12 de Novembro: Dia Mundial Hip Hop - Um Breve Histórico - Submundo do Som

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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

12 de Novembro: Dia Mundial Hip Hop - Um Breve Histórico


Hip Hop, gíria em inglês para "mexer o quadril", no início da década de 70, o termo passou a representar uma cultura em movimento com tentáculos em todo o globo. No bairro do Bronx, em Nova Iorque, aconteciam as chamadas Block-Party, ou seja, as festas de apartamentos, e uma em especial aconteceu em 11 de agosto de 1973, na Avenida Sedgwick, 1520, organizada pelo DJ Kool Herc, usando dois toca discos que acho no lixo e utilizando dois discos iguais, isolando a parte instrumental de forma manual criando um loop, o chamado "break" que percebeu que era o ponto máximo da música, onde a galera literalmente se jogava no chão para dançar.

Herc, de origem jamaicana, trouxe para os EUA elementos da cultura Sound System de Kingston, como as festas e as poesias faladas em cima de um instrumental para fazer uma denuncia ou protesto político, quando a Jamaica se encontra com a periferia de Nova Iorque, tomada pela disco, soul e funk, os negros, latinos e periféricos encontram uma forma se se expressar, o Hip Hop, formado por quatro elementos o DJ, Breaking, Graffitti e MC.
Geneaologia Hip Hop (Veneta)

O DJ nasceu com Kool Herc, dois toca discos e mixer, e popularizada por Grand Master Flash e implementado por Grand Wizzard Theodore, a quem é atribuído a criação da técnica do scratch. O MC, ou mestre de cerimônia, nasceu ali na mesma festa, com base nos toast da cultura sound system, ou seja, a conversa, ou canto falado em cima da batida, que por sua vez era criada pelas DJs através da técnica de "back to back" para isolar em loop e o instrumental e fazer a galera dançar, tal dança o break, ou breaking, sendo a expressão corporal da cultura. Há quem defende que os movimentos do break são protestos contra a guerra do Vietnã, como por exemplo o "back spin", giro de costas, simboliza o helicóptero militar, e os movimentos quebrados de braços, pescoços e pernas representam um civil baleado, porém tais afirmações não têm veracidade atestada. Por fim o graffiti é a arte plástica pintada nos muros e vagões de trem, como forma de protesto, criada e difundida no início da década de 1970 com os demais elementos.

O DJ Afrika Bambaataa, fundador da Zulu Nation foi o responsável por identificar e agrupar esses 4 elementos sob o nome de Hip Hop, que passou a ser tratado, de forma natural, como uma cultura, tendo como princípios: organização, compromisso com a quebrada, respeito e o lema de “paz, amor, união e diversão”, o que colocou fim em várias disputas de gangs, trocando armas por disputas de breaking.


Atribuído como o primeiro rap, a poesia "The Revolution Will Nota Né Televised" do poeta e instrumentista de Gil Scott-Heron, porém a música não foi pensada como Hip Hop, e foi a música "Rapper’s Delight", do grupo Sugarhill Gang, de 1979, que mais deu visibilidade ao rap, e é considerada como o primeiro rap.

O intrumental de "Rapper's Deligth" também ritmou o primeiro rap do Brasil, a música "Melô do Tagarela", de 1980, do jornalista Mielê, alguns não levam em consideração esse trabalho, por não ter sido pensado por um MC e não ter tido continuidade, levando o título para Pepeu, Mike e DJ Bacana com "Melô do Bastião", de 1982.

Aí decorrer da década de 80 no Brasil muitos raps foram gravados, foram lançados em LPs, principalmente em coletâneas, mas nenhum disco trazia exclusivamente a essência do Hip Hop, até o lançamento do Cultura de Rua de 1988, e a exemplo do que aconteceu com Bambaataa, o disco pois fim em disputas de gangs, a Back Spin, Crazy Crew, Nação Zulu e Street Worriors deixaram suas diferenças de lado para trabalharem no disco que lançou Thaide & DJ Hum, o grupo O Credo, MC Jack & DJ Ninja e o grupo Código 13. Uma semana depois eu lançada a coletânea O Som das Ruas, que dentre vários artistas trouxe Sampa Crew, Ndee Naldinho e Os Metralhas, mais tarde Lino Krizz e DJ Cri. No ano seguinte, em 1989, o álbum Consciência Black é lançado, trazendo Sharyline, Gregory e o lendário Racionais Mc's.

LP Hip Hop Cultura de Rua - 31 Anos de História

A partir daí o rap passou por autos e baixos nos anos 90, se solidificou nos anos 2000 e a partir dos anos 2010 explodiu, não só no Brasil, mas no mundo, sendo o gênero musical mais ouvido no mundo e gerando cifras estratosféricas como as que ouvimos falar hoje em dia. No entanto, o rap se distância dos outros elementos, e se divide como produto e cultura, o rap comercial, o produto, é o que gera a receita gorda, enquanto que o rap cultura, ligado ao DJ, break e graffiti, com compromisso com o Hip Hop está respirando por aparelhos.

Depois de se firmar como cultura de quatro elementos, o Hip Hop ganha a adição de mais, o Conhecimento, muitos discordam desse termo, pois é necessário ter o conhecimento e a informação nos outros elementos e na integração de todos, mesmo assim o quinto elemento foi aceito e usado quando o assunto é a definição do Hip Hop. KRS-One define o Hip Hop como uma cultura de 9 elementos, além dos quartos originais, o DJ, MC, Graffiti e Breaking são acrescidos o Beatbox, Empreendedorismo de Rua, ou seja, os negócios voltados ao Hip Hop, a linguagem de rua e a moda de rua, além do conhecimento de rua, o quinto elemento também é reconhecido por KRS-One. Além disso, muitas outras manifestações artísticas e culturais, da chamada cultura urbana, flertam com o Hip Hop, como a cultura chicana dos lowriders, a literatura marginal, o basketball, o futebol de rua, o freestyle, os beatmakers (hoje dentro do rap), e vários outros.

A data de 12 de novembro é considerada como o dia mundial do Hip Hop, e vai de encontro com o nascimento da Zulu Nation, que foi quem organizou a cultura. Também se comemora o dia 11 de agosto, como a data do nascimento do movimento. Com quase 50 anos de existência o Hip Hop tem influência em vários setores como na literatura, quadrinhos, cinema, animações, TV, moda e transmissão de conhecimento, ao redor de todo o mundo, e ainda é responsável pela conscientização de jovens e autoestima da negritude, principalmente a periférica.

Abaixo a mixtape do DJ Nuts, uma viagem sonora pela história do hip hop nacional, com quase 3 horas de música
:

TRACKLIST MIXTAPE:

Mc Kid – Um Toque – 1991 – Musical
Dr Hype Bass – A real – 1991 – Kaskatas
Radicais do Peso – A real – remix – 1992 – Kaskatas
Sweet Lee – Comandando multidões – 1991 – Kaskatas
Geração Rap – Cuidado – 1989 – Kaskatas
Mister Theo – Cerveja – 1990 – Kaskatas
Karlinhos e DJ Cuca – Melo do Scooby Doo – 1990 – Kaskatas
Musicar – Electro Rock – 1987 – Kaskatas
Mike & DJ Bacana – Melo do Bastião – Kaskatas
Pepeu – Nomes de meninas – 1989 – Kaskatas
Pepeu & DJ Cuca – Nomes de meninas – remix – 1992 – Kaskatas
Região Abissal – Falso ingles – 1988 – Gel
DJ Rafa e os Magrelos – Magrelos – 1990 – Kaskatas
Thaide DJ Hum – Claudio eu tive um sonho – Eldorado
Thaide DJ Hum – feat. MC Jack – Corpo fechado – remix – 1989 – Eldorado
MC Jack – Vicio – 19?? – Eldorado
Jacaré – Balanço do jacaré Gererê – 1989 – Gel
MC Jack – Centro da cidade – 1988 – Paralelo
Código 13 – Gritos do silencio – 1988 – Parelelo
Código 13 – Código 13 – 1988 – Paralelo
GUETO – G.U.E.T.O – 1987 – WEA
Mister Sam – Rapping Duke – 1985 – Young
MC Jarbas – Na onda do Rap – 1988 – Simão discos
Escowa e a Mafia – Estação São Bento – 1989 – EMI
MT Bronks – O dia seguinte – 1993 – Zimbabwe
Alibi – Velocidade aqui é a arma – Discovery
Miele – Melo do Tagarela – 1980 – RCA
Baby Face – Melo do Tagarela 2 – 1980 – Building
Equipe Radio Cidade – Bons tempos ano novo – 1980 – EMI
Gerson King Combo – Da madureira a Central – 1985 – Lança
Truke – Da um break – 1984 – RCA
Buffalo Girls – Quero dançar um break – 1984 – Young
Cascatinha – Break do Cascatinha – 1985 – RCA
Eletric Boogies – Break mandrake – 1984 – RGE
Black Juniors – Mas que linda estas – 1984 – Young
Villa Box – Break de rua – 1984 – Epic
Dynamic Duo – Dont you know Tim Maia racional – 1989 – Fat records
Dymanic Duo – feat . General G – Situation rap – 19?? – Fat records
Mc Mattar – Sos Brasil – 1991 – Kaskatas
Duck Jam e Nação Hip Hop – Colarinho branco – remix – 1992 – TNT
Racionais – Beco sem saida – 1990 – Zimbabwe
Racionais Mc’s – Panico na zona sul – 1989 – Zimbabwe
Sharyline – Nossos dias – 1989 – Zimbabwe
Mc Gregory – Chanceman neguinha – 1989 – Zimbabwe
Ndee Naldinho – Melo da lagartixa – remix – 1992 – TNT
Ndee Naldinho – E essa mulher ? de quem é ? – remix – 1993 – TNT
Ndee Naldinho – Maquina de dança – 1993 – TNT
Região Abissal – Vem ca – 1988 – Eldorado
Radicais do Peso – O peso – 1991 – Rhythym and Blues
Moleque de Rua – Rap do moleque – 1992 – Columbia
Rick & Nando – A realidade – 1989 – RGE
Mister – Melo da chic – 1988 – Epic
Os Metralhas – Rap da abolição – 1988 – Epic
Sampa crew – Não mate a mata – 1990 – Kaskatas
Sampa crew – Não mate a mata – remix – 1992 – Kaskatas
Derek Sistem Rap – N Natureza – 1993 – Rhythym and Blues
RZO – Pobre no Brasil só leva chute – remix – 1993 – MA Records
RZO – Pobre no Brasil só leva chute – 199? – GP Records
DMC Rap – Tributo ao presidente – 1991 – Black Mad
Comando DMC – Tributo ao presidente – remix – 1992 – Black Mad
Vitima Fatal – Verde e amarelo – 1992 – Chic Show
Sweet Lee – feat. Marcos – Sou Sweet Lee – remix – 1992 – Kaskatas
Peso Pesado GOG – A matança continua – 1992 – Discovery

Fonte da mixtape: Jornal do Rap

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