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Rapflix: "Daria Um Filme" - Projeto do Primavera Nacional que mostra a forçado Interior


Já pensou se houvesse uma plataforma digital dedicada a exibição de nossos sentimentos, angustias e anseios musicados em cima de beats inspiradores? Tipo um Rapflix? Pois bem, do interior de sampa vem essa idealização. Átila, MC do grupo Primavera Nacional, encabeça o projeto “Daria um Filme”, reunindo uma gama de rappers de diferentes localidades da cena 019, lançando quatro músicas, com captação de voz no Viés Stúdio, por João Gilberto e Allan Mello, responsáveis pela mixagem e masterização, e com quatro videoclipes, como se fossem quatro episódios de uma serie que narra o cotidiano brasileiro na visão dos MC's.


O primeiro episódio dessa série é o som "Breve Desabafo - Parte 2", com beat que trás atmosfera de suspense e letra digna de um filme de ação, que dispara contra o sistema hipócrita, numa dupla formada por Átila e NGO, ambos integrantes do grupo Primavera Nacional, o beat é de ZUMB1POUND. Nesse breve desabafo os MC's representam a população, principalmente negra e periférica, que em meio ao descaso da classe politica e negligencia do estado seguem bravamente resistindo. A captação de vídeo e fotografia, o pré clipe e pós clipe é assinado pela Letícia Vallate, e arte de capa do single é do Matraca:

[Átila]

"Tô cansado dessa merda
Justiça lerda, falha
Preto na cela, paga
Pelas favelas, fardas
Da velha guerra
Na nova era
Fraga

[NGO]

"Preto é lindo só na capa da revista
Cês ainda preferem me ver apanhando nela
Dropa bala e curti baile de perifa
Sobre bala ainda prefiro cês tudo pulando nela


Dois, dueto da hora demais, "DDD19" demonstra dom, desperta desejo, desempenha dedicação, diversão. Desbrava dificuldades, discute diferenças, dividas, deboche da distópica democracia de "DoisZeroDz9", doentes delegando devaneios, demagogos, desinformados, descontrolados, desafazendo dia-a-dia da defesa dos direitos, desamor. Doce dupla disparando dinamite, diamante derradeiro. Dobradinha Mogi/Sumaré, entre Átila e DimasEdo. O beat é de Blahka Tao e DimasEdo, enquanto que a edição e produção do clipe é de Átila e a captação de vídeo e fotografia é de Letícia Vallate, a arte da capa é do mano Matraca, também do Primavera Nacional.

[Átila]

"Desacreditado da decisão democrática
Decepcionado dos discursos divisores
Donos do discernimento defenderam democráticos
Donos do dinheiro designam ditadores"

[DimasEdo]

"Doenças/dores diárias
Dúvidas, dívidas
Diante de Dante
Dodge Distante
Desencadeia danos
Discursos de doutores
Dão de Dopante"


No terceiro episódio o romance ganha cena em "Nosso Santo Não Bate"love song levada por Átila e NGO, o áudio visual que quebra tabu e mostra as diferentes formas de afeto, seja homo ou seja hétero, a sensibilidade nas linhas e a melodia no violão em incrível beat de KzZ, nos faz querer ficar junto de quem amamos. A captação do vídeo e fotografia é de Leticia Vallate, que assina junto com Átila a produção e edição do vídeo, o mc também responsável pela arte do single:

[Átila]

"Quando o sentimento é bastante, as palavra é pouca
Pode ver que evito estressar
Toda vez que evito tretar
Porque se a gente se estranha, é só mais uma treta
A gente se resolve, (pronto) mais uma letra"

[NGO]

"Espanta minha depressão
Entre quatro paredes ela intende de pressão
Sentimento profundo tesão sem tensão
desejo quente, capaz de veranear Plutão"



E na "season finale" a reunião de cinco MC's na cypher "Sound5 Parte 2", contra o discurso do cidadão de bem e seus atos em prol do próprio umbigo. Letra politica versada por ÁtilaSiloque, Mizote, Inokoshi, do grupo Artefatos Clan e Arthur, também MC do Primavera Nacional. O beat é de DimasEdo e a dupla Victor Banstarch e Rômela Batista assinam a captação de imagens, fotografia e edição e produção do clipe.

Átila iniciando disparando contra o chefe de estado do desgoverno:

"Vários estresses que passo na vida
Mano aqui preto não envelhece. Quer falar de vida?
Quer armada a população? Uma solução tão boa
Quanto dar um gps pra bala perdida..."

Seguindo, o rapper Siloque, de águas de São Pedro (com passagem por Jaguariúna), que complementa as ideias:

"Pensamento encarcerado nunca filtra a podridão.
Não reflete e compromete as faculdades da visão.
O momento é agora, e nossa rima essa missão.
A mim compete, conte mais um na contenção, irmãos!"

O terceiro a rimar é o Mizote, que continua questionando a escolha incoerente e segue na contenção:

"Seu presidente é machista, racista, defende quem?
O alvo da bala é minha gente
Pro cês tá bem, cês roubaram até nosso ouro, mas nunca
Nunca que cês vão roubar nossa mente"

Inokoshi também versa resistência, preta e periferia, contra o fascismo que apoderou no poder, subsidiado pelo sistema: 


"Tela preta no sistema
Pode me chamar Hacker
Nós segue resistência naipe do black panther
Burguesia passa pano bem melhor black and decker"

E fechando a track, o talento do Arthur, o mc do Primavera Nacional, que remete sua narrativa á fatos passados, pra mostrar que quem fazia o mau naquela época são os mesmo de hoje, só que agora apoiados pelo estado, mas a resistência negra e periférica segue empoderada: "E o que vier eu encaro!"

"Naufraguei no meio do sei e do que acho.
não fraguei o medo, fraguei o cansaço.
No olhar de quem desde os onze é caçado,
Por verme estalado, revolver sacado,
E é: "Mão na cabeça, neguim ta ferrado!"
"Caiu pra você pé vermelho desgraçado!"
Um menor magrelo com zóio esbugalhado,
Sem flagrante, mas podia ser forjado"


PRIMAVERA NACIONAL





Primavera Nacional ou PN. é um grupo de rap da região da Baixa Mogiana, interior Paulista, que representa a cultura e a força do movimento 019. O grupo começou no final de 2015 executando projetos sociais em fundações CASA e organizando saraus. O trabalho do PN é 100% independente, desde a produção, composição e até mesmo as artes de divulgação. A proposta do Primavera Nacional é levar a cultura do interior através do rap e do movimento hip hop para o mundo. O grupo também carrega a cultura africana e luta contra qualquer tipo de preconceito. 


Formado por quatro MC’s, os irmãos Arthur (21) e Átila (25), que também assina as produções de bases, naturais de Mogi Mirim-SP, NGO (26) e Matraca (23), que também assina como designer gráfico, ambos naturais de Mogi Guaçu-SP. O grupo tem andanças por toda região 019, participando de diversos projetos e fortalecendo a cultura, mostrando que o Interior tem voz!


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