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DJ CORTECERTU LANÇA EP E A PERGUNTA: POR QUE VOCÊ NÃO VAI EMBORA PORRA?


Antes de conhecer o Cortecertu DJ, conheci o Cortecertu griot, no grupo de administradores de páginas ligadas ao Hip Hop e música underground. O Jair desempenhava um papel importante que era de orientar como as páginas poderiam se fortalecer, individualmente e coletivamente ali, e quem teve ouvidos, ouviu! Jair Cortecertu é, e sempre foi, o inimigo número um do copia e cola, prática comum em (muitas) algumas redações. Não é diferente que o som do DJ, nesse projeto Vai Embora, absorvesse essas características desse mano: a vontade de passar para frente o conhecimento e a originalidade na construção.


São duas faixas que formam o EP Vá Embora, um dá título ao álbum e a outra se chama “Corte”. Apesar de enxuto, o projeto nos dá dimensão do DJ, pois entrega duas músicas profundas, o nome disso é Hip Hop. Mesmo que a sonoridade não seja o clássico boom bap (pelo menos não em sua totalidade) ou o moderno trap (ou qualquer outro haypado de uns tempos pra cá) as faixas “Vai Embora” e “Corte” são para os b.boys racharem no breaking, para os grafiteiros e pichadores ouvirem enquanto distribuem tinta, para os MC’s refletirem e para os DJ’s pirarem. A música de pista, é trilha sonora, é o wonderground


Na primeira faixa, “Vai Embora”, talvez essa seja a tentativa de Cortecertu mandar tudo a porra, principalmente: “a mesmice, a superficialidade, a pandemia e tudo de ruim que foi intensificado e potencializado por ela” na mistura de industrial e dub, enquanto ouvimos o mantra: “Por que você não vai embora porra?” mesclado a guitarra distorcida.


Na sequência é hora de riscar em breat break que, com certeza, faria a São Bento estremecer. Os cortes certeiros de Jair nos mostram que não tem vez pro errado, é como o release muito bem define: “É através dos scratches que o DJ se expressa e ‘corta’ tudo que te faz mal, por isso me refiro a ‘poesia sonora’”.


É bem supimpa ver esse véio punk em ação riscando nas quadradas e trazendo música sólida para uma cena cada vez mais líquido onde artistas em pouco tempo se evaporam. Vale lembrar de uma parceria que Cortecertu fez a pouco tempo atrás com Rica Silveira, um mano que também tem um caminho do rap ao rock, do rock ao rap, juntos lançaram o ragga-rap-punk, “Fya”, como uma forma de tacar fogo nesse nosso underground. E incendiou!

Jair Cortecertu não é só o tiozinho chato do Facebook, além disso, e da carapaça de mau, é o antônimo de seu xará em todos os sentidos, um mano que admiro demais e mais um dos presentes que os caminhos da música me trouxe. Toda a vivência e humildade desse sujeito de 50 primaveras, pai e avô, homem preto e DJ se convertem em música que somos contemplados em poder ouvir.


Aqui vou recorrer mais uma vez ao release, pois o texto original eu assino embaixo: “DJ Cortecertu é um Mestre, Maestro, preto, periférico, griot, é um dos inúmeros artistas invisibilizados por uma elite cultural, que por medo e/ou desconhecimento não olha pra quem tá na base. É um talento valorizado pelos que olham além do status fabricado por uma indústria que sufoca a criatividade e destrói sonhos”.

Confira abaixo o EP Vai Embora no Spotify, mas saiba que está também em sua plataforma preferida:


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