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ENTREVISTA | Troca de Rima - O Chamado Para O Resgate Da Essência



O Submundo do Som bateu um papo com o grupo Troca de Rima, que recém lançou o excelente álbum O Chamado, selo Humkuartu, uma ode ao boombap, além de passearem pelo reggae, R&B e dubstep. Apesar de formado em 2019 o grupo tem muita experiência pois reúne um time com grandes nomes do rap nacional como DJ Julião, Caprieh, Eri Q.I., Zoio 3D e André Sagat. Nessa troca de ideia falamos do grupo, do disco, da cena do rap e dos caminhos da cultura Hip Hop. Se liga:

Submundo do Som - Salve! Primeiramente muito obrigado pela troca de ideia aqui com o Submundo do Som,  quero começar pedindo para que se apresente, quem é o grupo Troca de Rima?

Troca de Rima - Salve geral! O grupo é formado por André Sagat, Caprieh, Eri Q.I., Zoio 3D e DJ Julião. Somos um grupo de rap que valoriza as raízes e segue as tradições da época de ouro (golden era) do rap dentro do Hip Hop. Todos os integrantes têm o mesmo peso e o mesmo espaço nas músicas, por isso todas as 10 faixas do nosso primeiro álbum tem riscos do DJ Julião.

Submundo do Som - Percebemos que o grupo não desperdiça linhas e dá muito valor para a matéria prima do rap: a rima e as usa muito bem. Queria que comentassem isso e aproveitando o gancho expliquem a escolha do nome Troca de Rima.

Troca de Rima - O nome do grupo surgiu de uma apresentação que fizemos na zona leste de SP, numa festa organizada pelo nosso mano MCH. Ele precisava de uma atração para abrir o evento e sugeriu uma colaboração entre alguns Mc's para fazer uma espécie de roda de rima ao estilo samba de roda. A química foi tão forte que resolvemos fazer um projeto permanente, aí optamos em aproveitar o nome que foi utilizado no flyer da festa (Troca de Rima).

Nossas rimas são fruto da bagagem que cada um trouxe e da proposta do Troca de Rima de trazer a essência do hip hop pra 2022. Cada um no seu estilo, na sua métrica, somando pra que cada pessoa que ouça o álbum tenha a melhor experiência possível.

Submundo do Som - O grupo se juntou em 2019, certo? É relativamente um tempo curto, principalmente para a entrega de um álbum tão bem elaborado como O Chamado. Depois que os integrantes se juntaram, como surgiu a ideia de construir esse disco?

Troca de Rima - No início faríamos apenas uma música pra registrar o encontro que tivemos no palco, mas curtimos demais o resultado e resolvemos fazer mais uma, e por aí foi... Quando demos conta já estava na faixa 10! Daí foi só dar o nome pro álbum e meter marcha...

Submundo do Som - A proposta do grupo, com o álbum O Chamado, é de exaltar o boombap. Porém no Brasil, quando enaltecemos algo as pessoas se confundem e automaticamente acham que detestamos o restante que não está sendo elevado. Por exemplo, ao falar do boombap alguns podem achar que o Troca de Rima é contrário ao trap, ao drill, ao grime ou qualquer outro subgênero. Mas por favor, coloquem a visão do grupo sobre o tema.

Troca de Rima - Fazemos Boombap no Troca de Rima, mas cada um tem a sua carreira solo seguindo seus gostos pessoais. O Eri Q.I. lançou um som recentemente que mistura trap, funk e R&B; o Zoio 3D tem um projeto com André Sagat que mistura trap e boombap; o Caprieh fez várias participações com artistas de R&B, samba, soul e funk; e o DJ Julião toca em festas de todos os estilos... Gostamos de tudo, mas percebemos que o mercado tá carente de boombap, por isso e pelo amor ao gênero decidimos fechar nesse conceito. O Troca de Rima veio pra somar!

clipe da música "Olho no Lance"

Submundo do Som - Além do Boombap, outra característica marcante do álbum O Chamado é a presença do DJ com scratches e colagens, e aqui no caso do Troca de Rima o grande DJ Julião. Esse era para ser um ponto comum em todo disco de rap, mas hoje em dia na cena (de modo geral) acontece o contrário, é cada vez mais rara essa conexão do MC com os demais elementos da cultura Hip Hop, inclusive o grupo aborda esse lance do DJ na faixa “Eu Soul”. Qual a visão de vocês sobre esse distanciamento do rap para com os demais elementos?

Troca de Rima - No Troca de Rima não temos a figura do líder, mas temos um maestro que é o DJ Julião. Na nossa visão, fatores logísticos e econômicos levaram os artistas de rap a abandonar a figura do DJ ao longo dos últimos dez anos. Contratantes incentivaram mc's a pegar a estrada sozinhos para conter gastos, oferecendo DJ's residentes como solução, dessa forma a maioria deixou de se comprometer e fechar com um DJ fixo a fim de não perder contratos. Isso foi sabotando a dinâmica do jogo e fazendo com que artistas iniciantes tivessem a falsa ideia que um DJ fixo não era importante pro desenvolvimento da carreira. Nossa missão é exaltar a figura do DJ e fazer com que as pessoas percebam a importância dele dentro do Hip-hop.

Submundo do Som - Aproveitando essa imersão que o Troca de Rima fez no boombap, o que, através da produção, ajuda a contar a um pouco da história do Hip Hop e vemos isso nas referências que o grupo trouxe nas faixas, seja através das colagens ou das linhas. Analisando a cena de hoje, que artistas vocês sentem falta de ver atuando? (seja ele falecido ou “aposentado”)

Troca de Rima - Cada um tem uma referência na hora de compor, mas escutamos mais ou menos as mesmas coisas. Para o grupo, as principais referências que deixaram saudades são Jurassic 5, Dilated Peoples, Mobb Deep, Big L, N.W.A, Public Enemy, Notorious Big, 2pac, DMX, Dj Kool Herc, Dr. Dre, Camorra, Vítma Fatal, Duck Jam & Nação Hip-hop, Face Negra, MRN, Athalyba e a Firma, Posse Mente Zulu, Visão de Rua, RPW, Sistema Negro... Só pra dar alguns exemplos, tem tantos que não dá pra lembrar todos.

Submundo do Som - Achei sensacional a música “Habanero”, com samples latinos e uma faixa de baile, dançante. É importante essa aproximação com o Hip Hop latino-americano e aqui no Brasil não consumimos muito o rap dos países vizinhos, muito se credita a barreira do idioma, apesar de escutarmos, e muito, o rap estadunidense que também tem uma língua diferente da nossa e até mais difícil de interpretar do que o castelhano. Como vocês enxergam essa desconexão?

Troca de Rima - Com toda a certeza tem gente de muito talento fazendo rap na América do Sul, mas infelizmente não chegamos a conhecer porque, via de regra, só escutamos o que é feito aqui e nos EUA. Mesmo com a evolução da forma de consumir música via aplicativos, insistimos em dar atenção para as mesmas coisas que sempre demos. É algo cultural, mas que lentamente vem mudando, pois com a facilidade de acesso a qualquer artista a gente acaba conhecendo coisas novas, mesmo que por acidente. Nas antigas só conseguimos ouvir "Control Machete" através de discos piratas que chegavam nas lojas do centro de SP, mas com o passar do tempo veio a popularização do reggaeton que acabou trazendo alguns mc's latinos pros holofotes. No Troca de Rima há uma nítida influência do grupo "Orishas", mas ainda vamos incorporar alguma coisa ou fazer parceria com nossos hermanos do lado sul da américa, afinal somos vizinhos...

Submundo do Som - Não dá para desassociar Hip Hop de política, mas parece que muitos esqueceram que o rap é uma ferramenta de luta, de reivindicação.  Como vocês vêm esse momento que vivemos analisando esses dois fatores?

Troca de Rima - Hoje o pessoal tá mais interessado em ouvir músicas que falam de ostentação, festa, droga, putaria etc. É um movimento de mercado que foi se desenhando aos poucos, conforme o dinheiro foi entrando e o público renovando, surgiram outros artistas mais ligados nessa demanda por temas mais "leves", com isso a popularidade do trap e do funk cresceu no país inteiro e levou essa tendência à todas as quebradas. Com menos visibilidade pra artistas mais sérios, a renovação da cena diminuiu a fatia da pizza pra quem fala sobre temas antes recorrentes. Até tem gente fazendo música com temas mais voltados ao protesto (ADL é um bom exemplo), mas a grande massa não tem dado muita atenção... Mas nem tudo está perdido... A repercussão ao recente trabalho do "César MC" dá uma animada e deixa a fé mais forte num futuro com mais artistas engajados.

Submundo do Som - Indica para nós alguns aliados de vocês que fazem música e seguem no anonimato, para que possamos conhecer mais artistas que estão aí na correria e não chegam a todos os públicos do rap.

Troca de Rima - Tivemos a sorte de conhecer artistas talentosos e dedicados que seguem na missão de manter a essência do rap sempre viva. Cada um vai citar os artistas mais próximos geograficamente ou por afinidade:

(André Sagat) Vou citar os artistas com quem trabalhei recentemente: André Átila, Thig, Robson Durap, Maicon Niggaz, Cakau Fb, Kayodê Chaves e Nego Vando.

(Caprieh) Tem dois nomes da quebrada que chamaram bastante a minha atenção ultimamente: Dahora Nayara e Cassino.

(Zoio 3D) Sempre encontro amigos mc’s que tem um talento absurdo: Quadrilha Do Leste, Popas Dog, Menthor Samurai du Flow, XR Brow, Thug Black, Phantom DK, Marcelo Keshada, Themba e Peso duplo.

(Eri Q.I.) Alguns artistas com quem tive a honra de trabalhar: meu filho Kayodê Chaves, Dener Miranda, Thig, Lucas Beat Maker e Luciano Mello. Da quebrada temos Preto Contenção, Mano Rogério, Mc Cauan entre outros...

(DJ Julião) Alguns artistas que eu gostaria de destacar são: DJ MS, MC Ratuan, DJ Clayton, Kain 03

 

Submundo do Som - Nessa caminhada pela música, quais os sonhos que vocês ainda desejam realizar?

Troca de Rima - Viver exclusivamente da nossa arte ainda é um sonho, pois todos do grupo ainda exercem atividades via CLT para pagar as contas. Ver a cena unida e próspera também é um ideal pra nós.

Submundo do Som - Agora com um disco na praça e pouco a pouco os espaços para shows retomando, quais os planos para o Troca de Rima nesse ano de 2022?

Troca de Rima - O plano é invadir quantos palcos for possível pra mostrar nossa arte, porque fome a gente tem! Vamos fazer uma festa de lançamento oficial, além de lançar alguns singles durante o ano que é de lei... Trabalhar duro é nosso foco! Tem videoclipes vindo também...

Submundo do Som - Qual a mensagem que vocês deixam para quem acompanha o trabalho do grupo e que nos seguem nesse bate papo?

Troca de Rima - Nós fazemos o que amamos e deixamos parte da nossa alma nesse trampo que lançamos agora, por isso abra seu coração e deixe essa energia tomar conta... Persiga seus sonhos e se dedique ao máximo pra não sofrer imaginando como seria se você tivesse se dedicado mais, e esteja preparado pra tudo, inclusive pro fracasso, porque ao contrário do que muitos dizem por aí não basta dar tudo de si, também é preciso um pouco de sorte. O DJ é o primeiro elemento do hip-hop e o mais importante, nunca esqueça disso.

Submundo do Som - E para quem quiser acompanhar mais de perto o trabalho do grupo Troca de Rima como faz? Quais são suas redes sociais?…

Troca de Rima - Estamos on-line! @trocaderima em todo lugar...

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