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Relembre 30 Álbuns Clássicos do RAP Nacional Lançados antes de 2000


 

Com satisfação que trazemos para o Submundo do Som um texto incrível com olhar de resgate para grandes obras do rap nacional, lançadas antes do ano 2.000. E para isso estou muito bem acompanhado com dois grandes amigos e pesquisadores do nosso Hip Hop, Gagui IDV e Paulo Brazil. A lista a seguir não tem o objetivo de listar os melhores ou mais clássicos álbuns, nem de coloca-los em um ranking, os nomes citados foram lembrados durante um desafio que fizemos de 10 dias, onde cada um de nós postou um álbum durante esse período, ou seja, temos 30 álbuns para o amigo leitor se deliciar. Então, não se prenda aos discos que ficaram fora desse texto, e se prenda a lista de grandes obras, ao final uma playlist que junta um pouco dessa ideia.


Segue-se por ordem cronológica conforme o ano de lançamento de cada obra:



Paulo Brazil foi até 1988 para trazer um grande clássico, nesse ano grupo Região Abissal entrava para história do Rap nacional com o seu registro primaz, o álbum Hip Rap Hop é o primeiro álbum lançado por um grupo do Rap nacional. Os nomes de: Adilson, Guzula, Bafé, DJ Giba, DJ Kri, Marcelo Maita e Athalyba talvez não pareçam nomes familiares para a maioria dos apreciadores do Rap nacional, mas merecem menção pois escreveram seus nomes na pedra da história do Hip Hop nacional.


Outra indicação de Paulo é uma obra dos pioneiros do Hip Hop brasileiro. Não dar para listar discos clássicos do rap nacional e não conter no mínimo uma obra dessa essencial dupla na fomentação do Hip Hop brasileiro. A história de Thaíde e Dj Hum, emula-se com a própria história da Cultura Hip Hop. Pergunte a Quem Conhece (1989), foi lançando um ano depois do histórico Hip Hop Cultura de Rua. Pertencem a esse álbum as músicas “Corpo Fechado” e “(Cláudio) Eu Tive Um Sonho”, homenagem do Thaíde a um amigo que havia falecido. Nove anos depois, Marcelo D2 faria uma releitura desse hino em uma homenagem ao seu parceiro de banda, Skunk e que também havia falecido.


Eu trouxe duas pedradas do início dos anos 90, primeiro “Genial” Oliveira Gonçalves, com um álbum de 1992 e com título que sintetiza bem quem é o Geóge: Peso Pesado. O disco é um split com o rapper Frank de Zeuxis, com quatro faixas de cada. O poeta apresenta aqui: "Papo Cabeça", "Jogo Bruto", "A Matança Continua" e "Soluções". Um trabalho que trás a áurea do rap dos anos 80, com a produção icônica da época, e as letras que aderiram no gangsta rap, estilo que predominou nos anos 90. O outro álbum é de 1993, o primeiro disco da Rapaziada da Zona Oeste. O RZO havia lançado no ano anterior sua primeira faixa "Pobre No Brasil Só Leva Chute", na coletânea Rapper's e Irmãos, organizada pelo Pastor e produzida pelo DJ Cuca. Em Vida Brazileira, o RZO tinha formação enxuta: Helião, Sandrão e DJ Logo, além da música da coletânea, o grupo trouxe outras sete músicas, destaque para "Élcio", uma das primeiras storytelling do nosso rap, "Pobre de Mim", faixa com sample de blues e " Vida Brasileira" que traz uma incrível mistura do rap paulista com os tambores baianos. Apesar de Hélio dizer abertamente que não gosta desse álbum, pq "não sabia fazer rap na época", o disco é muito interessante de se ouvir e tem músicas com letras atuais, apesar das derrapadas do grupo nas duas versões de "Eu Conheço Essa Mina". A produção é de Mad Zoo e foi lançado pela MA Records.

 


Por falar em 1993, Gagui também visitou o ano e trouxe também um disco de estreia, esse do rapper carioca Gabriel, o Pensador. A obra clássica intitulada de Gabriel O Pensador, foi lançado pelo selo Chaos da Sony Music, “esse foi meu primeiro contato com o Hip Hop. E desde lá o portal se abriu”, se recorda Gagui que também trouxe esse clássico do Câmbio Negro, de 1993, o álbum Sub-Raça e emenda: “O meu irmão X Câmbio Negro me disse na entrevista que fiz com ele para o Podcast Resenha do Rap, que esse disco vendeu as primeiras 1000 cópias sem a capa. O disco ficou pronto antes da gráfica entregar as capas do LP. Conforme ia chegando nas lojas, os clientes retornavam para buscar as capas dos vinis que haviam comprado. Muito foda!”.


Também de 93, Paulo foi de DMN, outro monstro sagrado do rap nacional, que ajudou a moldar o meu gosto pelo rap. Apareceu pela primeira vez com a faixa “Isso Não Se Faz” no volume 2 da clássica coletânea Consciência Black, em 1992. Tendo lançado no ano seguinte o seu álbum de estreia, o poderoso disco: Cada Vez + Preto. A arte e o ativismo do DMN consolidou o grupo na galeria dos grandes do Hip Hop brasileiro. Trilha essencial desde sempre.


Na sequência chegamos ao emblemático ano de 1994, recheado de lançamentos incríveis. Eu trouxe MRN (Movimento e Ritmo Negro) com o clássico Só Se Não Quiser, de 1994, incluindo o sucesso "Noite de Insônia"! Paulo trouxe algo de sua terra, o MD MC’s, que carrega em seu histórico o protagonismo de ter o primeiro registro em disco do rap baiano. A dupla formada por Marivaldo dos Santos e Davi Vieira, lançaram no ano de 1994 o registro primaz do rap na Bahia. O trabalho, além de ter sido lançado com o suporte de uma grande gravadora (EMI Music), o trabalho chegou no mercado nos formatos de: CD, LP é K7. O grupo ainda tem em seu currículo a gravação de vídeo clipe de uma de suas músicas de trabalho na terra do Tio Sam.

 


Paulo seguiu revirando o baú do rap nacional, e indicou Sistema Negro, grupo formando no ano de 1992 e já no ano seguinte colocando na pista o seu disco de estreia, o: Ponto de Vista (1992), o Sistema Negro é, sem dúvida um dos grupos mais importantes do Rap Nacional. Mas foi com o seu segundo disco: Bem Vindos Ao Inferno (1994), que consolidaram o nome do grupo na galeria dos eternos do Rap nacional. Faixas como: "Mensagem Para Otários" e "Nós Somos Pesados".
 
 
Nosso pesquisador baiano também foi a Brasília e apresentou o Dia Dia da Periferia, de 1994, terceiro disco do GOG, que conta com a produção do mestre Dj Raffa. A obra possui alguns clássicos da carreira do poeta, entre eles: a faixa título, “Brasília Periferia” e a atemporal “Assassinos Sociais”. Jeff indicou Potencial 3, com álbum de 1995, lançado pela Zimbabwe no formato de LP, o Você Precisa Esquecer o Passado, Ignorar o Presente e Torcer Para que o Futuro seja a Mesma Merda. Com 9 faixas o grupo apresentava os sucessos "Cabeça Torta" e a clássica "Mano de Fé". No ano seguinte é lançado a versão em CD.
 


 
A narrativa sobre os problemas sociais sempre norteou as linhas do De Menos Crime, o que não fez com que o grupo perdesse uma abordagem, digamos, mais irreverentes em algumas de suas letras, como podemos comprovar desde o seu primeiro disco. Um dos grupos linha de frente da banca D.R.R. Formado por Lerap, Mago Abelha, Mikimba e Dj Vlad, ainda no final dos anos 1980, numa parceria com a tradicional gravadora Kaskata’s Records, o disco Na Sua Mais Perfeita Ignorância, que conta com 9 faixas, ganha as ruas em 1995 e é um clássico do Rap nacional. Outra indicação de Paulo Brazil.


Outra indicação de minha pessoa foi Corporation Preview foi um álbum que reuniu em 1996 canções da dupla Black Alien e Speed, sob o nome de SpeedFreaks, banda formada pelos dois MC's e o DJ Rodrigues trazendo para o Hip Hop brasileiro uma nova forma de versar e fazer música, com novas métricas e flows. No ano seguinte Gustavo Black Alien íntegra o Palnet Hemp, depois volta a fazer dupla o Márcio, agora sob o nome de Black Alien & SpeedFreaks, estavam gravando o álbum Na Face, com produção de Hebert Vianna, mas o acidente de ultraleve que deixou o vocal dos Paralamas na cadeira de rodas impediu que o álbuns fosse concluído. Algumas músicas vazaram na web. Depois disso tanto Gustavo quanto Speed partiram em carreira solo. Desse álbum se destacam: "Mulheres e Crianças Primeiro", "Lar Doce Lar" e a primeira versão de "Estilo do Gueto".



Gagui veio com Comando DMC, São Paulo Está Se Armando, de 1996 só por ter a música “Pulem” já merece um lugar de destaque na cena do Rap nacional. Mas ele ainda trouxe outras músicas muito boas, como “Na Zona Sul” (por aqui a violência não tem dia nem hora, é zona do destaque no Aqui Agora). Quem não lembra do Gil Gomes com aquela interpretação inesquecível falando dos crimes das periferias de São Paulo? Ainda tem “Bem Vindo ao Brasil” e a faixa título, que tocaram bastante na época também. Gangsta Rap nacional!


Nosso mano Gagui também lembrou da celebre dupla Thaíde e DJ Hum com o clássico Preste Atenção, de 1996, o qual considera o melhor disco da história do Rap nacional. Paulo lembrou do rap com banda do Pavilhão 9 e O Procurados Vivos ou Mortos (1996), segundo disco de carreira do grupo, e o primeiro de um total de três álbuns lançados em parceria com a gravadora Paradoxx Music. Esse importante disco da carreira do grupo também marca a transição de sua formação, que passaria a se apresentar como banda desde então.

 


Impossível Racionais não estar na lista. O difícil para Gagui foi escolher qual álbum. E optou por Sobrevivendo no Inferno, de 1997, e enfatizou “até hoje fico dividido entre esse álbum e o Preste Atenção de Thaíde e DJ Hum, pra decidir qual que eu mais gosto”. Na sequencia, Gagui emendou com Sistema Negro e o álbum A Jogada Final, de 1997. Eu trouxe mais do RZO, dessa vez o disco de 1997, Todos São Manos, um dos maiores clássicos do nosso rap, destaco aqui a música "Assim Que Se Fala" com participação do poeta GOG e do Possemente Zulu! Eu também trouxe uma das cervejas do bolo, o álbum do Consciência Humana: Entre a Adolescência e o Crime, segundo álbum de WGi, Preto Aplick e DJ Adriano, com produção assinada pelo monstro DJ Raffa. O disco foi lançado em 1997 e relançado em 1998 e segue como uma das obras primas do nosso rap.

 



Chegando em 1998, Gagui traz mais um dos grandes discos do rap nacional. Nessa época o Nill vinha com um discurso bem diferente do MRN e do Verbo Pesado, grupos que ele fez parte. Longa Estranha Caminhada traz muitas referências do kardecismo, que o Nill vinha estudando bastante nessa época. O disco é de 1998, com produção do saudoso Fábio Maccari. Gagui também indica Apocalipse 16, om o álbum de estreia Arrependa-se, lançado em 1998, conta com faixas como “Não Perca Sua Vida na Noite” (com Thaíde), “Minha Oração” (com Edi Rock), “Chegou o Carnaval” e “Não Venda Sua Alma”. Paulo foi de uma banda que ao lado de Câmbio Negro e do Pavilhão 9, compõem a trindade dos super grupos de rap que se apresentavam com banda no anos 1990. Nascidos no Recife, o Faces do Subúrbio é pertencente a geração de artistas notáveis da leva do manguebeat, o Faces do Subúrbio foi o primeiro grupo da região nordeste a ganhar notoriedade no eixo hegemônico do rap nacional. O álbum homônimo lançado em 1998 é basicamente uma releitura do disco de estreia da banda com a adição de algumas faixas inéditas e que não estavam no disco anterior. A mescla do peso das guitarras, toca-discos, elementos percussivos e a adição de fortes elementos regionais dão ao rap do Faces do Subúrbio uma sonoridade de identidade singular.



Eu fui até o Rio de Janeiro para relembrar o começo da sua caminhada em carreira solo de Marcelo D2, com o clássico Eu Tiro É Onda, de 1998, seu terceiro álbum, já que antes havia gravado dois com o Planet Hemp. Destaque para a faixa "Eu Tive Um Sonho" regravação de música de Thaide, mesmo 22 anos depois é raro ver retrações no rap! Chegando em 1999 lembrei do Face Da Morte com o icônico O Crime do Raciocínio. Terceiro disco de Mano Ed, DJ Viola e Aliado G, grupo originário de Hortolândia, no interior de São Paulo, e que alcançou destaque nacional no cenário do rap, nesse álbum lançado pela FDM Produções, destacam-se as canções "Televisão", com participação do GOG, "Tático Cinza", com participação do Realidade Cruel, além de "Bomba H", faixa que ganhou vídeo clipe e traz uma introdução com berimbau, mostrando as raízes do rap brasileiro. A capa do disco é assinada pelo artista Eder Gil e segue como um trabalho atemporal de Erlei e Ed Carlos. Gagui trou uma indicação da região sul, o Da Guedes no seu disco de estreia de 1999. Com produção de DJ Hum e participação de Marcelo D2, o disco Cinco Elementos colocava a rapaziada do Partenon na linha de frente do Rap gaúcho.



O túnel do tempo de 1999 me fez recordar o As Aparências Enganam, de DJ Deco, Suave e o lendário PMC, o Jigaboo. O grupo formado por "dois negão e um branco" ganhou destaque com a música "Corre Corre", sobre a má conduta policial, tocando em várias rádios do país e saindo em várias coletâneas (inclusive de rock). Outro clássico do disco é "Realidade" música que fala e contam com a participação de internos da FEBEM. Ainda teve a dobradinha com o Charlie Brown Jr em "Vai Pirar", música que teve duas versões. O PMC está presente nos dois primeiros álbuns dos santistas. Gagui também deu um pulo em terras fluminenses e se recordou do disco Traficando Informação, do MV Bill. Lançado em 1999, numa espécie de reedição do CDD Mandando Fechado, do ano anterior. A minha única reclamação em relação à essa reedição é que acabaram deixando de fora a música A Verdade Que Liberta, que eu considero uma das melhores da carreira do Bill. E assim como começou, Paulo fecha a lista com um disco icônico a obra máxima do rapper gaúcho Piá. O álbum Um Pouco de Todos Nós, lançado em 1999/2000 pela gravadora Trama.


 

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