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terça-feira, 9 de julho de 2019

O Hip Hop fica Órfão (de novo) - Fim do Manos e Minas

O Hip Hop no Brasil, como uma cultura, vive de altos e baixos, em um momento rouba de assalto vários programas de TV, tem rap nas novelas, break nos programas de auditório, graffiti no designer dos cenários e DJ fazendo performances ao vivo, noutro momento acontece um fato triste como esse anunciado no último dia 05/07, o encerramento do único programa de Hip Hop da TV aberta brasileira, o lendário Manos & Minas, na TV Cultura.

Os fatos são os seguintes, José Roberto Maluf, presidente da Fundação Padre Anchieta desde de junho, tomou a decisão de encerrar o programa, e seguir com algumas reprises. A emissora não deu um pronunciamento oficial, mas o elenco do programa já foi desligado, e manifestou sua indignação nas redes sociais. O primeiro a dar a triste noticia foi o produtor Vrass77 em seu canal no youtube. A principio essa nova direção da TV Cultura irá desconversar e esfriar o assunto, até que de vez possa extingui-lo.

O Manos e Minas passou por isso em 2010, com o então presidente da FPA, José Sayad, que declarou o fim do atrativo, mas voltou atrás após forte apelo do público que pressionou a organização reivindicando seu retorno, que aconteceu em novembro daquele ano. Personalidades do rap nacional como Emicida e Kamau e sites e blogs ligados a cultura assinaram uma carta direcionada ao então senador Eduardo Supplicy, pedindo ajudo para que a cultura de rua não ficasse órfã de representatividade na TV.

Thaide e Rappin Hood, os primeiros apresentadores da fase independente do Manos e Minas

O Manos e Minas está no ar desde 2008 como um programa independente, e nasceu em 1993 como um quadro do programa Metropolis, começou com o comando de Rappin Hood, que em 2009 passou o bastão para Thaide, que seguiu até 2010, Max B.O foi o novo apresentador, tendo auxilio de Anelis Assunpção, e em 2016 Roberta Estrela D'alva assume o comando até esse fatídico ano de 2019.

Em época de streaming e auge das produções independentes, talvez a TV se mostre dispensável, mas a fita não é essa, a cultura Hip Hop respira por aparelho no Brasil, por pessoas que realmente amam a o que fazem, e levam isso nas costas a mais de 30 anos, enquanto que o rap, como um gênero musical vai muito bem e cada vez mais crescente. O Manos e Minas mais do que um programa musical que apresentava MC's é um programa de Hip Hop, que fortalece os 4 elementos, que fortalece a visão do gueto para o gueto, do underground, da cena do slam, da cultura de quebrada. O Manos e Minas, além de seus apresentadores, do DJ Erick Jay, residente, e da banda Projeto Nave ou do vídeo repórter Rodney Suguita, contava com um grupo de pessoas na contenção, retadores, editores, câmeras, iluminação, diretores, e etc.

DJ Erick Jay, uma das grandes atrações do Manos e Minas

O Manos e Minas, ao longo de 10 anos de TV, se mostrou sempre atual, mas sem perder suas raízes, ou as raízes da cultura, se manteve fiel no front, mesmo não tendo um programa irmão, ou concorrente, como prefiram, em alguma outra emissora. Bem verdade que tivemos outras atrações, como o Aglomerado, Hoje Eu Desafio o Mundo Sem Sair da Minha Casa, Câmera Ligada ou o Hip Hop Brazil, mas como disse inicialmente, são altos e baixos, hora esses programas estão em alta, a cultura é moda e o Hip Hop é foda, hora todos somem e o principal programa é excluído da grade da TV Pública, e o Hip Hop fica órfão, de novo.

Todos os dias revistas, sites, programas de TV e rádio, festas e bailes encerram suas atividades, e a voz que o Hip Hop poderia ter é deixada de lado, rumamos para que a cultura seja resumida a poucos grupos sobre o tema no Facebook. é necessário entender que o Hip Hop não é uma dança antiga ou música de tiozão, histórias de saudosistas, o Hip Hop é uma ferramenta de transformação e que salva vidas, e é preciso lutar por ela, viver e respirar essa cultura que tem ensinamentos fantásticos. Aqui toda solidariedade ao programa Manos e Minas, e o Submundo do Som está na luta para o retorno do programa e fortalecimento do Hip Hop.

Especial de 10 anos do programa Manos e Minas, confira na íntegra

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