Djonga e Eduardo: Vitaminas D e E para o Rap Nacional - Submundo do Som

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quarta-feira, 18 de março de 2020

Djonga e Eduardo: Vitaminas D e E para o Rap Nacional

 Foto montagem retirada do página de humor Perigo Encomendas

Há quem prefira o rapper paulista e há quem opte pelo mineiro, essa preferência quase sempre está ligada a faixa etária dos ouvintes. Eduardo Taddeo está na ativa desde 1989, integrou o Facção Central, um dos maiores grupos do país que arrastou uma legião de fãs nos anos 90 e 2000, e em carreira solo mantém um grande público fiel. Já o Djonga, nome de Gustavo Pereira Marques, é um dos representantes da nova geração e responsável por um dos shows mais vibrantes da cena atual. Além de fazer rap, e serem muito bons no que fazem, Eduardo e Djonga têm outro ponto em comum, na sexta feira 13 de março, ambos lançaram novos álbuns, o rapper de Belo Horizonte lançou Histórias de Minha Area, seu quarto disco, e  o ex-Facção o álbum O Necrotério dos Vivos, seu nono disco de carreira e o segundo solo.

Enquanto o público que cresceu ouvindo a era de ouro do rap, quando o gênero era quase que proibido, e pouco se identifica com  modernidade de timbres, beats e forma de transmitir a mensagem, Eduardo Taddeo se torna um oásis em meio a um deserto para os fãs faccionários. Do mesmo modo, aqueles que passaram a acompanhar mais de perto o rap no inicio dos anos de 2010, pouco têm paciência com os lançamentos da velha guarda, o que pode até soar como uma falta de consideração, no entanto eles têm uma cena nova em folha para fortalecer e admirar, e assim o fazem e exaltam o trabalho de Djonga.

Capa dos álbuns O Necrotério dos Vivos e Histórias da Minha Area

Ambos artistas apresentam uma visão critica do meio ambiente em que estão inseridos e independente do estilo que você prefira, dois fatos são inegáveis, primeiro que tanto Djonga como Eduardo arrastam fãs fieis a suas obras, público que aguarda ansioso pelos lançamentos e que são engajados, principalmente nos meios digitais. Segundo, ambos movimentam a cena do rap brasileiro como poucos, são verdadeiras vitaminas para o fortalecimento do Hip Hop, vitaminas D e E contra o sistema.

A vitamina D, por definição, é uma suplementação que auxilia como antidepressivo e é rica em cálcio, contra fadiga e cansaço. E assim é o som do Djonga, incansável e sempre elevando a autoestima de pretxs pelo Brasil a fora. A tarja preta do Submundo recomenda o uso supletivo a vitamina E, que por sua vez tem forte ação antioxidante, combatendo os radicais livres, esses que por definição são instáveis e reativos, ou podemos compreender como reacionários, reagindo aos progressistas, e buscam a manutenção de um status quo desgraçado para as ruínas que se encontram esse país, e é contra esse sistema que as letras de Eduardo Taddeo são indicadas. As vitaminas D e E, de Djonga e Eduardo, são fortificantes para uma luta política, de classe e racial, em um país cada vez mais fascista como o Brasil, são energia no Hip Hop nacional, e como público temos a grande satisfação de contemplar dois grandes artistas que coexistem no mesmo espaço e tempo.

Foto ilustração: Djonga e duardo Taddeo

Um ponto comum entre O Necrotério dos Vivos e Histórias da Minha Área é que, além de ambos os artistas aparecerem "mortos" nas artes da capa, os dois rappers contextualizam o descaso Brasil afora, apesar do título da obra de Djonga propor algo mais intimista, as histórias contatas são retratos do país inteiro. Assim como Eduardo, outrora conhecido sob a alcunha de narrador do inferno, traz uma obra conceitual que aborda como o brasileiro padrão não vive, e nem mais sobrevive nesse inferno, e sim age como um morto-vivo, submetido as mazelas impostas diariamente pelo capitalismo e todos seus tentáculos.

Outro ponto em comum entre as duas obras é a produção assinada por dois grandes nomes do nosso Hip Hop. Taddeo rima em beats assinados pelo Luiz Só Monstro, DJ e produtor do grupo Consciência Humana, e as bases do Djonga foram produzidas pelo companheiro de longa data, o beatmaker Coyote. A diferença mais evidente entre os rappers está na forma de transmitirem sua mensagem, Djonga usa de metáforas e lirismo para falar com seu público, já Eduardo é direto e cruel, transmite a foto assim como a enxerga, sem necessidade de filtros. Obviamente diversas outras divergências existem entre os trabalhos de ambos, mas aqui buscamos a semelhança entre dois estereótipos do nosso rap, podemos citar a família, Eduardo é pai da
Duda e da Gabriela e Gustavo tem como filhos o Jorge e a Iolanda, e têm a preocupação de lutar por Brasil melhor, assim como família, mesmo que indiretamente, refletem nas composições de ambos os álbuns.

A ostentação também está presente na poesia de ambos, Eduardo fala de rap ostentação, na ascensão através do estudo sem romantizar a pobreza, Djonga tem um discurso de negros e favelados no topo e de gozar do luxo.Em "Não Sei Rezar", o rapper mineiro dedica linhas aos amigos que se foram, o MC paulista também homenageia a partida em "Mês de Maio", em uma letra que faz chorar, ao falar da perda materna. O assunto machismo também está nos dois discos, Djonga traz a MC Cristal em "Deus Dará" faixa que quebra o tema estruturado e recorrente nas composições do artista, inclusive se reconhecendo como machista na música anterior, em "Procuro Alguém". Taddeo em "ABC do Feminilidade" narra um relacionamento abusivo e o drama das mulheres que têm agressores como companheiros.

Portanto, O Necrotério dos Vivos e Histórias da Minha Area fazem a mesma fotografia do Brasil atual e estrutural, além do racismo, desgoverno, violência policial e desigualdade, as duas obras trazem um alento de esperança para seus fãs, os convocando para a resistência e luta em dois capítulos de um mesmo manual de guerrilha contemporânea. 

CD1 do álbum O Necrotério dos Vivos de Eduardo Taddeo no YouTube

álbum Histórias da Minha Area do Djonga

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