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Amar, Como Ama Um Black! O Legado de Gerson King Combo

 

King é carioca de Madureira, nasceu em 30 de novembro de 1943, como Gérson Rodrigues Côrtes , filho de um PM, que não queria os filhos se envolvendo com os marginais do bairro, com isso Gérson e seu irmão Getúlio Côrtes eram proibidos de frequentarem as rodas de samba, que a identidade da área. A criação conservadora fez Gérson ser coroinha da São Luiz Gonzaga e ser paraquedista militar em Realengo, aos 17 anos.



A TV Rio exibia nas tardes de sábado o programa Hoje é Dia de Rock, apresentado por Jair de Taumaturgo, depois passou a dançar, foi coreografo da Jovem Guarda e integrou a equipe de baile Formula 7, foi coreografo do Simonal e excursionou com o cantor pelos EUA, inspirado no grupo de jazz King Curtis adotou o nome de Gérson King Combo. Em 1969 lançou Gerson Combo e Turma do Soul, um álbum de canções brasileiras em releitura ao melhor estilo funk e soul, o Brazilian Soul, dando inicio a sua carreira de cantor em um disco seu, pois antes fazia participações em LPs do Formula 7.

 

Gérson gravou e lançou também em 1969 o compacto simples Apaga a Luz / Não Volto mais Aqui pela gravadora Epic, onde foi creditado como "Gerson Côrtes". No ano seguinte, outro compacto, com o álbum Me Dá mais um Cigarro / Quando a Cidade Acorda, pelo selo Tapecar. Em 1971, Combo participa da coletânea Brasa, Bicho, Brasa!! da Polydor junto com Os Caretas, Cacique de Ramos, Salgueiro e Som Bateau, nesse álbum King é creditado como "Gerson Combo" é acompanhado pelo conjunto Os Diagonais. Ainda em 1971, Gerson Côrtes lança mais um compacto simples, agora pela Odeon, com Viva / Minha Menina.

 

Em 1972, novamente pela Odeon, o rei do soul lança agora um compacto duplo, A Poluição / Nunca Pensei / Alguém no meu Caminho / Pra lá de Normal. Apesar dos lançamentos, as músicas de Gerson King Combo não eram sucessos nas rádios e nem tocadas nos bailes de elite, porém eram executadas em festas pela periferia, ao lado de nomes como Oberdan Magalhães e Carlos Dafé, esses eventos eram organizados pelas equipes que surgiam, como a Furacão 2000 e a Soul Grand Prix.

 

Em 1976 a jornalista Lena Frias publica uma matéria de quatro páginas no Jornal do Brasil, falando sobre o movimento Black Rio e a energia dos bailes, a divulgação chamou a atenção das gravadoras que passaram a buscar os artistas desse moimento para assinarem contratos. Em 1977, pela Polydor, Gerson lança o álbum Gerson King Combo, que se torna um sucesso imediato e trouxe o mega hit "Mandamentos Black", um verdadeiro hino da black music brasileira. Em 79 também foram lançados alguns compactos, o simples Jingle Black / Good Bye e o compacto Foi um Sonho Só / Uma Chance / God Save the King / Mandamentos Black, ambos pela Polydor. No ano seguinte, Gerson repete o a parceria com a gravadora e lança o Volume II do seu álbum de estúdio, junto com o compacto simples Melô do Hulk / Mr John It's Pay Day.

 

Em 1980, Gerson lança o compacto Melô do Mão Branca, com um lado do LP com a versão com voz e no outro lado a versão instrumental, lançado pela Sinter, a música é considerada por muitos como o primeiro rap do Brasil, ao lado do "Melô do Tagarela", de Miele. 

 

O movimento Black Rio foi perdendo espaço no final dos anos 80 para outros gêneros como a MPB e o rock nacional, com isso Gerson fez cada vez menos shows e não lançou novos álbuns. Deixou a música de lado e foi trabalhar como produtor de eventos em uma instituição de cuidados de deficientes físicos e mentais. O retorno a gravação se deu somente em 2001, quando pela Warner Music Gerson lança Mensageiro da Paz, depois regressa de forma independente em 2009 com seu último disco, Soul da Paz. 

 

Gerson King Combo é considerado o rei do soul no Brasil, divide o titúlo com outros grandes nomes como Tim Maia e Cassiano, e é de grande inspiração para o Hip Hop nacional, sendo referência de Planet Hemp e Marcelo D2 a GOG, passando por Thaide e Ricon Sapiência, dentro inúmeros outros.

 

Em "Zerovinteum", o Planet Hemp, na icônica versão do Ao Vivo MTV, a banda usa trecho incidental de "Mandamentos Black", o mesmo faz Marcelo D2 na faixa "Qual É", de seu segundo álbum solo. GOG trouxe King para a faixa "Lei de Gerson" do disco Tarja Preta. Na versão ao vivo, do DVD Cartão Postal Bomba, Gerson King Combo participa mostrando todo seu suingue:

 

 

Em 2020, o rapper Rincon Sapiencia fez o remix da música "Suingue do Rei", do álbum de estreia de Gerson. Para promover a série Get Down, a Netflix fez uma ação no Brasil, reunindo nomes da black music e Hip Hop, já que a serie estadunidense retrata esse periodo de transição do soul e funk para o rap e toda a cultura Hip Hop. E a música escolhida foi "Mandamentos Black", do eterno Gerson, que ao lado de outras personalidades importantes do movimento, canta e dança seu maior sucesso. Veja:

 

 


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