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A América Latina Ouve o Rap Brasileiro?


O Submundo do Som sempre buscou o diálogo com artistas para além das fronteiras do Brasil, e principalmente no Hip Hop latino-americano encontro personagens fantásticos que cederam entrevistas e falaram da cena musical em seus país, das dificuldades, alegrias, conquistas, sonhos, diferenças e similaridades com a cena em outros países latinos.

Sempre que houve a oportunidade procurei perguntar para as Hermanas e hermanos sobre o rap brasileiro, muito me intriga saber como que o nosso Hip Hop é visto lá fora. Essa questão é importante ser analisada pois o Brasil é o único país da América Latina que fala, oficialmente, o português e nossos irmãos, além das línguas regionais, todos falam o castelhano de forma oficial. Com isso é mais fácil que argentinos consumam o rap chileno ou colombiano do que aquele feito no Brasil. O idioma poderia ser a grande barreira para isso, mas a música é universal, é sentimento, e compreendê-la em todas as nuances da escrita não é o fator predominante para escutar ou não um som. Quer um exemplo? Quantas vezes escutamos um rap made in USA e não entendemos nada a priori, mas beat e flow nos fazem viajar e a energia empostado na interpretação no faz crer na veracidade daquele sentimento.


Se esse argumento é pouco, tenho mais um. A América Latina sempre cultuou ícones da música brasileira como Roberto Carlos, Caetano Veloso ou Chico Buarque, o Brasil sempre consumiu mega pop stars da música Latina, de Shakira a Maná, passando por RBD e Gardel. E por que no rap isso é diferente? Os problemas não são locais, as dores não são regionais, o protesto e a denúncia não têm pátria, vide os tantos sotaques que o rap brasileiro possui, música feita de norte a sul em um país de dimensões continentais.


Pois bem, que mostro a seguir são recortes das entrevistas que fiz com artistas latinos, são as respostas para quando pergunto sobre a música brasileira. De fato, a amostragem é muito pequena para qualquer analise a nível de continente, até porque a intenção não é essa, mas sim mostrar a visão desse seleto grupo de entrevistados sobre o rap brasileiro.


No Uruguai entrevistei a famosa banda DosTresCinco, um dos maiores ícones do rap uruguaio, Taio, um dos integrantes respondeu: “Aqui em nosso pequeno “paisito” estamos muito influenciados não só pela música da Europa, que é nossa raiz original, também somos influenciados pela música dos gigantes Brasil e Argentina. Muita de nossa chamada Música Popular tem influência direta da música brasileira. Na minha casa, durante minha infância, sempre rolou Caetano, Gilberto Gil, Maria Betânia e vários outros. Hoje em dia escuto bastante Adriana Calcanhoto, Tim Maia, Cazuza, Ponto de Equilibro, Racionais MC’s, Planet Hemp, Seu Jorge, Charlie Brown Jr, Francisco El Hombre e poderia seguir dizendo vários outros nomes, apesar da barreira idiomática amamos a música brasileira”.


Dj Miami, também integrante do DosTresCinco vai mais direto e cita o rap brasileiro: “Racionais, MV Bill, 509-E, Rappin Hood, Marcelo D2, Sabotage, são alguns dos que escuto, também curto muito o último disco do Mano Brown”. Outro entrevistado do Uruguai foi o rapper Nan, pioneiro do Hip Hop no país, e quando perguntando o hermano responde: “Alguma coisinha de Hip Hop: DJ Hum, Racionais MC’s, Gabriel O Pensador, MV Bill e talvez mais alguns”.


Na argentina entrevistei vários artistas, porém me recordo de ter feito essa pergunta somente para a Areli, de Buenos Aires, e a MC foi econômica nas palavras: “Sim, escuto alguns artistas brasileiros e curto sim”. No Paraguai, uma das melhores entrevistas do Submundo do Som foi com a banda Revolber FX, banda que mescla rap, rock e reggae e cantam em guarani, castelhano e português e por ser tão misturados era natural que conhecessem a nossa música. Patrick Altamiranda respondeu: “Gostamos de muita coisa da música brasileira: Caetano Veloso, O Rappa, Tom Zé, Novos Baianos, Chico Science e Nação Zumbi (Nação Zumbi sem o Chico também), Racionais MC's, o novo álbum solo do Mano Brown tá bem legal, Seu Jorge, Titãs, Raul Seixas, Planet Hemp, Mundo Livre S/A, Otto, Lenine, Curumim, Criolo, A Fase Rosa, entre outros...”.


Na Bolívia há uma surpresa, a artista Noisy MC sai um pouco do senso comum e diz “Sei muito pouco quando o assunto é rap, ouço Oriente e Rebbeca e de um modo geral gosto muito do ritmo calipso”. No Chile o grupo Habitantes também mostra conhecimento da MPB e citam “conhecemos: Airto Moreira, Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Maria Rita, Natiruts, Smoke the City (banda inglesa que canta en português), Taina Cristina”. Minha amiga Rapbrina, também chilena, já é mais modesta ao falar do que sabe musicalmente do Brasil: “Serei super honesta Jeff Ferreira, tenho muito pouco conhecimento do Brasil a nível do rap, tenho certeza de que o Brasil é um pai latino-americano do funk, levando música para os nossos bboys e bgirls, assim como espero que não para cair na ignorância, pois sei que em seu país existem muitas festas que têm a dança como motor. Algumas bandas e músicas brasileiras que eu conheço são: Sabotage e MV Bill, e as canções “Poetas No Topo” e “Negro Drama”, adoraria expandir meu horizonte musical e artístico a partir do Brasil. Espero que você possa me fornecer mais informações”.


Indo um pouquinho mais longe na República Dominicana, falei com o Materia Gris, um rapper que hoje vive na Espanha e tem sua visão da música brasileira a partir do que chega no Velho Continente: “Eu curto a música brasileira, aqui teve um ‘boom’ muito forte com o trabalho do Kevinho e Fioti, artistas da Kondzilla (não sei se é um selo ou um canal...) Isso já tem uns 4 ou 5 anos e na real é muito interessante essa maneira atrativa de fazer música, e agora através da Netflix nos chega uma série sobre isso que é a Sintonia”.


O MC colombiano SL4 Lopera, de Bogotá, me contou que não somente escuta a música brasileira como estuda e tem feats com brasileiros: “Tenho alguns projetos e também ajudo algumas pessoas a falar melhor o castelhano e também aprendo o português. Tenho um grande irmão, um artista brasileiro, o André Magreen (Guerrilha Republik) que temos músicas juntos, “Veneno de la Serpiente” e “Procura y Oferta”.


O mesmo ocorre com a boliviana Poesia Natural, que faz parcerias com rappers do Brasil,a MC respondeu-me: “Conheço vários MC's brasileiros, aliás nos próximos dias estarei lançando um vídeo em conexão com uma rapper brasileira, a Elaine Cabral. Eu realmente gosto do seu estilo”.


Essas conexões entre rappers brasileiros e artistas latino-americanos já foi registrada aqui no Submundo do Som, e se você quiser pode conferir a matéria clicando aqui.

Um comentário:

  1. Show... Tenho muito interesse nos ritmos sul-americano... Gosto muito de cumbia vilera, da argentina. Quero conhecer mais rappers dos nossos países vizinhos.

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