Rap novo é lançado. A divulgação no formato audiovisual (videoclipe) também está em alta, cada vez mais músicas são lançadas junto com o vídeo clipe. 

O Rap neste mundo contemporâneo de 2019 tenta atingir o maior número de público possível, onde os lançamentos se dão quase que ao mesmo tempo, uma faixa de 07 ou 08 minutos talvez não teria uma atenção do público. As únicas músicas desta duração lançadas atualmente são as chamadas Cypher. Retornando aos anos 1990, me parece que naquele período havia uma preocupação maior com o conteúdo da letra. Claro que a produção era importante, mas o flow, a levada, o beat era algo que estava em 2º plano. Os grandes clássicos do RAP NACIONAL eram escritos com muita informação, ódio e revolta para com as condições sociais do país. 

Foi uma fase onde surgiu as maiores letras do RAP NACIONAL, letras que tocam no coração. Não sei se ainda farão músicas como faziam há 20, 25 anos atrás. Deixo alguns dos grandes clássicos desta geração: Fórmula Magica da Paz, Estamos de Luto, Tá na Hora, Depoimento de Um Viciado, Brasília Periferia, Super Billy, Rap das Quebradas, Vida Eterna, A Paz Que Sonhei, Verão na VR. Etc. 

Por ALEXANDRE LOPES 
E-mail: rapgangstabrasil@gmail.com 
Instagram: @rapgangstabrasil 

Abaixo você confere uma playlist no Spotify, com uma seleção de Rap's que não se limitam ao tempo de duração:

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