M4NIFESTO É A VOZ DOS SEM VOZ - Submundo do Som

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

M4NIFESTO É A VOZ DOS SEM VOZ


O hardcore se manifesta pela resistência e em prol da vida, essa é a pegada do EP A Voz dos Sem Voz, da banda M4NISFESTO. Formado por Rick na bateria, Cezinha no contrabaixo,  Isma na guitarra e o vocal de Stéfano, o projeto tem pouco mais de um ano de existência e a união desses nomes trazem um alento a periferia.
M4NIFESTO é a atitude no rock que o país precisa, em tempos sombrios até as batidas clamam resistência, a mescla do hardcore, a atitude punk, o vocal visceral do rap e as letras com forte teor politico, sem politicagem, apenas contenção sonora para a resistência dos mais pobres nesse governo distópico são os elementos desse álbum.

A capa do EP traz elementos importantes para mostrar a Voz dos Sem Voz, livros trazendo a sabedoria, inspirações do rap nacional dos anos 90, com o livro dos Racionais MC's, sobre o disco Sobrevivendo no Inferno, a censura sofrida pelo Facção Central, na figura do marginal encapuzado, sem rosto, sem voz, botando em choque a sociedade só pelos atos, esses são manifestos, assim como a caligrafia de pixo, como as que desobedecem a ordem e aparecem no topo dos arranha-céus, ao mesmo tempo mostrando que não há nada de novo hoje. As velas em homenagem aos que caíram, as nossas orações. Ainda cabem homenagens a banda Bad Brains, um dos pioneiros do HC, Marghella, Malcon X, Martin Luther King e todos os Panteras Negras, na figura de Kathleen Cleaver.  


Foto por Xixila Photos - 2019
O disco abre com a música “Oração”, de apenas 1 minuto e 16 segundos, tempo suficiente para passar o recado: “Eu voltei só pra, mostrar pra esses cú como é que faz”, a faixa é um cartão de visitas para o restante do álbum, o peso dos instrumentos e contundência nas ideias. Antes do lançamento do EP, a música Oração foi lançada em vídeo clipe, que contou com colagens do funk “Dominar o Mundo”, do MC Menor MR, e o tapa na cara da sociedade hipócrita e conservadora:
“Eu vaguei pelos jardins
Perdido das rosas incrédulas
Vivendo pra buscar as cédulas
Revoltado até o núcleo das células
Dei Pérolas, aos porcos
Rogo pelo fim destes tempos de trevas
Onde Bozos e Moros falam pelas massas”

Seguindo temos a faixa homônima à banda, “M4nifesto”, com participação de Luiza Rampazzo, companheira de Stefano no grupo de rap 38 Mil Manos, a faixa é pancada do começo ao fim, num verdadeiro manifesto de um grupo com munição de sobra: “Não...Espere de mim rima fraca de cusão! Nem....Tema de festa que anima a população ...”,  destaque para as variações e instrumentais da música e os brilhantes riffs:

“Mandaram matar Marighella
Mandaram eu morar na favela
Mandaram acender minha vela
No fundo de cela mas eu não quis ela...
Na selva pobre mata pobre!
Quem socorre é o mesmo que sofre
No bote, bebendo mais uma dose
Overdose!”

A terceira faixa também havia sido antecipada antes do lançamento do EP, “Aos Que Caíram” homenageia aqueles que o estado brasileiro, negligente e fascista assassinou. Nomes como Marielle, Mestre Moa, Ulisses e Sabotage são lembrados, o rapcore é o hino que mantém viva a lembrança dos que lutaram pelo nosso povo e tombaram nessa longa estrada da vida, e inspira a seguir na linha de frente contra arbitrariedade covarde dos poderosos:

“‪Sou o resultado
‪Dos nossos antepassados
‪Fadado ao mesmo caminho
‪Sem flores, só espinho, bandeira hasteada, homenagens e hinos
‪Somos caminhos tortos
‪Rotas de abismos
‪Destinos ébrios
‪Vírus contraídos
‪Brilhos contidos em frascos consumidos”

A faixa quatro é uma espécie de skit, “Casus Belli” é um depoimento, um desabafo em meio a chuva que cai, o latido dos cachorros e a sirene dos homi, enquanto a melodia flui a matéria marca os compassos e dá a ritma a fala sobre a fantástica fabrica de cadáveres de jovens negros e periféricos, chamada Brasil. A situação atual é a mesma de 30 anos atrás, o descaso só aumenta e quem sofre é a periferia:

“Vidas são descartáveis, mas projetos de reintegração, de antecipação de formação de menor infrator, de inclusão social breca a violência, liga… minimiza o caos... recicla vidas ... nois segue ai, através da musica que a gente faz tentando resgatar antes que aconteça o pior”
                                                                         Foto por Xixila Photos - 2019

Na faixa 5, a celebração pela "Vida" e os contrastes que viver traz, e o paradoxo sobre a inspiração na vida para sobreviver. M4NIFESTO segue mudando vidas com música, comprovando que esse é o maior antidepressivo do mudo, a paulada sonora é um soro antiofídico que dá mais um gole de vida:

"Eu to lutando antecipado pela vida das minhas filhas
Sacrificando a minha vida por elas!

Desligo telas, mato feras
Fujo de celas , muitas delas eram belas nas eras de ganho a vera,
grades ou janelas...

Entenda agora miséria é o que causa guerra... "


Fechando o EP, temos a canção "Nada de Novo", que antes de cair no hardcore vem com a essência do rap de periferia, mostrando um retrato do Brasil atual, e síndrome da barata que aplaude o inseticida. A música conta com participação do DJ Elvis, também do 38 Mil Manos, com colagens de Djonga e Sabotage, e novamente riffs brilhantes e refrão de tirar o fogo:
"Não tempos de mudanças,
De novas alianças...
Da retomada de nossas crenças!
Os tempos são turvos, sem esperanças!
Devemos isso aos que caíram,
Aos que se Manifestam
Aos que buscam numa Oração!
E principalmente para quem pede desesperadamente por Vida
Por aqui não tem Nada de novo! Nada de novo!
Continuamos mudando vidas com musicas!
Traçando os planos, metas!
Metas não são sonhos! São metas!
M4NIFESTO"

A Voz dos Sem Voz é um disco autêntico e necessário nos tempos atuais, e é também a voz da resistência, é a periferia na linha de frente. Não são músicas para aqueles doutrinas de pensamentos retrógrados e sim para aqueles que querem uma mudança real para o povo sofrido e que sonha com a paz, na verdade tem a paz como meta, pois metas não são sonhos são metas!

A mescla do rap com o hardcore, na intensidade e doses que a banda propõe é um trabalho não muito explorado em terras brasileiras, o rap core é o hino e mantém a resistência viva, que segue mudando vidas com música. A Voz dos Sem Voz, da banda M4nifesto, é um trabalho para se ouvir na sequência, daprimeira a última faixa, e quando terminar voltar para a primeira e conferir o album mais uma, duas, três vezes. O único defeito dessa obra prima é ser um disco curto, mas conseguiu condensar as ideias necessárias, somadas a cozinha do hardcore, em seis faixas tapa na cara. ótimo trampo para se ter em vinil, fica a dica para o Stéfano e companhia.

Abaixo, curta o álbum A Voz dos Sem Voz no Spotify:



Abaixo, curta o álbum A Voz dos Sem Voz no YouTube:


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