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Entrevista | PIG e os ideais antifas do Doc Sujo

 

Salve! O Submundo do Som bateu um papo com o PIG, mano a frente do podcast antifa DOC SUJO, sempre trazendo um convidado com ideais de resistência, fazendo do Doc Sujo um dos programas mais importantes da esfera de luta contra esse governo fascista e genocida. Nessa troca de ideia conhecemos um pouca mais sobre o PIG e sua trajetória, assim como o projeto do podcast, se liga aí:

Submundo do Som - Salve! Mano, valeu mesmo pela disponibilidade de trocar essa ideia aqui conosco, e seguindo o protocolo, se apresenta aí pra nós: quem, ou o que é o Doc Sujo?

PIG - Eu sou conhecido como Pig, integrante das antigas do Hip Hop do Vale do Paraíba. DocSujo é uma ideia velha, vem de "documentário sujo", que iniciei no Youtube há alguns anos, mas não levei muito para frente com a pandemia resolvi colocar em prática minhas ideias de podcast, comecei como “InfameZ”, mas descobri um podcast gringo e um grupo de rap em SP com o mesmo nome, até escrito com "Z", e resolvi reativar o "Doc Sujo', o que convenhamos, é mais legal e até me identifico mais.

 

Submundo do Som - E como surgiu a ideia de fazer o podcast e como que foi pensado os convidados?

PIG - Podcast é uma mídia que consumo há muito tempo, desde os tempos do seriado “Lost”,quando conheci o JovemNerd, até antes disso tinha o costume de copiar o áudio de documentários em fitas k7 e escutar no walkieman. Como consumidor da mídia e ter algum conhecimento de produção, era só arrumar tempo para poder dedicar, porque são coisas que gosto de fazer, ficar com a cara na tela do PC editando áudio e vídeo e tudo isso. Os convidados eu procuro principalmente quem eu tenho afinidade, e como sempre me envolvi muito no Hip Hop, skate e movimento underground, vou atrás desse povo. A minha preocupação é sempre trazer quem tenha opiniões abertamente antifascistas, isso é crucial, e a intensão é mostrar justamente a face combativa da contra cultura, escutar o que tem a dizer quem tem voz nas ruas e abrir um canal para essa se expressar também, sem filtros.

 

Submundo do Som - Como tá sendo enfrentar a querentena, esses tempos loucos de isolamento e distanciamento social que estamos vivendo?

PIG - Vixxi, tá foda! A parte de isolamento até que não tenho sofrimento, porque já sou bem recluso há um bom tempo, gosto de estar dentro de casa, com minha família, interação social só na internet e olha lá, mas tenho esposa e um moleque de 5 anos e as contas também não param.

 

Submundo do Som - Cara, pela ideia que você dá ali nos episódios, principalmente no papo com os queridos Gil e André, do Bocada Forte, você acompanha a cena alternativa, sobretudo o rap e o Hip Hop há milianos né? Como você vê todas essas mudanças que o rap passou, todas essas transformações?

PIG - Putz,eu sou chato, hein! Haha. Desde pivete tive muita influência da podrera, tenho família na mesma cidade que o João Gordo passou a adolescência e sei lá, ele influenciou todo o lugar, Angatuba no interior de SP, meus tios escutavam Sarcófago, Ratos de Porão, eu pirava. Mais tarde comecei a escutar rap com os primeiros mesmo, tenho um mano que tinha uns discos foda, que pegava do irmão, coisas como Skowa e a Máfia, Piá, depois ele já apareceu com Thaíde, Pavilhão 9 e daí já era skate, rua, loucura. Mas uma coisa que sempre teve foi o teor de protesto nos sons, desde as podreras do metal e punk até o rap, que nem preciso comentar. Não desmereço o corre de ninguém, seja qual for o estilo musical da pessoa, mas não gosto desse jeito pasteurizado de fazer o som, de discurso vazio de exaltação pessoal, batalha de ego, pra mim é zuado. Isso não é só da “nova” geração, tem muito maluco velho de caminhada, fazendo campanha pra BBB em rede social. Isso não é conquistar espaço. Rap e Hip Hop é diversão e isso sempre esteve junto, isso nos conquistou, outra coisa é querer brincar de gringo endinheirado, tirando foto em frente de carro importado no lava-rápido que trampa 12 horas por dia e achar que tenho que gostar, não tomei porrada da polícia por cantar rap pra isso. Tem muito mano foda, uns moleque sinistros, os veios que não perderam o cérebro na caminhada e viraram reacionários, tem se transformado bastante, isso é evolução e é inevitável.

 

Submundo do Som - Antigamente falávamos que o rap salvava vidas, é uma música de resgate, mas também sempre foi de protesto, assim com o rock, o hardcore e o punk de periferia. E hoje vivendo num país com um desgoverno, um presidente escroto e seguidores cegos e fanáticos, qual você acha que é o papel, não somente da música, mas das artes em geral para combater esse fascismo que cada vez mais aflora?

PIG - Isso é o que eu mais bato atualmente. Fico injuriado quando vejo referências falando bosta sem base alguma, viajando em rede social, brincando de influencer, só propaganda, só compre, compre, compre, “olhe o que eu fiz hoje, olha eu comendo um lanche que não vão vale 1/5 do valor que paguei para essa multinacional que explora todos empregados enquanto faço merchan grátis por like no instagram”. Enquanto isso temos uma pandemia com 170 mil mortes confessas por esse governo facínora genocida, e os caras vivendo como se não acontecesse nada, agindo igualzinho aos apoiadores do nazista de Brasília. Na moral, no momento não tem NADA mais importante que isso, nada! Temos que combater o crescimento desse fascismo tropical crescente sem tréguas, com informação, só informação combate a desinformação que propagam. O Hip Hop e todas as suas vertentes e “crias” têm o dever de tomar a frente. E isso de maneira sempre a unir e aprender. Temos o exemplo dos fãs de KPop que esvaziaram um comício do nazista laranja de Washington. Temos que aprender a usar as tecnologias e crescer junto delas, não sermos moldados e usados.

 

Submundo do Som - Mano, e você acha que, como comunicador, há dialogo com bolsominion (arrependido ou não), que dá para trocar ideia com eles na boa, tentar passar nossa visão, ou o caminho é nos fecharmos entre os nossos e ficar firmão no front da luta?

PIG - Uma coisa é o tiozinho desiludido, desinformado e manipulado, que foi levado a votar nesse lixo, outra é o bolsominion de opinião que realmente se acha o guardião da moral e no direito de impor suas idiotices, como estamos vendo acontecer. Esses tipos, desde um moleque do MBL até uma múmia fundamentalista cristã, que manipulam a informação. O povão, o tiozinho, tem que ser informado, explicando desde cedo o porquê da luta e quem são os reais inimigos. Agora, contra os bolsominons raíz, Integralistas, monarquistas, que se utilizam de discursos e símbolos que chegam ao nazi-fascismo descarado, é poucas ideias. Com facho não se conversa, o mundo não pode continuar com isso na sociedade, e vejo um conflito inevitável ainda em nossa geração, mas até a resistência, aqui no Brasil, ainda bate muita cabeça em distrações e debates fúteis.

 

Submundo do Som - Mano, aproveitando sua bagagem, pros irmãos e irmãs que quiserem curti um trampo diferente do habitual, o que você pode indicar aí pra nós?

PIG - Rap gringo, boombap de revolucionário Immortal Tequinic. Recomendo também o canal no YouTube “Buraco de Rato”, do mano Rato, informação bem direcionada para os nossos.

 

Submundo do Som - Mestre, obrigado pela conversa, e para quem quiser conhecer mais do seu trabalho, trocar uma ideia, quais os seus canais de comunicação?

PIG - Sou mais ativo no twitter@doc_sujo e instagram@doc_sujo, as vezes estou na twitch. tv/docsujo. O podcast você encontra nas principais plataformas de streamming de audio, só buscar por Doc Sujo, no mesmo feed sai também o programa “De Verdade”, com apresentação do Germano Rapper, com conversas com pessoas que geralmente estão jogadas e esquecidas pela sociedade. Agradeço o convite e qualquer coisa, me chama! Valeu!

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