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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Noticiário Periférico lança o Vol 4 da coletânea A Coisa Tá Preta


O site Noticiário Periférico, conhecido por ser um dos melhores portais da comunicação negra e periférica, com pautas voltadas ao Hip Hop e a cultura urbana, segue a tradição de organizar a coletânea A Coisa Tá Preta, sempre lançada no dia 20 de Novembro com o intuito de celebrar o mês da Consciência Negra, e em 2019 chega em sua quarta edição e tem como objetivo de dar espaço e voz aos artistas negros.

O projeto reúne músicas lançadas no decorrer do ano, frisando artistas independentes com o intuito de fazer a comunhão da música negra brasileira. A Coisa Tá Preta Vol 4 traz as mais váriadas manifestações do rap, vai do boombap ao trap, com love songs e punchlines vibrantes em letras que denunciam o racismo e trazem, apesar das dificuldades, a beleza negra em 20 faixas.

O álbum abre com a faixa "OQCÊQUERBOY", do grupo Tramando Ideia Rap, de São Bernardo do Campo, e com produção assinada pelo Vibox. Que ressalta a afirmação negra enquanto há, por parte da elite branca, uma tentativa de apagamento dessa história:

"Nego pega a visão
Crespo é lindo, não alise
Livre é ser o que somos
Fortes como as raízes

Nego o sistema é falho

Livro na escola mente

Antes, senhores de escravos
Hoje a mídia escraviza as mentes"


Na faixa dois a MC Torya apresenta "Acordei", som com produção de Gibin, com elementos do trap, para passar sua visão sobre o tema:

"Baby não me subestime
cê quer ser parte do meu time...
Melanina, melanize
a pele é preta, pique a noite
pegue o trecho memorize
quem me difama não entende nada"

Seguindo, o rapper angolano Troglobio MC, erradicado no Brasil, chega com "Black Love", produzida pelo Sérgio Beat e que integrou o brilhante álbum Mansa Musa, em letra que trás a temática do amor, como sugere o titúlo:

"low flow sem fim
foste feitas para mim
eu fui feito para ti
black, black, black love
black, black, black love
Não tem como negar
nosso amor é eterno
e eu duvido que exista alguém para acabar com esse love"

Shirley Casa Verde & Yzalú também estão presentes na coletânea, em faixa produzida pelo DJ TG Beats, "Ovelha Negra" fala sobre ser mulher e todos os poréns que isso traz, ainda mais sendo negra, mas "se ovelha negra eu sou, então vou permanecer"

"Já fiquei de pé na lua
atravessei a ponte pura
bloqueada por censura
andei de skate na rua
tomei um porre e acordei no outro dia as 7 horas da matina
andei descalço no asfalto
desci do salto
viajei de tênis e de mochila
cantei pra 10 mil
e pra 1, numa sala pequenina"

Na faixa 5, produzida por Bilbo, o rapper D.U.C.K traz o "Zangbeto" os homens da noite da cultura iorubá para denunciar o racismo e ascensão através do rap, mostrando os pretos no topo:

"Tão tratando o rap como game
tamo pronto pra jogar
eu ligo os maloqueiros que
joga na ceda a fumaça
toma cuidado, tem que tá ligeiro
pra não tá no mio na hora errada"

Depois temos o ragga rap de Thais Badu em "Sou Preta", faixa mais dançante produzida por Dubalizer, que fala das suas influências e referências, versatilidade e a beleza do seu corre enquanto exige respeito pela sua cor:

"Tenho o meu direito de catar 
e expressão
minha revolta é sobre igualdade irmão
todo dia alguém diz que vai me ajudar
a alcançar meu sonho que é simples, é cantar
durante anos eu ouvi essa balela"

Thiago Elniño se junta ao Projeto Preto para falar das dores que ainda não cicatrizaram em "Pretos Novos" com produção de Scooby Beatz, a letra fala a situação dos negros no Brasil e do dia, que há de chegar, em que os pretos tomaram o controle:

"Dessa gente que imacula terra
mano preto entenda que estamos em guerra
e essa porra mano um dia se encerra
quando nosso povo se organizar
cês tão fodido pra nos segurar
que o dia dos pretos dominar essa porra, um dia vai chegar"

Amanda NegraSim em "Preta Que Você Respeita" uma produção do DJ Tony-Di, vem num beat hardcore com marcantes riffs de guitarra, para falar da violência contra os negros e negras e necessidade de jamais abaixar a cabeça:

"Sol e chuva, 
eu sempre serei a mesma
coragem e atitude
aquela preta que você respeita
Seja Nós por Nós
potência na voz
que trazemos a nossa
negra raça
de fibra, caminhando sobre linhas estreitas
da vida
mulher negra siga, prossiga"

Na faixa nove Insano mostra "A guerra Que Você Não Vê", com beat boombap de melodia marcante numa produção assinada por Whell, a letra faz um protesto contra a matança do povo preto num Brasil cada vez mais racista e fascista:

"Nossas mortes não viram series televisivas
o racismo cada dia abre uma nova ferida
o abuso autoritário fez escala abusiva
nossa estadia nesse planeta é sempre reduzida
ocultação de cadáver virou abdução
supremacistas branco ganharam a eleição"

Na metade do álbum, Negra Jaque apresenta "Rap Novo", representando a cena gaucha, em um beat feito pelo time César, Arthur e Adriano, a música resgata a memória de guerreiras negras da nossa história e a inspiração que elas trazem para a luta cotidiana:

"Seguindo a sinfonia é rap contemporâneo
e com a matilha concluímos vários planos

um pedaço da nossa alma que vem para eternidade

ligamos os motores e fazemos de verdade

assim somos e mostramos para que vinhemos
contra palmas e olhares carregados de veneno"


A Coisa Tá Preta também tem uma diss, a faixa "Diss'perte" do MC Joker, numa produção de OGBeatzz num instrumental que remete ao blues da alforria, com melodia sampleada do soul e caixas que trazem uma sonoridade similar a dos grilhões agitados por liberdade, a música contra-ataca diretamente o racismo estruturado:

"Fizeram a gente crer que bonito é ser branco
o seu rapper favorito chapado afundado em treta
grite, igual bater numa mulher e ser um cara preto
correr atrás das brancas sem saber o que é a solidão das pretas
agora mesmo ficou ice, da cor do Vanilla
prefiro a militancia de Djonga, Djmila"

Em "Ogã" Costinha e Marcão Baixada sobem os BPMs em beat de Fabio QL, numa faixa com característica de hit, flertando com miami base e o trap, ao mesmo tempo que dançante, também é pensante, trazendo a conexão entre a raiz africana e a sobrevivência dos negros no Brasil:

"Maldade na mente 
eu tô ligeiro amor
gemendo tipo um trapstar (yeah!)
Nós vamo fazer amor
se livra da dor que for"

Na faixa 13 o DJ Will faz um remix do som de Júlio Moura com participação do Márcio Brown, na música "Em Frente", que aproxima a MPB, o canto melódico, a guitarra suingada com o protesto do rap, em letra sobre a resistência e o ode a seguir em frente de cabeça erguida:

"Licença aqui
consciência afrodescendente
cabelo crespo, pela parda
e muita ideia na mente
caminhando contra a corrente
eu vou abrir a porta
não vou pular seu murro
voz no microfone, eu sei que o jogo é duro"

Seguindo tem o som do ZAS em "Multa Até Malta" e participação do NegoIego, em beat feito pelo próprio ZAS, a música traz um resumo da situação do país, em que a elite não quer ver a ascensão negra, e clamam pela conscientização do empoderamento dos pretos e pretas:

"Nosso céu já ta coberto pelos prédios
e nosso povo alimentado pelo ego
igual na areai o prego
criando doenças para te vender remédio
e no planalto quem tem consciência leve
me diz você quem o nosso governo protege
mais uma vez a vida segue
Eles me odeiam igual ao Chris, e olha que eu tenho amigo Greg"

Arnaldo Tifu e Funk Buia vêm com o som "Ben Fela" fazendo a conexão entre Nigéria e Brasil, misturando o afrobeat de Fela Kuti com o samba rock e maracatu de Jorge Ben, num canto que remete a embolada, homenageando consagrados artistas numa comunhão da musica negra, em uma produção de Nixon Silva:

"afrobeat tem
suingue tem
cadência tem
malemolência tem
contamina bem
contagia bem
então tá tudo bem!"

Na faixa dezesseis Patch & PaipitoBeat musicalizam sobre as "Peles Pretas" em melodia inicial de uma caixinha de músicas para dormir, o beat vira para um som quem vem para tirar o som em um trap pesado e de batida densa, trazendo um recado para os racistas em letra que deixa as peles pretas arrepiadas:

"Tu não esperava o beat entrar agora
Igual vocês não esperava nós entrar pra cena
Ultrapassando e entrando pra história
Então só faça dois bagulho: sorria e acena
Mais uma letra pra eu decorar
Mais uma estante pra eu decorar
Mais um instante pra eu decolar
Conquistar a Terra de “conquistador” e pechar o Deco lá
Igual ao meu povo, uma história injusta
Parece que só existimos depois de escravos
Pesquisar um pouco mais me diz o que que custa?"

Ukah Veó mostra, em uma produção de Nansy Silvvz, "Nosso Reinado" com a melodia do canto africano de séculos, somado aos timbres modernos do trap em música que fala de alforria ao mesmo tempo que as marcas que a injúria racial deixa:

"tentaram me parar
quiseram me calar
vim querer derrubar
carregar minha cruz?
eu já vim nessa terra
venci essa guerra
eu passe pelas trevas 
a caminho da luz"

Na música dezoito uma "Vibe" da hora de Okzo e participação de Ally, que suaviza na voz e mantém o peso das rimas, isso num instrumental de Listenguzz, em letra que fala da independência para o povo preto, guiando seus próprios caminhos e se esquivando das armadilhas desse sistema:

"Que não era fácil eu já sabia
graças a Jah instruído pela minha família
e o perigo anda do meu lado
mas decidi deixar a sorte e escolhi o trabalho
e o capitão do mato vai tomar no cú
500 anos de Brasil
vai tomar no cú!
E acada 4 pessoas mortas pela policia, 
3 são negras, as 4 da perifa"

A penúltima faixa é "Um Minuto e Tal" de Lage e beat do próprio Lage e de Fabio Chapa, um boombap underground para uma love song, falando do relacionamento de um casal em meio as tretas do cotidiano, Melvin Santhana participa fazendo o refrão cantado num bonita melodia com influência do RnB:

"Ei preta,eu recebi sua mensagem e
já sei a roupa e a hora que chego
pedido seu eu sempre atendo, sabe que eu não nego
também tô cheio de saudade desse teu abraço
desse teu beijo
e outras coisas mais
aquelas de casais
que sobrevivem entre o caos e a paz
tô a milhão nessa cidade, cheia de gente que corre cada vez mais
mais, fora da linha tênue" 

Fechando o álbum tem Gabriel Shak que num produção de Jurrivh X Syndrome escreveu uma "Carta Para Malcolm", resgatando momentos históricos da luta negra e traçando um paralelo com a vida dos pretos nos tempos atual, denunciando o racismo e clamando para que o povo de pele escura siga na luta:

"Depois do sonho que saiu da garganta de Luther King
nóis ainda dorme acordado
pra ver um mundo assim
me sinto em 64 
me forçando a falar "sim"
discutindo e argumentando com gente
que não veio da onde eu vim
Malcon, desculpa te incomodar
mas o neto de quem te matou
tá querendo me matar"

A cada coletânea um projeto gráfico especial para a capa, no volume 1 foi o logo do Noticiário Periférico, já que o site é um dos principais porta-vozes de artistas negros não só do Brasil, mas do mundo, e você confere aqui o álbum. Na segunda edição uma pintura de Emory Douglas, um militante do partido dos Panteiras Negras, que você confere aqui. No volume 3 também uma pintura de Emory, essa retratando Carlos Alberto Caó, jornalista, advogado e politico brasileiro, falecido em fevereiro de 2018, que dedicou sua vida na luta contra o racismo, você a coletânea aqui. No volume 4, A Coisa Tá preta estampa na capa a figura de Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras desse país, e aqui você confere a última edição no site do NP!



Confira a coletânea A Coisa Tá Preta na playlist no Spotify:*

 
* A música "Zangbeto", produção de Bilbo, do rapper D.U.C.K, não está disponivel no Spotify, e por isso não consta na playlist.

Abaixo você confere a coletânea A Coisa Tá Preta no SoundClound:
 
Aqui você confere a coletânea A Coisa Tá Preta no YouTube:

No botão abaixo você faz download da coletânea A Coisa Tá Preta no YouTube:

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