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Casa das Máquinas - O Exêntrico e Natural Rock Nacional dos 70's

O Casa das Máquinas anunciou uma nova formação e novo álbum, a ideia era o lançamento para 2019, o disco não saiu, mas seguimos na expetativa para 2020.

A banda foi formada em 1973, com José Aroldo Binda e o Luiz Franco Thomaz, o Netinho, ambos ex-integrantes da banda Os Incríveis, banda de rock dos anos 60, época da Jovem Guarda, eles de juntaram-se ao Pisca, vulgo de Carlos Roberto Piazzoli, guitarrista baixista Carlos Geraldo Carge, com passagem pela banda Som Beat, além do Pique, que integrava a banda do Roberto Carlos, tocando flauta, piano, órgão e saxofone. Assim que se juntaram a critica os batizou de "Os Novos Íncríveis", nome que adotaram informalmente e que lhes permitiu rodar o Brasil fazendo shows cantando músicas de Chubby Checker, Elvis Presley, Neil Sedaka e Paul Anka, o diferencial eram os figurinos com maquiagens extravagantes que chamavam atenção nas performances teatrais que faziam durante as apresentações. 

A banda foi um dos grandes nomes do rock nacional dos anos 1970, ao lado de outros grupos como o Made in Brazil, O Terço, A Bolha e os Mutantes. Em 1974 lançaram o primeiro disco, Casa das Máquinas, com uma pegada ainda bem hard rock, o que se assemelhava e muito a banda Os Incríveis. Nesse período, Pique opta por deixar o grupo, e em seu lugar entra o tecladista Mario Testoni Jr., e junto com ele entrou o baterista Marinho Thomaz, irmão do Netinho, e a banda passa a ter dois bateristas, sendo uma das pioneiras nessa formação,e em 1975 gravam o disco Lar de Maravilhas em 1975, com um estilo mais voltado ao rock progressivo, no ano seguinte lançaram o disco "Casa de Rock".

 Capa do álbum Casa das Máquinas, 1972

O álbum "Casa das Máquinas", primeiro da banda, foi  produzido pelo Estáquio Sena, que havia assinado produção do icônico disco dos Novos Baianos, o Acabou Chorare, de 1972, e a coordenação geral da produção foi feita por João Araújo, pai do cantor Cazuza e grande influente do mercado fonográfico da época. O disco foi lançado pela gravadora Som Livre e é considerado pela revista Rolling Stone Brasil como o melhor disco de um artista brasileiro em todos os tempos. 

Nesse disco de estreia, a banda tem uma evidente influência dos Rolling Stones, trazendo algumas canções mais pesadas que fazem contraponto a outras que trazem a a verve da MPB e pitadas da Jovem Guarda, passando pela psicodelia dos Mutantes, que também foi uma grande influência para o Casa, ao lado dos Secos e Molhados que nascia junto com a banda naquele período. 


Capa do álbum Lar de Maravilhas

No segundo álbum, Lar de Maravilhas, de 1976, e contam com colaborações de Catalau, um letrista menor de idade, descoberto pelo Pisca e Netinho, sua primeira composição foi a música "Rock Que Se Cria", que entrou nesse segundo disco. Nesse momento também, Carlos Geraldo e Aroldo optam por deixar a banda e o grupo procura por um vocalista e um baixista. Para o primeiro posto entra o lendário Simbas, vocal que teve passagem pela banda Mountry, a qual fazia bailes e shows na época, e trouxe o estilo andrógino que o Casa apresentava nos palcos. Já o posto de baixista ficou vago, não encontraram alguém para compor a banda e entraram em estúdio para gravara o disco Casa de Rock, sem um baixista, tendo as linhas de baixo feitas pelo Pisca, e somente depois que o João Alberto passou a fazer parte do time.

Lar de Maravilhas apresentou uma evolução da banda, esse trabalho foi produzido por Netinho e adotou sonoridade psicodélica com a essência dos discos feitos nos anos 1970, com levada que varia conforme a alternância dos instrumentais que são muito bem trabalhados. As faixas desse álbum fogem da brasilidade da música e assumem uma postura influenciada pelo progressivo, as guitarras e teclados dividiam espaço nos arranjos psicodélicos. A coordenação de produção mais uma vez é de João Araújo e novamente lançado pela Som Livre, com capa assinada pela Grão Comunicação Visual.

Capa do álbum Casa de Rock, 1976
No terceiro álbum, intitulado Casa do Rock, lançado em 1976, também pela Som Livre e o projeto apresenta uma melhor sonoridade de captação devido o envolvimento do engenheiro de Som Don Lewis, num momento que Carlos Geraldo e Pisca assume o baixo, além de cantar e tocar guitarra e Simas passa a ser o principal vocalista. O disco tem dez faixas, considerado por muitos como o melhor da banda e trata-se de um álbum com menos experimentalismo e mais rock n' roll, do que os anteriores, trazendo eletricos e riffs e refrões marcantes.

Com Casa de Rock, o Casa das Máquinas rodou o país fazendo shows energéticos de Norte a Sul, a banda estava em sua melhor fase, em sintonia, sincronizada, e até cogitava realizar shows pela Europa, mas um acidente fez com que o grupo encerrasse suas atividades em 1978. No ano anterior, a banda faria uma apresentação na TV Record, no Programa Raul Gil, Simas e seu irmão chegaram atrasados, dirigindo um Opala que estacionaram em local proibido ao chegarem na emissora, um motorista da TV alertou sobre o lugar ser impróprio para deixar o veiculo, mas o cantor não ouviu e quando voltou um ônibus havia colidido no Opala, quem dirigia o coletivo era o motorista que havia alertado para não estacionarem o carro. A partir dai uma grande confusão generalizado se estabeleceu, integrantes da banda e funcionários da Record foram as vias de fatos, o resultado culminou na morte do cameraman Lucinio de Faria, essa é versão de Simas, retratada no Blog Sete Doses.

Com o fanático episódio, a banda foi responsabilizada pelo óbito, encararam tribunais e foram absolvidos por falta de provas, depois de um longo processo. A banda decretou seu fim, e voltaram aos palcos somente em 2003, com nova formação e liderada por Netinho. Apesar da curta discografia o Casa das Máquinas é a essência do rock brasileiro e retrato da música dos anos 70, que muitas vezes é vendida como outra, uma mais careta e televisiva.

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