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2010 | Dez Anos do Debate "Rede Latinamericana de Hip Hop" em São Vicente


O Hip Hop no Brasil sempre foi uma cultura popular e atraiu inúmeros olhares e de vários setores, alguns apaixonados e outros meramente visando algum interesse. Desse primeiro grupo, dos que se casaram com o movimento e geraram frutos, nasceu a Nação Hip Hop Brasil, em meados de 2005, uma instituição que visava promover debates com temas relacionados direto e indiretamente com a cultura, além de integrar os elementos do movimento e fazer dele algo sólido e forte.

Por um grande período o rapper Aliado G, líder do grupo Face da Morte, foi o presidente da Nação Hip Hop Brasil, e mesmo quando deixou o posto, dando lugar ao rapper gaúcho Mano Oxi, seguiu como presidente de honra da instituição. Em 2010 a Nação Hip Hop Brasil promove um mega evento nas areias de São Vicente, com direito a shows, oficinas, debates e muita interação entre b.boys, MC's, grafiteiros e DJ's.

O 3° Encontro de Hip Hop da Nação por si só poderia ser tema para esse texto, pois até então nada daquela grandeza havia sido realizo no Brasil, obviamente sem visar fins lucrativos, apenas por amor a arte. Mas um ponto que chama bastante a atenção nesse evento é a presença de convidados da América Latina, nossa grande pátria, onde além de se apresentarem em shows, participaram da roda de debate "Rede Latinoamericana de Hip Hop" os MC’s Máster, do grupo Área 23, da Venezuela, a Malena do coletivo Actitud Maria Marta, da Argentina e Lulo, do grupo chileno Légua York participaram da discussão.

O grupo Área 23 carrega em seu nome uma homenagem ao bairro “23 de Enero”, um dos alicerces políticos da Venezuela, área de forte militância de esquerda. A sonoridade do conjunto liderado por Master, nome artístico de Jorney Madriz, é um híbrido entre a salsa, reggae e o rap. As letras de denúncia e protesto, como quando denunciaram o golpe fracassado de abril de 2002 que visava destituir o governo de Hugo Chávez. Os temas trazidos pelo Área 23 buscam trazer a consciência política para os jovens venezuelanos. Master também coordena o coletivo cultural Hip Hop Revolucion, organizando o festival político anual de Hip Hop em Caracas, apresentando grupos de todo o mundo, especialmente da América Latina.

Formado na comuna de San Joaquin, na favela de Légua, em 1997, pelo rapper Lulo, o grupo Légua York é um dos maiores símbolos de resistência do Chile. Como uma forma de fazer o Hip Hop ocupar todas as frentes, o MC já se candidatou algumas vezes como deputado e vereador pelo Partido Comunista Chileno, sabendo que pelas vias políticas que é por onde passam as decisões de toda uma coletividade. Com uma discografia de 11 discos, o grupo aborda em suas letras a luta de classes em um rap politizado que atua como ferramenta de transformação social.

Por sua vez, o Actitud María Marta, um dos maiores expoentes de todos os tempos do Hip Hop Argentino, traz em sua musicalidade influências da América Latina, em especial ritmos jamaicanos. Formado por Malena D’Alassio e Alika em meados de 1995, o grupo sempre teve como característica a presença de mulheres em sua linha de frente e letras de forte cunho social, principalmente protestos contra o autoritarismo, Malena teve familiar desaparecido durante a ditadura militar na Argentina, e faz de suas composições um grito de liberdade.

Ao fim do Encontro, os irmãos latinos assinaram juntos a Carta de São Vicente, um texto contendo suas impressões sobre o evento. Abaixo um trecho do manifesto assinado por Lulo, Master e Malena:

“Durante toda a conversa, me impressionou o nível das intervenções, todos entendíamos o hip-hop como um movimento social e de luta política, não havia divergências sobre isso, e acredito que no Brasil esse é o entendimento do mais novo grafiteiro até o mais experiente b.boy da velha escola.

Respeito pelas formas e estratégias desta luta pela reivindicacão dos direitos e o desenvolvimento desta Nação, formada por pessoas pobres e historicamente marginalizadas, aonde cabem as crianças, os velhos, os negros, os índios, os brancos, os homosexuais, os deficientes, os estudantes, os trabalhadores, enfim, todos os que se sintam povo.

O Brasil impressiona pela sua diversidade cultural institucional, aqui todas as frentes de luta são legítimas, sem exclusão: desde o forte trabalho de base, até a via eleitoral, passando por inumeráveis atividades culturais, o diálogo com as instituições, a investigação acadêmica, o encaminhamento das demandas na agenda pública, a ação direta, a participação nos meios de comunicação de massa, as alianças com outros setores, etc.”

Abaixo uma playlist criado pelo Submundo do Som com músicas dos artistas que participaram do debate "Rede Latinoamericana de Hip Hop" no 3° Encontro de Hip Hop da Nação Hip Hop Brasil:

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