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Los Adolfos Rap - Pioneiros do Hip Hop Argentino


Como em quase toda América Latina, o Hip Hop chega na Argentina, na década de 1980, na cidade de Morón, na região metropolitana de Buenos Aires e a 17 km da capital, os artistas Roma, My Disck, Jazzy Mel e DJ Hollywood promoviam a união dos quatro elementos, expressando as dificuldades dos guetos argentinos. Como tudo era muito precário, o rap era feito em bases de funk e soul, a exemplo de Estados Unidos e do Brasil, e no final dos anos 80 surge um grou que troca a bateria eletrônica por uma banda, tocando música negra de forma orgânica, Los Adolfos Rap.

O nome Los Adolfos causou problemas no início, algumas pessoas pensaram que seria uma saudação nazi ou algo do tipo, mas na verdade o termo vem para simbolizar “los tontos”, algo como os birutas, para simbolizar a irreverência do conjunto. A banda tinha sete integrantes e faziam rap mesclado com funk e hardcore, tinham influências de Run-DMC, Red Hot Chilli Peppers e Faith No More, o grupo é considerado como pioneiro a fazer música negra na Argentina, e causaram grande impacto na cena e um estrondoso barulho internacional, artistas do calibre de Cypress Hill, em sua passagem pelo pais, queria assistir a um show de Los Adolfos. A imprensa especializada argentina rotulou a banda como o “novo rock argentino”, numa cena que incluía as bandas Babasónicos, Los Brujos, Divididos e as raperas do Actitude María Marta. O sucesso fez com que a Revista 13/20, em 1991, lançasse uma coletânea de bandas desse novo rock, e reuniu artistas promissores e consagrados em um único disco, ao lado de nomes como Charly García, Ratones Paranoicos, Fabulous Cadillacs, Attaque 77 e Twists, estava Los Adolfos Rap, com a música “Yo Quiero Esto”. Apesar do termo “rap” no nome da banda, o público não sabia do que se tratava, o conjunto era o primeiro grupo a fazer rap com banda no país.

Música "Yo Quiero Esto", de Los Adolfos Rap, que integrou a coletânea da Revista 13/20
Alguns membros do Los Adolfos Rap, antes de se firmarem na música, atuaram como b.boys, o breaking foi o primeiro elemento do Hip Hop a fazer sucesso entre os jovens periféricos, fato que se repete em todos os países da América Latina, havendo, mais tarde uma conversão de b.boy para MC, onde os jovens trocam os tênis de dança por microfones para fazerem suas rimas. E com Los Adolfos não foi diferente, e entre 87 e 88 a banda apresentou em território argentino os primeiros raps feitos no país, tal feito é validado por artistas percursores do movimento Hip Hop no país como Jazzy Mel ou Illya Kuryaki, e também culminou na pesquisa e lançamento do documentário Hijos de Nadie - Una Película Sobre Los Adolfos Rap.

Marsicano, El Gallego, um dos fundadores da banda alguns VHS para Pablo Apezteguía digitalizar e no intuito de preservar a memória da banda, e daí nasceu a ideia de realizar o documentário, com direção de Apezteguia, Damian Marsicano e Maximiliano Sachetti. Pablo conta que viu “algo especial nessas duas ou três fitas” e começou a investigar o material e sobre a banda, chegando a fanzines, fotos, recortes de jornais, revistas, folhetos e outros vídeos de apresentações em TV e registros nos bastidores, material que guiou a construção do filme sobre a banda.

O registro conta com depoimentos dos artistas Diego Alonso, Gustavo Alvarez Núñez, Gustavo Aníbal Ferraiuolo, Claudio Gimenez, cristian gimenez, Gustavo Martín, Jazzy Mel, Marcelo Muruzabal, Toscano Scannapieco, Julian Stumpo. A montagem foi feita pelo Pablo Apezteguia e Juan Pablo Menchón. Direção de Fotografia por Lucky Sachetti e Produção Executiva de Panza Films. Federico Esquerro assina a engenharia de som, e é claro que a trilha sonora ficou a encargo Los Adolfos Rap.

A banda, em seu tempo de atividade, causou um grande impacto no undergound porteño, com registros nos subúrbios da cidade, que datam do final dos anos 80. O Rap argentino teve um grande pico 97 e 99 e Los Adolfos já não estavam mais na cena, dando espaço para outros grupos, mas seu legado de Los Adolfos foi mantido, a irreverência e as letras politizadas viraram uma escola do Hip Hop do país. Hoje os integrantes do conjunto estão dispersos pelo mundo, vivendo na Espanha e Estados Unidos Unidos, enquanto outros seguem Argentina.

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