Resenha de Discos

[Resenha de Disco][bsummary]

Se Liga!

[Que Loko][bigposts]

Internacional

[Internacional][twocolumns]

Entrevista | Ana Carolina e o podcast Permita QueEu Fale

Salve! O Submundo do Som hoje troca uma ideia com a idealizadora do podcast Permita Que Eu Fale, a Ana Carolina. Em seu projeto ela traz convidados para trocarem uma ideia sobre algum rap que marcou de alguma forma a vida das pessoas. Nessa bate papo ela fala sobre sua relação afetiva com o rapper Emicida e como o artista a inspirou em vários seguimentos de sua vida. Confira: 

 

Submundo do Som - Primeiramente muito obrigado pela disponibilidade, de bater esse papo aqui conosco do Submundo do Som, e por favor se apresente, quem é a Ana Carolina?

Ana Carolina - Eu quem agradeço, estou SUPER feliz com o esse bate papo. Bom, sou a Ana Carolina, uma menina mulher de 24 anos. Taurina nata, amo descansar e comer (Tô aceitando sair pra tomar açaí, quando a vacina chegar rs.) Nascida e criada em Embu Das Artes na Grande São Paulo. Sou formada em Marketing e, atualmente, pós graduando em Gestão de Projetos Sociais e Culturais. Sou apaixonada por cultura urbana e música preta. Eu tive e tenho o privilégio de ter minha mãe e meu pai presente.

E o meu pai, é a maior referência preta na minha vida e foi ele que me ensinou, involuntariamente, a ouvir rap, samba, samba rock, black. Seu José é o melhor pai que alguém poderia ter e dito isso eu já falei tudo, rs. Eu sou a fã número um dele!

 

Submundo do Som - E Como nasceu a ideia do podcast? Como foi viabilizar o programa e como está sendo essa experiência?

Ana Carolina - Bom, a ideia do podcast nasceu nas conversas que eu tinha com os meus amigos e com meus pais. Nós sempre conversamos sobre arte, música.. e como eu sou muito apaixonada pelo rap nacional, os assuntos sempre partiam de algum álbum que eu estava escutando. Eu falava uma parada e eles ficavam “Nossa, mas eu não tinha pensando nisso” e eles também comentavam alguma referência e eu ficava “Caramba, eu nunca ia saber disso se você não tivesse falado”.

E por mais que eu concordasse com a maioria das coisas que meus amigos falavam nas conversas, eu não conseguiria reproduzir aquela ideia para outra pessoa e senti a necessidade de gravar e compartilhar essas conversas, pois eram muito ricas. Outro fator importante também é que, a maioria dos meus amigos são artistas independentes ou criador de conteúdo na internet (poetas, músicos, professor..)

Então, a minha ideia é fazer com quem escute a fala do convidado no nosso podcast, tenha também o interesse de procurar nas redes sociais e conheça o trabalho dele. Eu não tenho o número de seguidor grande, mas acho que se 1 pessoa ouvir o podcast e se interessar a conhecer o convidado já é muita coisa. Isso impulsiona as pessoas a continuar com seu trabalho, seja qual for ele.

Todo processo está sendo algo muito diferente e importante pra mim nesse ano de 2020. Eu não sabia fazer edição, tive que aprender a fazer vinheta, captar áudio, limpar o áudio... Recebo várias mensagens legais sobre o podcast e já criei um elo com várias pessoas por causa desse projeto. Eu pensei em desistir várias vezes do podcast, na minha cabeça a ideia não parecia ser tão legal. (Síndrome de impostora sempre atacando), só que uma galera muito grande abraçou demais o projeto e não me deixaram desistir. Meus amigos me deram o maior apoio(foca no maior) pra esse projeto rolar e continuar. Eu estou feliz, eu amo ouvir as pessoas, ainda mais falando de rap.

É um podcast feito com todo o amor existente em meu coração e todo trampo está valendo muito.

 

Submundo do Som - O programa tem no nome um pequeno trecho da música AmarElo, do Emicida, os primeiros episódios foram inspirados no álbum do Leandro, e logo na estreia sua irmã comentou um pouco da importância do Emicida para ela. E a pergunta é, quem é o Emicida pra você e o que ele representa nessa sua formação como pessoa?

Ana Carolina - Eu me emociono sempre quando falo do Emicida. (de chorar MUITO mesmo rs). Tudo que ele faz no trabalho dele é o que eu acredito sabe? Ele é um preto empresário em ascensão e que eu me espelho muito. A Laboratório Fantasma é a única empresa que eu amo nesse mundo rs.Tem uma música que ele fala: “Eu me livrei da depressão, tava fácil pra vocês”. E essa frase define muito alguns momentos que passei e pra tudo o que eu conquistei e sou hoje. Sempre me pergunto se, a Ana Carolina de 11 anos teria orgulho da Ana Carolina de 24 anos, e é resposta é: SIM!

Emicida é, literalmente, uma luz na minha vida. Ele me ajuda sempre a lembrar de levantar e andar e que o impossível não existe pra mim. Ele é responsável, involuntariamente, por eu ainda acreditar na vida, acreditar nas pessoas e acreditar em mim. Eu já tive a oportunidade e o presente dos deuses de conhecer o Emicida. Pode ter certeza, se você ter 10 minutos de conversa com ele você vai: rir pra caramba, vai ter vontade de chorar e vai aprender muito. Ele é simplesmente gigante! Leandro Roque De Oliveira, é uma pessoa MUITO, mas MUITO especial e importante na minha vida.

 

Submundo do Som - Assim como AmarElo toca sensivelmente na questão da depressão, tema ainda pouco abordado, mas algo série e que leva nossos irmãos, o podcast Permita Que Eu Fale também tem esse intuito de deixar o convidado desabafar e tirar do peito algumas angústias, como você vê essa relação e a questão da depressão na periferia?

Ana Carolina - Eu vejo a depressão na periferia em todo lugar e em muitas pessoas. Mas os moradores não tem tempo para prestar atenção nisso, elas tem questões mais urgentes sabe? Como, trabalhar, colocar comida na mesa, pagar conta, cuidar dos filhos, por exemplo.

Cuidar da alma e da saúde mental na periferia, ainda não é uma prioridade.Eu vejo isso, pq tem um vizinho aqui na minha quebrada que sofre de esquizofrenia. Pro cara chegar no nível de esquizofrenia, ele já passou por várias outras fases, inclusive a depressão. Tem madrugadas que ele tem surtos e você ouve ele gritando, mas é um grito desesperado sabe? Pra você ter uma ideia, muitas pessoas aqui da minha rua dizem que ele está “endemoniado” ou que “fizeram alguma coisa pra ele” quando na verdade o cara só está doente e precisa de ajuda. Então, a periferia além de não ter prioridade com a saúde mental, ela não tem informação sobre o assunto. E a informação sobre esse tema precisa e é necessária chegar, para entender e identificar  em uma situação dessas.

 

Submundo do Som - Pra fechar, gostaria que você falasse Ana, assim como faz com seus convidados, gostaria de ouvir de ti o que tem a falar sobre alguma música, somos todos ouvidos.

Ana Carolina - Poxa, que responsa! Mas estou feliz com o espaço e vou falar de um samba (sim, o podcast é de rap, mas foi com um samba que me deu o insight do projeto de um podcast. Antes da pandemia, eu fui em um rolê na Discopédia (Uma festa onde toca 100% vinil e que ocorria toda semana Pinheiros/ Zona Oeste São Paulo) começou tocar uma música que meu pai ouvia muito e que eu conhecia muito, chamada CASCA DE COCO, do Originais do samba.

E eu estava cantando e parei pra prestar atenção no que eu estava cantando, pq teve uma parte que a letra dizia que: “Vovó não quer casca de coco no terreiro, pra não lembrar do tempo do cativeiro”. Se você não prestar atenção na letra, você acha que a vovó era escrava. Porém, no decorrer da música você percebe que a vovó é filha de um ventre livre e nasceu após a abolição. Só que ela não quer ver casca de coco no terreiro, pq traz a lembrança do trabalho escravo do seu pai. Então, me fez refletir muito o quanto as pessoas que são descendentes(filhos, netos..) de pessoas que foram escravizadas, sofreram e como tiveram sérias  consequências mesmo depois da libertação.

Um exemplo muito claro é, a mãe da minha bisavó era escrava e as coisas na minha família só foram melhorar depois de 3 gerações, mais de 100 anos depois. Minha bisavó sofreu muito, minha avó, meu pai, minhas tias e só na minha geração que as coisas foram melhorar. E só melhoraram pq teve toda essas outras gerações fazendo ponte para que hoje eu seja uma preta com diploma universitário e mais oportunidades. Resumindo, eu conhecia essa música há anos, mas eu não prestava atenção na letra. Quando eu realmente parei pra ouvir tirei várias conclusões e a certeza de que a gente precisa entender o que estamos cantando e ouvindo.

 

Submundo do Som - E pra quem quiser acompanhar o podcast, quiser trocar uma ideia? Quais são seus canais de comunicação?

Ana Carolina - AMO conversar! Então, pra quem quiser trocar uma ideia eu estou super disponível lá no Twitter e no Instagram como @1sorrisonegro e também no perfil do podcast que é o @podcastpqef.

Muito obrigada pelo espaço, eu não consigo expressar a minha felicidade de conversar com vocês. Ouçam o PERMITA QUE EU FALE, estamos na Deezer e Spotify e quase acabando essa primeira temporada! E parafraseando o menino Emicida: Te vejo no pódio!

 

Confira o primeiro episódio do Podcast Permita Que Eu Fale:

Nenhum comentário:

Postar um comentário