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domingo, 17 de novembro de 2019

Rap Classista no Nordeste

Por André Gouveia Santos
Coletivo Maloqueria Nordeste
85-99139-3246


Fenômeno de resistência das quebradas Nordestinas, o movimento se espalha pelo litoral, mas também se constrói nas quebradas do interior e no sertão. Nessa primeira abordagem sobre o movimento, vamos focar em algumas capitais da região.

Expressão de uma juventude que não se ajoelha pras mentiras burguesas, nem pra dominação imperialista, que hoje corrompe boa parte da cena hip hop atual. Enquanto a tendência golpista do rap e até alguns figurões da cena se juntam com setores da ultra direita, da elite podre que controla a mídia reacionária e fascista, pra produzir rap ostentação ou uma fantasia de esquerda porém distante da luta de classes e consequentemente, fora da realidade da maioria das pessoas, especialmente do nordeste, no qual vamos abordar alguns dos destaques.

Enquanto as panelas de ativistas burgueses fazem uma grana com festivais e cirandas, tem uma galera que pensa e vai além desses limites, e organiza a quebrada de várias formas. Por serem construções essencialmente democráticas, porém classistas. A voz é sempre em tom de igualdade e não por imposição de local de fala. A experiência, trajetória e a ação em prol da coletividade tem peso e consequentemente são valores respeitados.

Diferente dos grupinhos onde toda a disputa por espaço ''na construção do movimento'' gira em torno de vaidades e egoismo. As organizações coletivas que observamos na nossa caminhada mostram que existe uma consciência de classe já aprofundada nesses espaços, sendo que as principais divergências ideológicas ficam entre o anarquismo e o marxismo.

Porém já é consenso nesses espaços que não há possibilidade de uma conciliação com os setores burgueses da sociedade. Ou seja, estamos falando de uma geração que é revolucionária, essencialmente. Que não espera pelo estado, não espera por um edital e a grana pública pra entrar em ação. Eles sentem a urgência de agir, de produzir e suas mensagens não se limitam a falar de festinha , baladinha e ostentação. Sem moralismo, tem sempre espaço pra falar de tudo, mas sem perder a essência de um rap nacional com raíz classista, contestando o status quo, desafiando o poder das elites e não se curvando pra propaganda capitalista liberal, como faz a esquerda pequeno burguesa universitária.


Vamos tomar como referência da nossa pesquisa a série Nordeste é o Topo produzida pelo Coletivo Maloqueria, que já passou pelo Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas e também destacar 2 nomes da cena de Pernambuco. Lembrando que agora no mês de novembro foi lançado o terceiro volume da série Nordeste é o Topo, filmado em Maceió com Toninho ZS, Tribo, JP, Felype Boka e Andrézão GDS.

Nordeste é o Topo é a série que já nasce desse grito e o desejo de quebrar com essa censura imposta aos revolucionários. Quando o grande capital percebeu lá no século 20 que através da manipulação das emoções das massas, ficava fácil pras elites controlarem o povo pra irem contra seus próprios interesses, a cultura no geral e especialmente na música e no cinema, passaram a ser uma arma pras elites, e os artistas se convertendo em traidores de classe, propagandistas de um estilo de vida burguês, consumista e egoísta. Na contra mão desse fluxo decadente, vem o Maloqueria Nordeste junto com tantos outros grupos nordestinos em plena ascensão, pra desespero dos identitários, eles não gastam 1 minuto em conflitos por meras vaidades e se organizam de forma objetiva, ja que os recursos são realmente escassos, e as oportunidades são raras.

Natal

Nordeste é o Topo #1 foi gravada em Natal, e é um geradaor de consciência de classe dentro do contexto do bairro de Mãe Luiza, onde os jovens carecem de uma formação ideológica, e tem como principal referência a mídia golpista que vendeu o anti petismo exaustivamente, daí nesse contexto a missão é de exaltar o potencial dos jovens negros que sofrem a mais covarde perseguição por parte do estado burguês, e também sobre a urgência de os mesmos em se organizar, seja em movimentos sociais ou partidos alinhados com a luta anti imperialista. Ao compreender essa mensagem que a música traz, ir pra luta se torna uma questão de sobrevivência e não mais uma simples escolha.


Zé Baga - ZN Ruas: Lenda do Rap Potiguar, o MC Zé Baga em parceria com Chico Bomba, já percorreram toda a caminhada dentro do rap nordestino. Premiados e reconhecidos como a dupla que representa a Zona Norte de Natal no mais alto grau. O Zé Baga constantemente é citado entre os melhores rimadores do Nordeste, por isso vale a pena dar um confere no canal da gravadora Na Tora Records.



Carcará na Viagem, o Miguel Carcará é uma figura emblemática dentro desse contexto de um rap classista no Rio Grande do Norte percorrendo todas as quebradas fazendo um notável trabalho de base, ele incorporou os elementos regionais da cultura nordestina com a sua linha de rap classista, nas rimas carregadas de referências, e muita atitude pra fazer denuncia e protesto e levar o hip hop como estilo de vida pra quem mais precisa, que são as crianças.



João Pessoa

Nordeste é o Topo #2 (CYPHER) : A série chega a João Pessoa onde a conexão entre o Andrézão GDS e os Menestréis MC's já vinha gerando frutos, em parceria com a Firma Monstro Crew e o CB StudioCom Atalaia e Peter dos Menestréis e o lendário SH do AbiaRap, essa formação marcou  na cena com muito peso por reunir 2 gerações do rap paraibano e também o destaque pra rima de Andrézão GDS em defesa do presidente Lula, enquanto a esquerda pequeno burguesa comemorava as prisões arbitrárias da Lava Jato.


Menestréis MC's - Atitude Ilegal: Menestréis MC'S é o grupo que melhor incorpora essa idéia de um rap classista e revolucionário na Paraíba. Com o incorruptível Atalaia, considerado o mais odiado artista pessoense, o ácido e cômico Edsgraça e o xamã intrépido Peter Fé, a força desses 3 artistas coloca o Menestréis MC's no mais alto patamar do rap nacional. Diretamente da Mangabeira, eles ajudaram a levantar a cena local, no que hoje é a maior batalha de MC's da Paraíba, a Batalha do Coqueiral.



Pernambuco

Nordeste Resiste (CYPHER) - gravado em Recife essa cypher denuncia a hipocrisia e a desigualdade que destroem a nossa sociedade deixando poucas opções pros que buscam uma alternativa revolucionária, daí a importância de conhecer as raízes pra levantar o Nordeste que é sem dúvidas a região que mais sofre com o governo fascista e xenofóbico. Ao mesmo tempo que denunciam as desigualdades e injustiças sociais, exaltam a qualidade da cena local e também traz a seguinte reflexão: Se existisse meritocracia os rappers originais de Pernambuco já estariam milionários. Muita trairagem, sabotagem e pouca união, infelizmente é disso que a cena está impregnada atualmente, e são poucos os que conseguem enxergar ou escrever algo a respeito disso e até mesmo a dificuldade de ouvir rap com uma ideia consciente diante da realidade atual.



Tai MC & Speed

Aqui é briga de rua, anti fascismo, anti xenofobia. Um verdadeiro combo mortal, não deixando nenhuma chance de sobrevivência pro playboy do sudeste, o qual preferimos nem citar o nome. Mas acredito que serve pra todos otários que pousam no rap com essas ideias imbecis de preconceito, elitismo, xenofobia e individualismo sem nenhum propósito ou ideal. O resultado é um nocaute certeiro nos rappers geração Android, youtubers aloprados e comentaristas de portais sem noção. Altamente recomendado o canal da Cuscuz Clã que é o coletivo de rappers mais pesado de Recife, e que bate de frente contra os grupos burgueses que estragam a alegria dos maloqueiros, produzindo raps altamente tóxicos e cheios de heresias liberais, muitos deles sem nem ao menos de dar conta da cagada que estão fazendo. Tudo em nome do hype, o que pros rappers classistas soa como algo patético e até desrespeitoso com a própria história do rap.



Maceió

Nordeste é o Topo #3 - chegamos em Alagoas, terra do mestre Hermeto Pascoal, mas também berço de um cenário vasto de rap original das quebradas. O rapper Tribo é destaque com seu trabalho autoral e também liderando a banda Favela Soul. Toninho ZS é uma das lendas do Rap Alagoano graças a sua contribuição junto a banca da Família 33 e o grupo Tequilla Bomb, JP é um dos nomes mais reconhecidos do underground alagoano, e o Felype Boka também um dos líderes a frente da Família 33. Eles receberam o Andrézão GDS em Maceió e com um beat monstro do Caos Beats, colaram no Vergel no QG Duz Mano e produziram esse trampo com a direção do PH. Lançamento incendiário na cena.



Só Não Testa Minha Fé

Felype Boka chega denunciando a realidade de miséria que empurra a população pra marginalidade por falta de opções e escassez o negro da periferia é forçado a entrar na mira do sistema pra garantir a sobrevivência, tendo um alto risco. Gangues e facções disputando espaço, deixando no caminho vários inocentes pelo chão, população completamente alienada pela manipulação da mídia, entregando o poder para os cães fascistas do capitalismo. Toninho ZS, Nego LoveDavi 2P narram as cenas que antecedem acertos de contas e chacinas que se tornaram rotina nas periferias das capitais do Nordeste.



Conclusão

Como todo movimento, é preciso estar atento a cada etapa do processo e saber quais as
tarefas que são mais urgentes, pra que as coisas possam evoluir. Assim o Coletivo Maloqueria segue suas atividades visando a construção de um cenário sólido pros artistas da periferia desenvolverem seu máximo potencial em prol da comunidade. Seja produzindo eventos, ou raps trazendo mensagens de consciência e libertação. O caminho é sempre pelo viés do comunismo e o marxismo, tendo como princípio avançar a cada trabalho na luta de classes, que hoje infelizmente é negada pelas massas exploradas nas periferias nordestinas.

Sabemos que em todas as regiões existem grupos com esse perfil, e que sofrem das mesmas condições de invisibilidade, falta de incentivo, e uma censura automática já pra todas produções com engajamento pro socialismo e que exaltem a ciência do marxismo. Uma censura pra todos que se expressam e enxergam o mundo através da visão marxista, tanto na teoria, mas também como já é a especialidade dos grupos de rap nordestino, colocando em prática essa guerrilha no dia a dia.

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