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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Hip Hop no Chile


O Hip Hop no Chile, assim como no Brasil, chegou por volta de 1984, através do breaking, inspirado em filmes como Flash Dance, Breakin e Beat Street. Don Francisco, apresentador de Sábados Gigantes, levava em seu programa alguns artistas de break, como Pabón y Clemente respectivamente das crews Magnificent Force Popmaster Fabel e Mr. Wiggles, de certo modo, Don Francisco ajudou a propagar o Hip Hop no país. A partir daí, surgem primeiras gangs de dança do Chile, a Montaña Breakers, B14, Floor Masters, Night Fury, Trons, Electric Boys e T.N.T.

No ano de 1986 acontece em Santiago uma reunião entre as crews, como uma forma de organizar o movimento, e ocorre na viela Bombero Ossa, considerado o berço do Hip Hop chileno, a rua era como a 24 de Maio em São Paulo, reuniam jovens de capital chilena para praticarem o breaking nas tardes de sábado, o point chegava a ter mais de 300 pessoas entre adeptos e simpatizantes. E é nesse momento que surgem os primeiros MC's, DJ's e grafiteiros santiaguinos, e surge também a figura de Jaime "Jimmy" Fernández, chileno de nascença, veio da Itália, em 1987, após quinze anos no Panamá, e trouxe para o país andino o que aprendeu com o Hip Hop europeu, trazendo avanço para a cena de sua terra natal. Jimmy Fernández pode assistir em Roma a um show de Afrika Bambaataa, que o influenciaria e também frequentou grupos de break e teve a experiência como MC, quando regressa ao Chile participa do álbum do grupo De Kiruza, que mesclava Hip Hop, Soul e ritmos Latinos, gravando a faixa "Algo Está Passando", de 1988.

Grupo Pantera Negras, em 1990, dançando em frente a graffiti que referência o filme Neat Street

A crew de b.boys Electric Boys, liderada por Eduardo Menezes, aka LB-1, frequentadores de Bombero Ossa, e participantes do documentário  "Estrellas en la Esquina" dirigido por Rodrigo Moreno, para o Teleanálisis, um jornal clandestino durante a ditadura de Pinochet, viu o show do grupo De Kiruza, no parque O'Higgins, em 1988. Meneses procurou Pedro Foncea, vocalista da banda, para conversar sobre a cultura negra, e o encontro fez com que Eduardo se motivasse a montar um grupo de rap, assim nascia no bairro Huamachuco a banda Panteras Negras, em 1990. No mesmo ano, Jimmy Fernández se junta com Rodrigo "Johan" Méndez e formam o The Latin Posse, que pouco depois muda de nome para La Pozze Latina. Os pioneiros do rap chileno foram Panteras Negras e La Pozze Latina, além de embrião implantado pela banda De Kiruza, que mais tarde inspirou o grupo Los Tetas, fundada em 1994 e que faziam o mesmo tipo de fusão.

Documentário "Estrellas en la Esquina", de 1988

Entre 88 e 90 surgem os primeiros grafiteiros do Chile, cujo o mote eram os protestos nós murros contra a ditadura no país, e ao mesmo tempo aparecem os primeiros DJ's com DJ Rata do grupo Panteras Negras, DJ Cherry do Full Power Crew Coquimbo, DJ King Master, hoje com a alcunha de DJ Cogollo, primeiro DJ do grupo La Pozze Latina e do grupo Los Marginales, outro pioneiro do Hip Hop no Chile, nascido em 1991.

Grupo Los Marginales em foto para o álbum Marginal, de 1992

Também em 1991, o grupo Panteras Negras lança seu primeiro trabalho, intitulado "Lejos del Centro" pelo selo independente Liberación. O grupo Tiro de Gracia também inicia suas atividades, vindo a ser um dos expoentes da cena no Chile, assim como o grupo Fuerza Hip Hop. Em 1993 acontece o 1° Ecuentro Nacional de Hip Hop, na cidade de Coquimbo, reunindo pessoas de todo o país e promovendo campeonato de breaking, no ano seguinte teve a segunda edição do encontro, dessa vez realizado em Santiago. Também em 1993 o grupo Pantera Negra lança o primeiro disco oficial, o "Reyes de la Jungla" pelo selo Alerce e o La Pozze Latina lança seu primeiro trabalho, o disco "Pozzeídos por la Ilusión".

Cartaz do 1º Encontro de Nacional de Hip Hop, realizado em 1993 na cidade de Coquimbo

A partir daí diversos grupos surgiram na efervescente cena do Hip Hop chileno, e a Bombero Ossa fica pequena, então os adeptos passam a frquentar, por um tempo, a rua San Agustín, e depois a Estação Mapocho, um centro cultural da cidade e antiga estação de trem, que virou o ponto para as batalhas de freestyle entre 1995 e 1998.

Com a fomentação da cultura, o Hip Hop no Chile chega em seu auge no ano de 1997, com artistas como o Tiro de Gracia e Makiza arrebentando na vendagem de discos, sendo certificados com disco de Ouro e Prata pela indústria fonográfica chilena, outros grupos que também sucesso na comercialização de discos foram Clan Enigma Oculto e o Mamma Soul. Nesse período o rap no país vizinho passa por transformações e experimentalismo danificando em diversos estilos de produção, e nascem os coletivos La Coalixion, Demos Sapiens y Hiphoplogía, que reuniam diversos MC's no intuito de entreter e educar.

Álbum Del Mensaje a la Acción, lançado pelo coletivo HipHoplogia, em 2001

O Chile se destaca por apresentar um rap politizado, e nesse quesito se destacam os grupos Legua York, SubVerso, Guerrillerokulto, Salvaje Decibel, além dos já citados Panteras Negras e o LB-1, em sua carreira solo ao grupo La Pozze Latina.

Um evento de grande importância em terras chilenas foi o Festival Agosto Negro que fomentou a cena e ajudou a descentralizar o Hip Hop do país, tendo como sede outras cidades além da capital. A cena no Chile passou a ter como protagonistas grupos como Mutante Style da cidade de Puerto Montt, De La Nueve de Temuco, Tormento y Rambo de Valdivia, Enlace 041 da cidade de Concepción, Eskina Familia Skuad de Iquique, Legado Clan de Antofagasta e o Mandingas do município de Copiapo-La Serena. Porém ainda em Santiago, outro point foi de extrema importância, a Comuna de Maipú, considerado o berço da nova escola, fomentada pelo MC Base, do grupo Distorsión Lírica, que reunia diversos artistas aos domingos para o grafitar, discotecar, dançar e improvisar. 
Bboy dançando popping na Bombero Ossa em 2014.
O local reúne a galera da velha escola em encontros nostálgicos.

A diversificação de estilos e o número cada vez mais crescente de grupo solidificou uma cena muito rica no Chile com freestyle pelas praças, principalmente em Santiago e bailes orquestrados por DJs como DJ Raff, DJ Spacio, DJ Patua, DJ Dacel, DJ Sweet e DJ Seltzer, sempre convidando algum grupo de rap para agitar a noite.

Após a fase de alta vendagem de discos e destaques dos grupos no mainstream da música chilena, o rap entra numa fase mais modesta a partir do ano de 2005, e surgem novos artistas que trazem outro oxigênio para cena, entre eles Mic Aberración e La Peeña Crew. Nessa mesma época surgem grupos que apostam na mistura do Hip Hop com o raggamurphin, reggae e dub atingindo um público novo, mas é na mistura do rap com o hardcore que manteve a essência do Hip Hop oriundo das ruas de Santiago, e nesse cenário underground se destacaram o MC Jota Droh e os grupos Estrellas del Porno e Bajo el Sepelio, o underground também tem longa vida com os grupos Rezonancia, Sombras Siniestras, Los Brujoz, Calambre, Da nos, Ultratumba e Soulistical.

Desde de 2012 o Chile voltou a viver uma ótima fase no rap, impulsionados pela nova geração e pela modernidade dos timbres e estilos de produção, como o trap, artistas como Arte Elegante, Cevladé, Omega el CTM, Portavoz, Bascur, Inkognito, Borderline, La habitación del Pánico, Chystemc, Chilenos Mcs, Centinela Spectro, Gran Rah, La Akademia, ZitaZoe, Michu MC, Belona Mc, Flowyn, Latina Sativa, CHR, Emcel, Sello Personal, Mente Sabia Crú, Ley 20MIL, GuerrillerOkulto junto com diversos beatmakers fazem acena do Chile cada vez mais empolgante.

Ana Tijoux foto por C Brandon/Redferns

Um dos grandes nomes do rap do Chile é o de Ana Tijoux, cantora de rap  que firmou dupla com Zaturno nos anos 90, conhecidos como Los Gemelos, e integrou o Makiza, na época dos grandes sucessos do grupo. Tijoux emplacou música no jogo FIFA 11, da EA Sports e também na série Breaking Bad.

Confira uma playlist feita pelo Submundo do Som, reunindo o melhor do rap do Chile:

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