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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Gog é Peso Pesado

Em 1992 é lançado o pimeiro LP de Genival Oliveira Gonçalves, o GOG, com o álbum Peso Pesado, com produção do DJ Raffa, com quem o poeta já havia trabalhado anteriormente no grupo de Hip Hop Os Magrellos, o projeto apresenta apenas quatro faixas de GeÓge, porém a obra é composta por 8 canções, sendo um lado de GOG e outro do rapper Frank de Zeuxis e feito em parceria com a Discovery Discos, pioneira no Distrito Federal e especializada em rap, Frank apresentou as faixas "Filhos da Cidade", "Fique Esperto", "Quem Espera Não Alcança" e "Ironia".

Peso Pesado é o primeiro trabalho que Genival assina como GOG e através dessas quatro faixas dá inicio na sua bonita caminhada pelo rap nacional, que não se iniciou sozinha, além do DJ Raffa, auxiliaram GeÓge nesse projeto: Alemão, Marcão e MC Vapo, fazendo dobras, apoio e também versando, numa das características que sempre acompanharam o poeta, que é de sempre estar bem acompanhando em seus trabalhos.

O disco abre com um "Papo Cabeça", onde o rapper traça um paralelo da juventude, com a voz ativa, tentar mudar a voz do Brasil, desvincular daquela imagem cansada e principalmente distópica de velhos reacionários e conservadores que ocupam cadeiras no congresso e senado criando situações de proveito próprio e pouco se preocupando com a realidade do país: 

"Dizem que a responsabilidade chega com a idade
Que nada, meu cumpadi, veja os jovens rappers pela cidade
Pregando a moralidade, por outro lado, veja o quadro inverso
velhos gagás, a toa no congresso
Alguém se vira e me pergunta: Por que tanta ira?
Vivem entre a mira do mau e do tira
Que sempre andam com um ferro à tira-colo"

A faixa dois é "Jogo Bruto", onde GOG questiona o funcionamento perverso da sociedade e de seu pilares como a policia, a família, a imprensa e as pessoas com voz ativa e que formam opiniões. GOG também aborda a inversão de valores, onde as denuncias e protestos são tratadas como "tolices':

"Polícia troca tiros, apaga delinquente
imprensa sensacionalista chega, 
pega sangue ainda quente
o choro daquela mãe ninguém entende
ainda se sente no ar, o cheiro da agonia
daquele mala que um dia se dizia
cara forte, cara de sorte, vê se pode
presidio, se safou da ciranda da morte
e nada pode estampar da face esfacelada"

Na sequência a música "A Matança Continua" onde Genival varia entre um flow falado e uma levada cantada em música que fala sobre a conivência com a desigualdade social e racial por parte da sociedade em que estamos inseridos, provocando todos nós a reflexão:

"Aquela vez, você virou de costas, 
nada fez igual toda vez
ato por ato foi só foi só se complicando
agora escute, 
saiba que o medo e a omissão destroem um homem
você não vê, não crê, mas muitos passam fome
a crise existe, insiste e persiste
às escuras nas ruas não é armação
será que você nunca vai entender
que o sistema, cara, cobra muito caro de você"

E encerrando tem a canção "Soluções", onde o poeta cobra a classe politica para agirem e apresentarem 

"Vamos protestar, mas pra ganhar
Do jeito que está sinceramente não vai dar
Chega de promessas, de promessas estamos fartos
Queremos soluções se não seremos mortos
O que temos é nada, é só cilada
É pagar para ver, é ver para crer
Estamos cansados, desolados, mas tudo tem limite
E o que agride, aflige eis, que surgem gritos
Que por todos são ouvidos
São gritos que clamam por soluções"

Em seu primeiro álbum, GOG traz uma obra conceitual em volta da  situação Peso Pesado que o Brasil vivia e ainda vive. "Papo Cabeça" inicia dando o tom do álbum, "Jogo Bruto" e "A Matança Continua" são diretas em fazer essa fotografia do país e "Soluções" é sentimento e desejo da população, principalmente carente, que quer ver as ações sairem do campo dos discursos.

Peso Pesado traz a essência da fase inicial do Hip Hop com produções menos densas e mais eletrônicas, conforme o conceito da época, porém se afasta do "rap festivo", comuns no final dos anos 80, e adentra em temas tensos e políticos que caracterizaram o rap dos anos 90, é um disco lançado em um tempo de transição, com quase 30 anos de história e que, infelizmente, se mantém atual.


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