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Entrevista | Bloco do Caos lança "Vendedores da Fé", com os argentinos Los Cafres

Bloco do Caos - Foto Divulgação


Salve! O Submundo do Som trocou uma ideia com a banda Bloco do Caos, banda de reggae da zona norte de São Paulo, que se juntou com os argentinos da banda Los Cafres para a música “Vendedores da Fé”. O grupo fala de sua trajetória, do álbum Coalizão dos Indesejados, sobre as conexões latinas e sobre o futuro com o lançando do novo disco Minha Tribo. Confira aí:

Submundo do Som - Primeiramente muito obrigado pela disposição de trocarem essa ideia com o Submundo do Som, e começo pedindo para se apresentarem, quem é o Bloco do Caos e qual a trajetória da banda até aqui?

Bloco do Caos - O Bloco do Caos surgiu na zona norte de São Paulo no final de 2013. Nosso primeiro trabalho veio em 2015, o EP "Singular", que já contou com as participações de peso de Toni Garrido (Cidade Negra) e do Big Mountain. Depois de realizarmos turnê pela Europa em 2016, lançamos, em 2017, nosso segundo trabalho, o álbum “Coalizão dos Indesejados”, com os convidados Izenzêê (Braza, Forfun) e Tato (Falamansa). Com esse trabalho nos apresentamos em diversos festivais importantes e com grandes nomes da música brasileira como: Marcelo D2, O Rappa, Gabriel o Pensador, Forfun, Maneva, Planta & Raiz, Braza, Tribo de Jah, CPM 22, Edi Rock, Áurea e muitos outros. Em 2018, veio o EP “Na trilha do Bloco — Boiçucanga”, que tem centenas de milhares de plays nas plataformas. Em quase oito anos de história, colecionamos gravações com esses nomes já citados, além de Maneva, Tay Galega, Alma Djem, Adonai, Sabrina Lopez, B-Flow Crew, Daniel Fernández, Mautari, Guilherme Porto (Fatho), Maquinamente e, claro, Los Cafres. 

Submundo do Som - A sonoridade da banda é o reggae, mas há pitadas de outros estilos né? como uma mistura com o hardcore, um pé no ska, isso é bem da hora, quais as influências da banda?

Bloco do Caos - A gente gosta de falar que nossa única constância é ser inconstante. As composições e arranjos do Bloco sempre foram marcados pela nossa inquietude musical. Se algo está parecendo comum demais, a gente precisa mudar. Temos influência de tudo: reggae, rock, ska, cumbia, ijexá, afoxé, mangue beat, samba, mais um monte de coisas. No álbum novo vai ter até dubstep! Historicamente, ouvimos muito bandas como O Rappa, Charlie Brown Jr., Sublime, Natiruts e Nação Zumbi. Hoje em dia gostamos do que tem sido realizado por artistas como BaianaSystem, Braza e Francisco, el Hombre.

Submundo do Som - Uma das características do reggae é o louvor, uma música forte e que muitas vezes está ligada a religiosidade dos Rastafari, em "Vendedores de Fé", o percurso é meio que o contrário e vêm para falar do outro lado do tema que é essa comercialização da fé em uma crítica bem composta. Como surgiu a ideia para abordar esse tema?

Bloco do Caos - A ideia de "Vendedores da Fé" não é de forma alguma criticar a religião ou a religiosidade. A ideia de criticar a comercialização da fé surgiu no Brasil mesmo. Vemos isso acontecer a todo o momento. Tá na tv, tá no dia a dia e tá no congresso. Uma das funções da arte é essa: olhar o mundo ao redor, ver o que incomoda e colocar pra fora.

"Vendedores da Fé" - Bloco do Caos e Los Cafres

Submundo do Som - A música "Vendedores da Fé" tem participação da banda argentina Los Cafres, como que rolou essa conexão? E como que foi trabalhar com eles?

Bloco do Caos - O Alê, nosso vocalista, sempre ouviu o reggae em espanhol e artistas do gênero. Já gostava bastante do Los Cafres quando entrou em contato com o Guille, em 2018, para mostrar uma outra canção que tínhamos lançado, "Nuestra Libertad", a primeira do Bloco com parceria latina e com trechos em espanhol. Ali já começou uma conexão muito boa e o resto foi só questão de tempo. Desde então fomos ouvindo e conhecendo melhor o trabalho deles e ficamos cada vez mais fãs. São gigantes do reggae mundial. Desde o primeiro contato, ficamos com a vontade de fazer algo com eles e estávamos só esperando ter a música certa. Em 2019 compusemos "Vendedores da fé". Ano passado, já na pandemia, entramos em contato novamente e mostramos a música já gravada. Eles curtiram a mensagem, se identificaram mesmo, e toparam gravar. Trabalhar com os Cafres foi uma honra, além de muito fácil. Ali a competência é grande, então tudo aconteceu rápido e com muita qualidade.

Submundo do Som - Essa não é a primeira interação com outros artistas latinos que o Bloco do Caos fez, certo? Comenta um pouco como foi gravar com o paraguaio Daniel Fernández.

Bloco do Caos - O Daniel saiu do Paraguai ainda adolescente e já mora em São Paulo faz uns bons anos. Foi trabalhando no estúdio do nosso batera, Andrew Lee, que o conhecemos e fomos pegando amizade, até que um dia ele nos apresentou uma composição própria, ”Nuestra Libertad”, de que gostamos muito. Estávamos a fim de fazer um projeto mais leve, acústico, mostrando uma outra cara do Bloco e com amigos artistas que achávamos muito bons, mas que ainda não tinham tanta estrutura. Nossa ideia era realmente fortalecer essa galera de alguma forma. Fizemos então o projeto acústico "Na Trilha do Bloco #1 - Boiçucanga" e convidamos o Daniel. Chamamos também nosso amigo do beatbox Mautari pra compor esse time e foi um prazer enorme lançar essa música pro mundo com a participação deles.

Submundo do Som - E como que vocês veem a cena reggae no Brasil? E em relação aos artistas, produtores e público?

Bloco do Caos - O reggae é um daqueles estilos que nunca vai ter fim. Não é uma coisa que veio meio que rapidamente e vai passar (já está mais do que provado). A cena reggae no Brasil é muito, muito forte. Temos vários artistas de qualidade, ótimos produtores e um público extremamente engajado. A realidade é que o reggae se espraia por todos os outros gêneros: tá lá no pop, tá lá no sertanejo, ele tá sempre lá. Cada vez mais artistas vem se unindo e se fortalecendo, gerando novas ações, conteúdos e parcerias. Nós, inclusive, fazemos parte do coletivo Reggae Brazuca (fundado e encabeçado também pelo Alê, junto com o PH Moraes) formado pelos principais artistas do cenário do Reggae Brasileiro: Onze:20, Maneva, Planta & Raiz, Maskavo, Chimarruts, Mato Seco, Tribo de Jah, Cidade Verde, Gabriel Elias, Tay Galega, Marina Peralta, Tati Portella, Deko, Big Up, Dada Yute, Filosofia Reggae, Ponto de Equilíbrio, entre outros. O coletivo já fez parcerias com Showlivre.com, Deezer e OneRPM, e já tem até dois lançamentos “coletivos”, “One Love Reunion”, de 2017, ainda com o Bloco do Caos na base, que reuniu 30 artistas homenageando Bob Marley, e, “Somos todos um”, do ano passado, o primeiro collab oficial do Reggae Brazuca que reuniu 13 artistas numa faixa inédita autoral.

Submundo do Som -  O Bloco do Caos tem o álbum Coalizão dos Indesejados, de 2017, além do nome forte tem uma capa emblemática, por favor comentem um pouco dessa obra e do conceito que ela traz.

Bloco do Caos - A gente acredita muito que a arte tem uma função política. De onde estamos o mundo é profundamente desigual e determinados setores da nossa sociedade são completamente marginalizados, indesejados. Nesse álbum, a gente tentou trazer um pouco a voz dessa galera, tantas vezes esquecida, não ouvida. Isso tudo sempre de uma perspectiva crítica. Em músicas como “Heróis de Bronze”, “Ouro de Tolo”, “21 gramas”, “Servir e Proteger”, abordamos diversos assuntos desde a luta diária do trabalhador, crítica ao consumismo, e crítica da violência policial até questões espirituais. O álbum foi produzido em parceria com o produtor musical Rodrigo Castanho, vencedor de três Grammys Latinos, e conta com a participação de Tato Cruz, do Falamansa, Izenzêê, do Forfun e Braza, e Guilherme Porto, vocalista da banda Fatho. Como bem sugerem as participações, juntando aos temas variados e a sonoridade específica ao fazer uma miscelânea de sons que vão do forró ao rock, passando por samba, reggae, ska e até bolero, a banda deixou claro nesse primeiro álbum o porquê do nome Bloco do Caos.

Submundo do Som - Em 2021 preparam um novo disco, o Minha Tribo, certo? Quais as expectativas para esse trabalho e o que podem adiantar sobre ele?

Bloco do Caos - Estamos extremamente empolgados pra esse novo trabalho. Ele marca a virada de um novo Bloco do Caos, mas sem perder nossa essência. Estamos mais críticos e afiados do que nunca, com uns arranjos bem diferentes e bem calcados nessa lógica reggae/rock/brasilidades. Mais uma vez, tem de tudo lá. Já lançamos várias músicas que vão fazer parte do disco: “Algum lugar”, “Palma pra louco”, “Salvador”, “Minha tribo”, “Fim de Março” e “Vendedores da Fé”. Já dá pra ver que vai ser aquela bagunça boa e brava que a gente gosta de fazer.

Submundo do Som - Para fechar, qual a mensagem que o Bloco do Caos deixa para a galera que acompanhou nosso bate papo?

Bloco do Caos - Arte pode ser mais do que apenas entretenimento. Vivemos num mundo muito complicado e injusto. É nosso dever como artistas falar sobre aquilo que causa dor e desigualdade, levar pro público música boa e crítica. O Bloco do Caos não vai se calar.

Submundo do Som - E para quem quiser acompanhar mais de perto o trabalho da banda, quais os canais de comunicação?

Bloco do Caos - Site: www.blocodocaos.com.br
IG: @blocodocaos
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Banda Bloco do Caos. Foto Divulgação



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