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Entrevista | Bate papo com a banda Davy e os Jones

     Foto - Jean Rodri

 
Salve! O Submundo do Som bateu um papo com a banda Davy e os Jones da cidade de Americana e que traz em sua sonoridade uma mescla do rural com country alternativo e western, passando pelo rockabilly e com a energia do rock. A banda falou sobre sua trajetória, sua musicalidade e sobre fazer música no interior. Confira!

Submundo do Som -  Primeiramente, obrigado pelo bate papo e gostaria que começassem se apresentando, quem é o Davy e os Jones?

Davy e os Jones - Olá amigos, Davy e os Jones é uma banda de Americana, cidade do interior de São Paulo. Ninguém se chama Davy por aqui, mas nos identificamos como “Os Jones” (Risos)

Submundo do Som -  O nome da banda é bem fora do comum e curioso, como ele surgiu e qual o significado?

Davy e os Jones - Não tem bem um significado. Quando começamos e estávamos à procura de um nome, rolou uma brincadeira entre a gente, o Felipe nosso violinista então soltou essa versão do “batismo”, que repetido a exaustão pegou. Algumas vezes pensamos em mudar, mas a identidade do trabalho já estava se moldando em torno disso, então ele foi ficando e foi isso.

A banda surgiu aqui em Americana/SP e nosso QG é em Santa Bárbara d’Oeste. Por aqui temos uma forte influência norte americana devido à imigração. O sobrenome “Jones” é muito comum na cidade, poderia citar o exemplo da Rita Lee que se chama “Rita Lee Jones”, parte de sua origem familiar passa pela nossa região. Então são coisas que foram se conectando, convergindo. Uma terceira referência que explica o nome é como historicamente bandas de rockabilly e rock’n’roll 50’s costumam se chamar tipo “Gene Vincent & His Blue Caps” ou aqui no Brasil “Raulzito e Seus Panteras”... a diferença é que o tom humorado dessa escolha tem uma outra intenção, afinal de contas não existe nenhum Davy na banda, mas somos a banda desse cara imaginário.

Submundo do Som -  E como é fazer esse estilo de rock mais rural com instrumentos como violino, que fogem da estética habitual da música? Quais as influências de vocês para chegarem nessa sonoridade?

Davy e os Jones - Quando a banda surgiu o Brudy (Guitarra/Vocal) estava bastante ligado em psychobilly, alternative country e coisas desse tipo. Então existe meio que uma unidade cultural entre certos gêneros musicais que estão intimamente ligados.  Country music/western/rockabilly/surf rock/celtic punk... eles se encontram o tempo todo nos quadrinhos, no cinema, são a trilha sonora de muitas subculturas, então existem gêneros que são irmãos em alguma medida. O Davy e os Jones foi se desenvolvendo com essas referências, porém nem tudo se resume a música e cultura estrangeira. Desde as primeiras canções o nosso imaginário lírico passava por personagens que são da nossa vida, da nossa cidade, do nosso país através de analogias, figuras de linguagem, expressões mais regionais, sempre tentando fugir de coisas caricatas demais.

Nascer e crescer no interior do Brasil é uma experiência que a gente as vezes só percebe que é única quando mais velhos. Geralmente não somos pessoas exclusivamente urbanas, por mais que o urbano esteja no nosso dia a dia. Você sempre vê um tiozinho montado num cavalo a puxar uma carroça em plena rua de asfalto, os canaviais e os girassóis perto de casa, o galinheiro do vizinho nos bairros de subúrbio, as lavouras nas encostas das rodovias que ligam nossas cidades e as lagoas que a gente nadava com os amigos, quase sempre escondido de nossas mães quando criança (risos). Esse lance meio roceiro está no nosso jeitão, no nosso sotaque e forma de se comunicar, está no nosso estilo de vida e orienta de alguma forma nossa cultura.

O rock brasileiro já trocou figurinhas muitas e muitas vezes com sonoridades rurais, com a estética do campo.  O Davy e os Jones apenas faz esse tipo de som à sua maneira. Então é essa fusão de punk rock, country, rockabilly, musica irlandesa e musica caipira que temos feito, prezando sempre por não se entregar a certos estereótipos que nos limite, o que não é um mero detalhe.


                   Foto -  Juli Bastos
 

Submundo do Som -  Pelos palcos que passaram, e experiência que obtiveram nesse tempo de banda, qual a reação do público para um estilo que é interiorano, lembra as raízes dessas pessoas, mas que ao mesmo tempo soa como diferente e novo?

Davy e os Jones - Essa coisa de fazer um rock caipira legal funciona! Ao menos quando fazemos com honestidade. É verdade que lá no começo, existiu sim algumas pessoas que acharam esquisito essa combinação, o universo das letras que o Brudy criou, meio que uns “roqueiro meio sertanejo” (risos). Mas é exatamente isso que pega muita gente pela identificação. Nós já tocamos com bandas de metal, punk, hardcore, tocamos em casamento, aniversário, já tocamos depois de banda de pagode e foi incrível, porque nem nós esperávamos que o mesmo publico fosse nos receber tão bem e dançarem nosso show inteiro, o Brasil é um país imenso, as pessoas são diferentes saca?

 A verdade é que existe sim muita gente que é do rock e também é fã de musica brasileira. No nosso panteão estão juntos Johnny Cash, Wanda Jackson, Christian & Ralf, Almir Sater, Alceu Valença, The Pogues, é natural. Muita gente tem uma pegada parecida e se identifica. A música é livre, e nós não nos prendemos a algo monotemático. Tem doçura, tem paixão, tem o elemento cômico e tem coisas mais sombrias no repertório. As vezes tá tudo isso junto na mesma canção!

Submundo do Som -  Como é ser um artista independente no interior de São Paulo? Quais as maiores dificuldades que vocês encaram como banda?

Davy e os Jones - Quando você entende como é trabalhar no independente, as soluções ou alternativas que existem pro seu trabalho... organização, autoanalise do que você faz ou do serviço que você presta e tal, você vai entendendo que existe um caminho viável. Nós já somos de uma geração que não espera estar num eixo, ou fazer loucura de se mandar para as capitais e viver um conto de fadas. No nosso caso, o interior é o jardim da nossa casa. É incrível imaginar quantas pessoas você pode conhecer só percorrendo as cidades em nossa região como Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Capivari, Nova Odessa, Sumaré, Paulínia, Campinas, Sorocaba, Indaiatuba, Valinhos, Vinhedo, Jundiaí, Bragança Paulista... Olha o tamanho disso. Agora imagine poder percorrer por todo estado de São Paulo, chegar até o interior do Paraná, quem sabe Minas Gerais e dai ir expandindo.  Ser uma banda real do ponto de vista financeiro, autossustentável, criar uma estrutura, um esquema legal pra seguir produzindo e ter uma carreira duradoura é provavelmente um dos maiores desafios que um artista independente vai encontrar, estando no interior, no litoral ou na capital.

Submundo do Som -  Contribuir com a cultura no Brasil nunca foi fácil, e agora mais que nunca isto está sendo posto a prova na prática, seja pela pandemia ou ações do governo. Qual a visão da banda sobre o tema?

Davy e os Jones - É muito triste ter um governo que atenta contra a população, fantasia uma realidade que não existe, e que faz pouco caso de toda a classe artística e trabalhadora. A Covid que trouxe uma crise para todo o mundo, em nenhum momento foi bem enfrentada no Brasil. No setor cultural, entramos em um recesso brutal que pegou a todos de surpresa. Profissionais de palco, de backstage, teatro, cinema, artistas de rua, famílias inteiras ligadas ao circo, donos de casa de shows, bares e restaurantes estão sem ter o mínimo que precisam para não sucumbir. Nós não temos previsão e nem uma resposta de quando estaremos seguros quanto ao vírus ou quando estaremos a salvo de um governo mentalmente reacionário.

Submundo do Som -  E quais os sonhos que vocês têm no caminho pela música?

Davy e os Jones - Sonhos são muitos, mas eles se chocam com a realidade cruel de todo artista de origem simples. Nos resta fazer o corre e trabalhar. Somos gratos por tudo o que temos conquistado, e pelo apoio que recebemos de tanta gente querida!

Submundo do Som -  Pra galera que nos acompanhou nesse bate papo, que indicação de artistas vocês podem deixar para ampliarmos nossos horizontes?

Davy e os Jones - Vamos indicar: Red Lights Gang, Asteroides Trio, Gipsy Rufina, Larkin Poe, Margo Price, Nikki Lane, Jean Sibelius, Flogging Molly, Mad Sin, Vieira e Vieirinha e os dois álbuns incríveis do projeto AR com Almir Sater e Renato Teixeira.

Submundo do Som -  Deixem um mensagem para o público que nos lê nessa entrevista.

Davy e os Jones - Super obrigado aos leitores do site pelo tempo dedicado ao nosso bate papo! Mesmo com a pandemia teremos ainda novidades chegando. Nos acompanhe pela sua plataforma digital favorita, pois logo menos estaremos juntos!

Submundo do Som -  Pra quem quiser acompanhar mais de perto o trabalho do Davy e os Jones, quais são os canais de comunicação?

Davy e os Jones - Redes Sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/davyeosjones/

Instagram: @davyeosjones

Confira o clipe da música Pepitas Laminadas:

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